Purificassem — porque a obra a que agora se punham, embora comum na sua natureza, era santa no seu desígnio e dizia respeito ao sábado; e porque o dia em que deviam fazê-la era o próprio sábado, para cuja observância estavam obrigados a purificar-se. Portas — as portas da cidade: não ousando confiar nos porteiros comuns, confia o encargo delas, nos sábados, aos levitas, a quem propriamente pertencia o cuidado de santificar o sábado. Misericórdia — com o que dá a entender que, embora mencionasse as suas boas obras como coisas que agradavam a Deus e que ele prometera recompensar, nem confiava, nem ousava confiar no mérito delas ou na sua própria dignidade; mas, tendo feito tudo, julgava-se servo inútil, necessitado da infinita misericórdia de Deus para perdoar todos os seus pecados, e particularmente as fraquezas e corrupções que aderiam às suas boas obras.
Nota do editor
O refrão do capítulo é a oração 'lembra-te de mim, meu Deus' (Ne 13.14,22,31) — e o v. 22 traz a cláusula que salva o refrão de qualquer farisaísmo: 'perdoa-me segundo a abundância da tua misericórdia'. Wesley expõe com precisão de teólogo da graça: Neemias menciona as suas obras sem confiar nelas; feitas todas, julga-se 'servo inútil' (Lc 17.10) e pede misericórdia até pelas 'corrupções que aderiam às suas boas obras'. Eis a consciência evangélica madura: as nossas melhores obras precisam de sangue que as lave (Is 64.6; Hb 9.14) — o que não as anula, pois Deus se agrada delas e promete recompensá-las (Hb 6.10), mas as tira do lugar de fundamento. Obras como fruto e evidência, misericórdia como base: Neemias, o homem das mãos mais cheias de obras do seu século, morre pedindo perdão — e é assim que os santos terminam bem (Fp 3.8-9).