Notas de John Wesley sobre a Bíblia Comentários bíblicos em português atual

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1 Reis 6

Referências: 1Reis 6.11Reis 6.2-31Reis 6.101Reis 6.12-131Reis 6.15-181Reis 6.29-301Reis 6.31-361Reis 6.38

Introdução ao capítulo

O tempo em que o templo foi edificado (v. 1); as suas dimensões (v. 2-3); as janelas, câmaras, materiais e portas (v. 4-10); a mensagem de Deus a Salomão (v. 11-13); as paredes e o pavimento (v. 14-18); o santuário interior e os querubins (v. 19-30); as portas e o átrio interior (v. 31-36); quanto tempo levou a construção (v. 37-38).

1Reis 6.1 §

Nota de John Wesley

Quatrocentos e oitenta anos — atribuindo quarenta anos a Moisés, dezessete a Josué, duzentos e noventa e nove aos juízes, quarenta a Eli, quarenta a Samuel e Saul, quarenta a Davi e quatro a Salomão antes de começar a obra, temos exatamente a soma de quatrocentos e oitenta. Tanto tempo se passou antes que aquela santa casa fosse edificada — a qual, em menos de quatrocentos e trinta anos, foi queimada por Nabucodonosor. Foi assim adiada porque Israel, pelos seus pecados, se fizera indigno desta honra; e porque Deus queria mostrar quão pouco valoriza a pompa e o esplendor externos no seu serviço. E Deus a ordenou agora principalmente para ser sombra dos bens vindouros.

1Reis 6.2-3 §

Nota de John Wesley

A casa — propriamente assim chamada, distinta de todas as paredes e edifícios anexos: a saber, o lugar santo e o santíssimo. Comprimento — de leste a oeste. E esta e as demais medidas parecem referir-se ao interior, de parede a parede. Côvados — côvados do santuário. Altura — a saber, da casa; pois o pórtico tinha cento e vinte côvados de altura (2Cr 3.4). De modo que todas as medidas, comparadas entre si, eram harmoniosas: sessenta para vinte (comprimento para largura) é o triplo, ou três para um; sessenta para trinta (comprimento para altura) é o dobro, ou dois para um; e trinta para vinte (altura para largura) é um e meio, ou três para dois — proporções que correspondem às três grandes consonâncias da música, comumente chamadas duodécima, oitava e quinta. Proporção que havia de ser graciosa aos olhos, como aquela da música o é aos ouvidos. O pórtico — na frente ou entrada da casa (2Cr 3.4): um pórtico, passeio ou galeria numa das extremidades do edifício, de lado a lado. E as suas medidas eram também harmoniosas: vinte para dez (comprimento para largura) é o dobro, ou dois para um. E, se a altura interna era a mesma da casa, isto é, trinta, estava para o comprimento como três para dois, e para a largura como três para um. Ou, tomando a altura total mencionada em 2Cr 3.4, cento e vinte, também não há desproporção: está para o comprimento como seis para um, e para a largura como doze para um — especialmente estando essa altura convenientemente dividida em várias galerias sobrepostas, cada qual com as suas devidas proporções. Estreitas — estreitas por fora, para prevenir os inconvenientes do tempo; alargando-se gradualmente para dentro, para que a casa melhor recebesse e mais espalhasse a luz. Contra a parede — as vigas das câmaras não estavam encaixadas na parede, mas apoiadas sobre os ressaltos dela. Câmaras — para nelas se guardarem as vestes dos sacerdotes e outros utensílios pertencentes ao templo. Ao redor — de todos os lados, exceto o leste, onde estava o pórtico, e exceto pequeníssimas passagens para a luz. E essas aberturas podiam estar nos cinco côvados superiores da parede, acima de todas as câmaras — pois estas tinham só quinze côvados de altura, e a parede vinte. Galerias — que rodeavam todas as câmaras e eram necessárias para a passagem a elas. Larga — por dentro, além das galerias acima mencionadas. Reentrâncias — ou estreitamentos: como nas nossas construções as paredes de uma casa são mais grossas ou largas embaixo e mais estreitas para o alto; só que esses estreitamentos eram do lado de fora da parede, que em cada um dos três pavimentos era um côvado mais estreita que a de baixo. E isto se menciona como a razão da largura diferente das câmaras: sendo a parede mais estreita, sobrava mais espaço para as câmaras superiores. Não presas — para que não se fizessem buracos na parede para prendê-las, e para que as câmaras pudessem ser removidas, se preciso, sem inconveniente algum para a casa. Já preparadas — cortadas, esquadrejadas e ajustadas exatamente segundo a direção do arquiteto. Nem martelo... — assim se ordenou, em parte pela facilidade e conveniência do transporte; em parte pela magnificência da obra e crédito da perícia e diligência dos artífices; e em parte por significação mística. E como este templo era figura manifesta tanto da igreja de Cristo na terra como da Jerusalém celestial, esta circunstância significava, quanto à primeira, que é dever dos edificadores e membros da igreja, quanto neles estiver, cuidar que tudo ali se faça em perfeita paz e quietude, e que nenhum ruído de contenda, divisão ou violência se ouça naquele sagrado edifício; e, quanto à segunda, que nenhuma pedra espiritual, pessoa alguma, terá parte naquele templo celestial sem ser primeiro cortada, esquadrejada e preparada para ele nesta vida. A porta — isto é, aquela por onde se entrava para subir à câmara ou câmaras do meio — as do pavimento médio. Lado direito — isto é, no lado sul, chamado direito porque, quando alguém olha para o leste, o sul lhe fica à mão direita. Havia outra porta à esquerda, no lado norte, dando para as câmaras daquele lado. Escadas de caracol — por fora da parede, subindo à galeria da qual se entrava nas várias câmaras. Câmara do meio — ou antes, o pavimento do meio, a fileira de câmaras; e assim nas palavras seguintes, do pavimento do meio: pois essas escadas não podiam subir a cada câmara, nem era preciso — bastava chegar ao pavimento, o que servia ao uso de todas as câmaras.

