2Reis 19.1 §
Nota de John Wesley
Rasgou as suas vestes... — os grandes não devem julgar desdouro seu compadecer-se da honra ultrajada do grande Deus.
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Introdução ao capítulo
Ezequias manda pedir a Isaías as suas orações (v. 1-5) e recebe dele resposta de paz (v. 6-7); Senaqueribe envia carta ameaçadora a Ezequias (v. 8-13), que apresenta a sua causa a Deus (v. 14-19); Deus, por Isaías, lhe envia mensagem consoladora (v. 20-34); o exército dos assírios é destruído (v. 35-37).
2Reis 19.1 §
Nota de John Wesley
Rasgou as suas vestes... — os grandes não devem julgar desdouro seu compadecer-se da honra ultrajada do grande Deus.
2Reis 19.3 §
Nota de John Wesley
Os filhos — somos como uma pobre mulher em trabalho de parto, em grande extremidade, sem forças para se ajudar e dar à luz a criança. Tentamos livrar-nos do jugo assírio, e tínhamos levado a obra a certa maturidade e, como pensávamos, ao ponto de nascer; mas agora não temos força para concluir. Começamos uma feliz reforma, e este insolente assírio nos impede de a levar à perfeição.
2Reis 19.4 §
Nota de John Wesley
Pelo resto — por Judá, que é apenas um resto, agora que as dez tribos se foram; por Jerusalém, que é apenas um resto, agora que as cidades fortificadas de Judá foram tomadas.
2Reis 19.8 §
Nota de John Wesley
Voltou — ao rei, para lhe dar conta da negociação, deixando o exército sob os outros comandantes.
2Reis 19.15 §
Nota de John Wesley
Ó SENHOR, Deus de Israel... — chama-o Deus de Israel porque Israel era o seu povo peculiar; mas também Deus de toda a terra — não, como Senaqueribe imaginava, Deus de Israel somente. Digam o que disserem, tu és o Senhor soberano, o Deus dos deuses, tu somente: Senhor universal de todos os reinos da terra, e Senhor legítimo — pois fizeste os céus e a terra. Sendo criador de tudo, por título incontestável és dono e governador de tudo.
Nota do editor
Ezequias 'estendeu a carta perante o SENHOR' (2Rs 19.14): a blasfêmia escrita virou pauta de oração. É o modelo perfeito para toda ameaça que chega às nossas mãos — não responder ao remetente antes de abrir o envelope diante de Deus (Fp 4.6-7; 1Pe 5.7). E note-se a ordem da oração: primeiro a grandeza de Deus ('entronizado acima dos querubins... fizeste os céus e a terra'), depois os fatos ('é verdade que os assírios assolaram as nações'), por fim o pedido — com o alvo certo: 'para que todos os reinos da terra saibam que só tu és o SENHOR' (v. 15-19). Quem ora pela glória de Deus antes da própria pele descobre que as duas causas viajam juntas.
Temas: oracao
2Reis 19.16 §
Nota de John Wesley
Dele — de Rabsaqué: não quis dar-lhe a honra de o nomear.
2Reis 19.21 §
Nota de John Wesley
Virgem — assim chama Sião, ou Jerusalém: porque estava em boa medida pura daquela idolatria grosseira com que os outros povos se contaminavam — a qual se chama prostituição espiritual —, e para significar que Deus a defenderia da violação que Senaqueribe intentava cometer contra ela com cuidado não menor do que o dos pais que guardam as filhas virgens dos que procuram forçá-las.
2Reis 19.23 §
Nota de John Wesley
Montes — fiz subir os meus próprios carros àqueles montes tidos por inacessíveis ao meu exército. Líbano — monte alto, famoso pelos cedros e ciprestes. Cortarei — cortarei as árvores que estorvam a minha marcha, e aplanarei o caminho para o meu numeroso exército e carros. Pousadas — aquelas cidades (que por desprezo chama pousadas) que estão nos seus confins extremos. Entrei na terra de Canaã por uma fronteira, o Líbano, e estou resolvido a marchar até a outra, destruindo assim todo o país, de fronteira a fronteira. Carmelo — a floresta do monte Carmelo, que podia parecer outro lugar inacessível, como o Líbano.
2Reis 19.24 §
Nota de John Wesley
Águas estranhas — nunca descobertas por outros. Sequei — e, como posso abastecer de água o meu exército cavando-a da terra, assim posso privar de água os meus inimigos, e secar-lhes os rios — e isso com a planta dos meus pés: com a marcha do meu vasto e numeroso exército, que facilmente o fará, ou marchando através deles, levando cada um a sua parte, ou abrindo canais novos e desviando para eles as águas do rio.
2Reis 19.25 §
Nota de John Wesley
Não ouviste...? — não aprendeste há muito o que alguns dos teus filósofos te poderiam ensinar: que há um Deus supremo e poderoso, por cujo decreto e providência todas estas guerras e calamidades foram enviadas e ordenadas — de quem és mero instrumento, de modo que não tens motivo para estas vãs jactâncias? Esta obra é minha, não tua. Eu... — eu de tal modo dispus as coisas pela minha providência, que fosses príncipe grande e vitorioso, e tivesses o êxito que até aqui tiveste, primeiro contra o reino de Israel, e agora contra Judá.
