Achou-o — não por acaso, mas como quem o procurava e buscava. Manifestara-se-lhe, é certo, no Egito; mas foi no deserto, no Sinai, que Deus o achou de maneira eminente: revelou-lhe a sua vontade, entrou em aliança com ele e comunicou-lhe a si mesmo, a sua graça e a sua bênção. Com esta palavra significa também tanto a sua condição perdida em si mesmos, como que a sua recuperação não veio deles, mas só de Deus, que os buscou e achou pela sua graça. Num deserto ermo e uivante — em lugar destituído de tudo o que é necessário e confortável à vida; figura também daquela condição desolada e sem conforto em que estão todos os homens antes que a graça de Deus os encontre: onde, em vez de vozes de homens, nada se ouve senão uivos e gritos de aves e feras de rapina. Conduziu-o — guiou-o de lugar em lugar pela coluna de nuvem e pela sua providência; ou, rodeou-o com o seu cuidado providente, vigiando-o e guardando-o de todos os lados. Como a menina dos seus olhos — como os homens costumam guardar a menina dos olhos, isto é, com cuidado e diligência singulares: parte a mais sensível e a mais útil.
Nota do editor
'A sua recuperação não veio deles, mas só de Deus, que os buscou e achou pela sua graça' — eis a graça preveniente: Deus encontra o homem no deserto, não o homem a Deus. Como o pastor da parábola, 'o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido' (Lc 19.10; 15.4-5). Toda salvação começa com Deus procurando.