Nota do editor

'Nem martelo, nem machado, nem ferramenta alguma se ouviu na casa enquanto a edificavam' (1Rs 6.7): as pedras chegavam prontas da pedreira. Wesley tira as duas lições que o texto pede. Para a igreja militante: a obra de Deus se edifica sem o barulho da contenda — quem leva o martelo da briga para dentro do templo esqueceu onde está (Ef 4.3; Tg 1.20). Para a igreja triunfante: ninguém entra no templo celestial sem ser lavrado aqui — o talhar da graça, com os seus golpes doloridos, acontece todo desta banda da morte (Hb 12.10-11; 1Pe 1.6-7). A pedreira é agora; lá, só o encaixe silencioso.

1Reis 6.10 §

Nota de John Wesley

Edificou câmaras — as palavras hebraicas podem propriamente traduzir-se: edificou um teto, um teto plano e chato, sobre toda a casa, segundo o costume das construções israelitas. O teto interior era abobadado (v. 9), para maior beleza; o exterior, plano. Cinco côvados — acima das paredes do templo, para ficar um pouco mais alto que o teto abobadado, que ele se destinava a cobrir e proteger. Apoiavam-se — no hebraico: apoiava-se, a saber, o teto. Madeira de cedro — que assentava sobre o topo da parede, como as câmaras (v. 5) assentavam sobre os lados dela.

1Reis 6.12-13 §

Nota de John Wesley

Se — Deus expressa a condição de que dependem a sua promessa e o seu favor; e, assegurando-lho em caso de obediência, claramente dá a entender o contrário em caso de desobediência. Assim foi ensinado que toda a despesa que ele e o povo faziam na ereção deste templo nem os desobrigaria da obediência à lei de Deus, nem os abrigaria dos seus juízos em caso de desobediência.

Nota do editor

No meio da obra, a palavra corta o entusiasmo: 'quanto a esta casa que estás edificando: se andares nos meus estatutos... cumprirei contigo a minha palavra' (1Rs 6.11-13). Deus interrompe a construção para lembrar que não se deixa comprar por arquitetura: templo suntuoso não substitui obediência — lição que Israel esqueceria a ponto de transformar 'o templo do SENHOR' em amuleto (Jr 7.4-11; Mc 11.17). O que Deus prometia habitar não eram os cedros, era o meio dos filhos de Israel (v. 13): a presença acompanha a fidelidade, não o mármore (Is 66.1-2; At 7.48-50).

