Notas de John Wesley sobre a Bíblia Comentários bíblicos em português atual

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2 Crônicas 26

Referências: 2Crônicas 26.102Crônicas 26.162Crônicas 26.182Crônicas 26.192Crônicas 26.202Crônicas 26.21

Introdução ao capítulo

Uzias reina bem (v. 1-5); prospera nas guerras, nas construções e nos negócios do reino (v. 6-15); invadindo o ofício sacerdotal, é ferido de lepra (v. 16-20); fica confinado até a morte (v. 21-23).

2Crônicas 26.10 §

Nota de John Wesley

Torres — para guardar o seu gado das incursões que os árabes costumavam fazer, e para dar aviso da aproximação de qualquer inimigo.

2Crônicas 26.16 §

Nota de John Wesley

Em Jerusalém — no lugar santo, onde estava o altar do incenso, e no qual só os sacerdotes podiam entrar — muito menos oferecer incenso.

Nota do editor

A biografia de Uzias tem a dobradiça marcada pelo cronista: 'foi maravilhosamente ajudado, até que se tornou forte; mas, havendo-se fortificado, exaltou-se o seu coração para a sua própria ruína' (2Cr 26.15-16). Cinquenta anos de piedade próspera — 'enquanto buscou ao SENHOR, Deus o fez prosperar' (v. 5) — desfeitos num gesto de autossuficiência sacra: o rei quis também o incensário. O sucesso é a prova que menos gente passa: a ajuda de Deus, esquecida a fonte, vira sensação de competência própria (Dt 8.11-14,17; 1Co 4.7). E o detalhe de Isaías dá o arremate: foi 'no ano da morte do rei Uzias' que o profeta viu 'o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono' (Is 6.1) — morto o rei que invadiu o santo lugar, apareceu o Rei a quem o santuário pertence.

2Crônicas 26.18 §

Nota de John Wesley

Resistiram — em hebraico, levantaram-se contra Uzias: não pela força, ou pondo-lhe as mãos para o deter — pois no versículo seguinte ainda lhe encontramos o incensário na mão —, mas somente pela admoestação e repreensão que segue. Nem... — espera que Deus te castigue, ou ponha sobre ti alguma marca de infâmia por esta presunção. Mas exprimem isto com modéstia, considerando que aquele a quem falavam, embora ofensor, era o seu soberano.

2Crônicas 26.19 §

Nota de John Wesley

Sua testa — de modo que não podia esconder a vergonha; embora seja provável que também estivesse no resto do corpo. De junto — por golpe de mão invisível vindo do altar, para que tivesse certeza de que aquilo era efeito do desagrado de Deus.

2Crônicas 26.20 §

Nota de John Wesley

Apressaram — não à força, o que não foi preciso, pois ele mesmo se apressou a sair, como segue; mas por veementes persuasões e denúncias de juízos ulteriores de Deus sobre ele, se não saísse.

2Crônicas 26.21 §

Nota de John Wesley

Sua morte — Deus quis que esta lepra fosse incurável, como monumento duradouro da sua ira contra os invasores presunçosos do ofício sacerdotal. Morou... — como a lei o obrigava; à qual não ousou resistir, estando sob a mão de Deus e sob o temor de pragas piores, se não o fizesse. Pois morava em casa separada, porque não podia entrar no templo nem nos átrios, nem por consequência em assembleia pública alguma. Assim o castigo respondeu ao pecado, como o rosto ao rosto no espelho: intrometeu-se no templo de Deus, aonde só os sacerdotes tinham entrada — e por isso foi expulso até dos átrios do templo, onde o mais humilde dos seus súditos podia entrar; invadiu a dignidade do sacerdócio, a que não tinha direito — e por isso foi privado da dignidade real, a que tinha direito indubitável.

Nota do editor

A simetria do castigo, que Wesley desenha 'como rosto no espelho': quis o lugar dos sacerdotes e perdeu até o lugar do povo; agarrou uma dignidade alheia e soltou a própria. Rei leproso numa casa separada, enquanto o filho despachava no palácio (2Cr 26.21) — dez anos, talvez, de quarentena para meditar num minuto de presunção. A distinção de ofícios não é burocracia celestial: é fronteira posta por Deus (Nm 16.40; Hb 5.4 — 'ninguém toma para si esta honra'). E, sob a nova aliança, a lição se inverte sem se anular: agora todos os crentes são sacerdotes (1Pe 2.9) — mas exatamente por isso ninguém se apossa do que pertence a outro: os dons distribuídos pelo Espírito continuam sendo repartição soberana, não conquista de ambição (1Co 12.11,18; Rm 12.3-6).

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