Nota do editor
A resposta de Deus a Senaqueribe desmonta toda a arrogância imperial numa frase: 'eu o determinei desde os dias antigos... e tu és o executor' (2Rs 19.25). O machado gabando-se contra quem o maneja — é exatamente a figura de Isaías para a mesma Assíria (Is 10.5-15). As superpotências da história são instrumentos datados nas mãos do Deus que nem conhecem; e, quando ultrapassam a comissão e blasfemam, ouvem o veredito do v. 28: 'porei o meu anzol no teu nariz... e te farei voltar pelo caminho por onde vieste' — a linguagem usada para domar feras. Nenhum império, antigo ou moderno, escapa desta gramática (Dn 4.35; Sl 2.1-6).
Temas: providencia
2Reis 19.26 §
Nota de John Wesley
Por isso — porque eu te armara com a minha comissão e força, e lhes tirara o ânimo e a coragem.
2Reis 19.27 §
Nota de John Wesley
Eu conheço — embora tu não me conheças, eu te conheço perfeitamente: todos os teus desígnios e ações, todas as tuas maquinações secretas no lugar da tua morada, no teu reino e corte; e a execução dos teus desígnios lá fora — o que intentas no teu sair, e com que outros pensamentos entras, ou voltas à tua terra.
2Reis 19.28 §
Nota de John Wesley
O meu anzol... — que conforto é saber que Deus tem um anzol no nariz e um freio nos queixos de todos os inimigos seus e nossos!
2Reis 19.29 §
Nota de John Wesley
Um sinal — do certo cumprimento das promessas aqui feitas: que Deus não só preservaria a cidade da sua fúria presente, mas também abençoaria o seu povo com prosperidade duradoura (v. 30-31). O terceiro ano — era um sinal excelente, especialmente considerando o estrago e a devastação que os assírios haviam feito na terra; e que os judeus tinham sido forçados a recolher-se às suas fortalezas, e por consequência a negligenciar a lavoura, a semeadura e a colheita. E contudo, naquele ano teriam provisão suficiente dos frutos da terra que os assírios deixaram; no segundo ano — que era o ano de remissão, em que não podiam semear nem colher —, dos frutos que a terra desse por si mesma; e assim no terceiro ano. E comei — não semearás para outro colher, como havia pouco vos sucedia; mas gozareis o fruto dos vossos próprios trabalhos.
2Reis 19.30 §
Nota de John Wesley
O restante... — estarão bem firmados e providos para si, e então farão bem a outros.
2Reis 19.31 §
Nota de John Wesley
Sairá — aquele punhado de judeus agora ajuntados e encerrados em Jerusalém sairá das suas várias moradas e, pela minha singular bênção, se multiplicará extraordinariamente. O zelo — embora, quando refletirdes sobre vós mesmos e considerardes a vossa presente pequenez e fraqueza, ou a vossa grande indignidade, esta bênção possa parecer grande demais para a esperardes, Deus a fará pelo zelo que tem, tanto pelo seu próprio nome como pelo bem do seu povo sem mérito.
Nota do editor
'O zelo do SENHOR dos Exércitos fará isto' (2Rs 19.31): quando a promessa parece grande demais para um povo pequeno demais, a garantia muda de endereço — não está no merecimento de quem recebe, mas no ardor de quem promete. É a mesma assinatura posta sob a promessa messiânica: 'para que se aumente o seu governo e venha paz sem fim... o zelo do SENHOR dos Exércitos fará isto' (Is 9.7). O 'remanescente que lança raízes para baixo e dá fruto por cima' (v. 30) é o programa de Deus em toda época de devastação: ele recomeça com restos — e do resto faz árvore (Is 6.13; Mq 4.7; Rm 9.27).
Temas: graca
2Reis 19.32 §
Nota de John Wesley
Não entrará — o exército enviado com Rabsaqué não formou cerco cerrado contra ela, mas apenas se dispôs a bloqueá-la a certa distância, possivelmente esperando que o rei da Assíria tomasse Libna e Laquis (o que presumiam faria em breve).
2Reis 19.35 §
Nota de John Wesley
O anjo — um anjo como o que destruiu os primogênitos do Egito. Levantaram-se — os poucos que ficaram vivos: todos os seus companheiros estavam mortos.
Nota do editor
Cento e oitenta e cinco mil numa noite, sem que Israel disparasse uma flecha (2Rs 19.35): a maior potência militar do mundo desfez-se enquanto a cidade sitiada dormia. A promessa fora exata — 'não lançará nela flecha alguma... pois eu defenderei esta cidade' (v. 32-34) — e o cumprimento também. Há batalhas em que a única arma do povo de Deus é ficar quieto e ver (Êx 14.13-14; 2Cr 32.21-22; Sl 46.8-11, salmo que muitos ligam a esta noite). E o epílogo é a última lição: Senaqueribe, poupado do anjo, morreu no templo do seu ídolo, pelas mãos dos próprios filhos (v. 37) — o deus que ele defendeu não o defendeu; o Deus que ele blasfemou cumpriu tudo (Is 37.38).
2Reis 19.36 §
Nota de John Wesley
Então Senaqueribe... — o modo da expressão dá a entender a grande desordem e perturbação de espírito em que estava.
2Reis 19.37 §
Nota de John Wesley
Estando ele a adorar... — o Deus de Israel fizera o bastante para o convencer de que era o único Deus verdadeiro; e contudo persiste na sua idolatria. Justamente, pois, se mistura o seu sangue com os seus sacrifícios — ele que não quis convencer-se, por demonstração comprada tão caro, da sua loucura em adorar ídolos.