1Reis 6.15-18 §

Nota de John Wesley

Paredes — o nome de parede não se restringe a pedra ou tijolo, pois lemos de um muro de bronze (Jr 15.20) e de um muro de ferro (Ez 4.3); e aquela parede em que Saul cravou a lança (1Sm 19.10) parece dever entender-se de madeira antes que de pedra — especialmente sendo a sala onde o rei costumava comer. Por esta perífrase, desde o pavimento da casa até as paredes do teto, ele designa todas as paredes laterais da casa. As — as paredes laterais da casa. Madeira — com outra espécie de madeira, a saber, cipreste, como se vê de 2Cr 3.5 — com que se diz aqui estar coberto o pavimento. Pavimento — isto se diz só do pavimento, porque nele não havia senão tábuas de cipreste; ao passo que nos lados da casa havia cedro e cipreste: o cipreste posto sobre o cedro, ou entremeado com as tábuas ou nervuras de cedro, como se pode colher de 2Cr 3.5. Casa — isto é, o lugar santíssimo, que media vinte côvados de comprimento; e pode dizer-se que estava nos lados da casa porque esta parte tomava vinte côvados de comprimento de cada lado da casa, e tinha também vinte côvados de lado a lado — vinte côvados em todas as direções. O santuário interior — o lugar santíssimo: as últimas palavras acrescentam-se para explicar o que ele entende pela palavra oráculo, que não usara antes. Casa — isto é, o lugar santo. Templo — acrescenta-se isto para restringir o significado da palavra casa, que de outro modo designa o edifício inteiro. Ele — o santuário interior. Cedro — nomeia-se aqui o cedro não para excluir toda outra madeira, mas somente a pedra, como mostram as palavras seguintes. Preparou — isto é, adornou-o e aparelhou-o para receber a arca. Salomão fez tudo novo, menos a arca: esta, com o seu propiciatório, era ainda a mesma que Moisés fizera. Era o penhor da presença de Deus, que está com o seu povo, quer se reúna em tenda quer em templo, e não muda com a sua condição. Parte fronteira — que ficava na parte interior da casa, chamada em hebraico a parte da frente: não porque se entre primeiro por ela, mas porque, quando alguém entra ou acaba de entrar na casa, ela ainda lhe está diante. Cobriu — de ouro (1Rs 7.48; 1Cr 28.18). O altar — o altar do incenso. Casa — ou, aquela casa: o santuário interior. Divisória — fez um véu, que era divisão ulterior entre o santo e o santíssimo; e esse véu pendia daquelas correntes de ouro. Diante do santuário — na parte externa da parede ou divisória erguida entre o oráculo e o lugar santo; da qual propriamente se diz estar diante do oráculo: ali pendia o véu, e ali estavam as correntes, barras ou o que quer que prendesse as portas do santuário. Ela — a divisória; que ele aqui distingue da casa, isto é, das paredes principais da casa, que na primeira parte deste versículo nos disse estarem cobertas de ouro; e agora afirma o mesmo da divisória. Toda a casa — não só o santuário interior, mas todo o lugar santo. O altar — o altar do incenso, posto no lugar santo, junto às portas do santuário. De ouro — como antes o cobrira de cedro. Querubins — além dos dois feitos por Moisés (Êx 25.18), que eram de ouro e muito menores que estes. Os pagãos erigiam imagens dos seus deuses e as adoravam. Estes destinavam-se a representar os servos e assistentes do Deus de Israel, os santos anjos — não para serem eles mesmos adorados, mas para mostrar quão grande é aquele a quem adoramos.

1Reis 6.29-30 §

Nota de John Wesley

Querubins — como sinais da presença e proteção dos anjos, concedidas por Deus àquele lugar. Palmeiras — emblemas daquela paz e vitória sobre os inimigos que os israelitas, servindo devidamente a Deus naquele lugar, podiam esperar. Por dentro e por fora — dentro do santuário interior e fora dele, no lugar santo.

1Reis 6.31-36 §

Nota de John Wesley

Quinta parte — isto é, quatro côvados de altura ou largura, sendo a parede de vinte côvados. Átrio interior [v. 36] — o átrio dos sacerdotes (2Cr 4.9), assim chamado por ser o mais próximo do templo, que ele rodeava. Vigas de cedro — o que se entende de outras tantas galerias, uma de cada lado do templo, das quais as três primeiras carreiras eram de pedra e a quarta de cedro, todas sustentadas por fileiras de colunas; sobre as quais havia muitas câmaras para os usos do templo e dos sacerdotes.

1Reis 6.38 §

Nota de John Wesley

Sete anos — não é estranho que a obra tomasse tanto tempo. Primeiro: o templo propriamente dito era, em tamanho, a menor parte dela — havia muitos e grandes edifícios, tanto acima do solo, nos vários átrios (pois, embora só se mencione o átrio dos sacerdotes, fica implícito que o mesmo se fez proporcionalmente nos outros), como debaixo dele. Segundo: a grande arte aqui empregada, e o pequeno número de artífices exímios, requeriam tempo mais longo. E se a construção do templo de Diana ocupou toda a Ásia por duzentos anos, e a de uma pirâmide empregou trezentos e sessenta mil homens por vinte anos seguidos — ambas as coisas afirmadas por Plínio —, nenhum homem razoável pode admirar-se de que este templo levasse sete anos a edificar. Vejamos agora o que este templo tipifica. Primeiro: o próprio Cristo é o verdadeiro templo. Ele mesmo falou do templo do seu corpo; e nele habita toda a plenitude da divindade. Nele se encontra todo o Israel de Deus, e por ele temos acesso a Deus com confiança. Segundo: cada crente é um templo vivo, no qual habita o Espírito de Deus. Fomos maravilhosamente feitos pela providência divina, mas mais maravilhosamente refeitos pela graça divina. E como o templo de Salomão foi edificado sobre a rocha, assim nós somos edificados sobre Cristo. Terceiro: a igreja é um templo místico, enriquecido e embelezado não com ouro e pedras preciosas, mas com os dons e graças do Espírito. Os anjos são espíritos ministradores, assistindo a igreja e todos os seus membros de todos os lados. Quarto: o céu é o templo eterno. Ali a igreja estará fixa, e já não móvel. Os querubins ali assistem sempre ao trono da glória. No templo não se ouviu ruído de machados ou martelos: tudo é quieto e sereno no céu. Todos os que hão de ser pedras naquele edifício devem ser aqui aparelhados e preparados para ele: cortados e esquadrejados pela graça divina, e assim feitos idôneos para um lugar naquele templo.

Temas: cristoesperanca

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