O apedrejaram — apedrejaram-no imediatamente, sem sequer aparência de processo: maldade tão horrenda como qualquer que se leia em toda a história dos reis. Que tal vilania fosse cometida por homens, por israelitas — em desprezo e violação de tudo o que é justo, honroso e sagrado! Dizem os judeus que houve sete transgressões numa só: mataram um sacerdote, um profeta e um juiz; derramaram sangue inocente; poluíram o átrio do templo, o sábado e o dia da expiação — pois nesse dia, diz a sua tradição, isto aconteceu.
Nota do editor
No átrio onde Joiada o coroara, Joás mandou apedrejar o filho de Joiada (2Cr 24.21) — 'não se lembrou da beneficência' (v. 22): a ingratidão como amnésia moral deliberada. As últimas palavras de Zacarias — 'o SENHOR o verá e o requererá' — ecoaram até o Calvário: Jesus fecha a contagem dos mártires 'desde o sangue de Abel até o sangue de Zacarias, que foi morto entre o santuário e o altar' (Mt 23.35; Lc 11.51 — de Gênesis a Crônicas, o primeiro e o último livro do cânon hebraico). Contraste-o com o outro sangue: o de Abel e Zacarias clama por justiça; o de Cristo 'fala coisas superiores' — clama perdão (Hb 12.24; Lc 23.34). Entre os dois clamores se decide toda consciência.