Provérbios 20.1 §
Nota de John Wesley
Escarnecedor — o vinho bebido sem moderação torna os homens escarnecedores. Alvoroçador — enche os homens de furor.
Nota do editor
'O VINHO É ESCARNECEDOR, e a bebida forte, ALVOROÇADORA; todo aquele que por eles é vencido NÃO É SÁBIO' (Pv 20.1) — note-se a personificação: o vinho não é retratado como objeto, mas como AGENTE com personalidade própria — escarnece de quem pensa dominá-lo. Wesley aponta a troca de comando: o excesso 'TORNA os homens escarnecedores... ENCHE os homens de furor' — a bebida não acrescenta nada ao homem: apenas remove os freios e assume o volante; quem 'por ela é vencido' (a palavra é de luta: derrotado, tombado) entregou a direção a um zombador (Pv 23.29-35 traça o retrato completo: 'como o que se deita no MEIO DO MAR... Espancaram-me, e NÃO O SENTI... quando despertar, TORNAREI A BEBÊ-LO' — a primeira descrição clínica da dependência na literatura; Ef 5.18 dá o contraste e a alternativa: 'não vos embriagueis com vinho... mas ENCHEI-VOS DO ESPÍRITO' — todo homem será preenchido e governado por algo; a questão é apenas por quê). No mesmo capítulo, dois provérbios de auditoria interna: 'quem pode dizer: PURIFIQUEI O MEU CORAÇÃO, limpo estou do meu pecado?' (v. 9 — pergunta retórica que nivela toda a humanidade diante da graça: 1Rs 8.46; Rm 3.23; 1Jo 1.8) e 'o espírito do homem é A LÂMPADA DO SENHOR, que esquadrinha TODO O MAIS ÍNTIMO DO CORAÇÃO' (v. 27 — Wesley: a consciência é 'luz posta no homem' que faz as vezes de Deus, 'para observar e julgar todas as nossas ações'; Rm 2.15). E o v. 22 antecipa o Sermão do Monte: 'NÃO DIGAS: VINGAR-ME-EI DO MAL; espera pelo SENHOR, e ele te livrará' (Rm 12.17-19).