Provérbios 21.1 §
Nota de John Wesley
Do rei — nomeia os reis não para excluir os outros homens, mas porque são mais arbitrários e incontroláveis que os demais. Como ribeiros — que os lavradores conduzem por pequenos canais às terras adjacentes, como lhes apraz.
Nota do editor
'Como RIBEIROS DE ÁGUAS assim é O CORAÇÃO DO REI na mão do SENHOR; este, SEGUNDO O SEU QUERER, o inclina' (Pv 21.1). A imagem, explica Wesley, é a do lavrador oriental abrindo canaizinhos na horta: a água não sabe que está sendo dirigida — corre 'naturalmente' — e vai exatamente aonde a enxada do dono decidiu. Assim o coração mais blindado da terra (o do rei, escolhido de propósito: 'mais arbitrário e incontrolável que os demais' — se o SENHOR governa o topo, governa tudo abaixo): Ciro decretando a volta do exílio sem conhecer quem o despertou (Ed 1.1; Is 45.1-4), Artaxerxes concedendo tudo a Neemias entre um gole e outro (Ne 2.4-8), Assuero perdendo o sono na noite exata (Et 6.1), o edito de Augusto movendo um império para levar uma grávida a Belém (Lc 2.1-4; At 4.27-28). Para o crente sob governos hostis ou decisões pendentes, este é o versículo de dormir em paz: acima de cada gabinete há uma mão no canal (Dn 2.21; Rm 13.1) — e a oração alcança o rei porque alcança Aquele que segura o rio (1Tm 2.1-2). O mesmo capítulo guarda o lembrete de que Deus não se impressiona com liturgia sem justiça: 'fazer JUSTIÇA E JUÍZO é mais aceitável ao SENHOR do que SACRIFÍCIO' (v. 3; 1Sm 15.22; Mq 6.6-8) — e fecha com a moldura de toda estratégia humana: 'o cavalo prepara-se para a batalha, mas DO SENHOR VEM A VITÓRIA' (v. 31; Sl 20.7): prepare-se o cavalo, sim — mas assine-se a vitória a quem ela pertence.