Quem — que mero homem? Nenhum. Subiu — para aprender a mente de Deus, que ali habita. Desceu — para ensinar aos homens cá embaixo o que aprendeu lá em cima. Ninguém pode conhecer plenamente e ensinar-nos estas coisas, a menos que tenha estado no céu e de lá tenha sido enviado à terra para esse fim. Nos punhos — para os reter ou soltar a seu bel-prazer? E ninguém senão aquele que fez e governa todas as criaturas pode conhecer e ensinar estas coisas. As águas — as que estão acima das nuvens e as que estão abaixo: o mar, que Deus guarda como que dentro de portas, e a água que ele encerra nas entranhas da terra. A terra — toda a terra, de uma extremidade à outra, que Deus sustém no ar pela palavra do seu poder. Se — se pensas que há algum homem capaz de fazer estas coisas, dize o seu nome; ou, se já morreu, o nome de algum da sua posteridade.
Nota do editor
As perguntas de Agur (Pv 30.4) são o vestibular da humildade teológica: 'QUEM subiu ao céu E DESCEU? QUEM encerrou os ventos NOS SEUS PUNHOS? QUEM amarrou as águas na sua roupa? QUEM estabeleceu todas as extremidades da terra? QUAL É O SEU NOME, E QUAL É O NOME DE SEU FILHO, se é que o sabes?' — cinco perguntas cuja resposta humana é o silêncio (Wesley: 'que mero homem? NENHUM'), como as de Jó 38, feitas para medir o tamanho do aluno diante do assunto. Mas a última pergunta guarda uma fresta luminosa que o leitor cristão não consegue ler sem estremecer: 'e qual é O NOME DE SEU FILHO?' — no coração do Antigo Testamento, a pergunta já supunha que o Deus que sobe e desce tem um Filho (Sl 2.7,12; Dn 3.25); e o Novo Testamento responde por extenso: 'NINGUÉM SUBIU AO CÉU, SENÃO AQUELE QUE DE LÁ DESCEU, o Filho do Homem' (Jo 3.13; Ef 4.9-10) — o nome que Agur não sabia, nós sabemos: Jesus (Fp 2.9-10). A sequência (v. 5-6) tira a conclusão prática: já que nenhum homem escala o céu, 'TODA PALAVRA DE DEUS É PURA; ele é escudo para os que nele confiam. NADA ACRESCENTES às suas palavras' — a revelação, não a especulação, é o único acesso ao alto (Dt 4.2; Ap 22.18-19). E a oração de Agur (v. 7-9) é a mais sensata da Escritura sobre dinheiro: 'NÃO ME DÊS NEM A POBREZA NEM A RIQUEZA; dá-me O PÃO QUE ME FOR NECESSÁRIO; para que, farto, não te negue e diga: QUEM É O SENHOR? — ou, empobrecido, não venha a furtar' — o único pedido financeiro cujo alvo não é o saldo, mas a comunhão (Mt 6.11; 1Tm 6.8; Fp 4.11-13).