Eclesiastes 3.1 §
Nota de John Wesley
Tempo — um certo tempo determinado por Deus para o seu ser e a sua duração, que nenhum engenho ou previdência humana pode alterar. E é em virtude desta determinação de Deus que acontecem todas as vicissitudes do mundo, sejam confortos, sejam calamidades. Isto se acrescenta aqui para provar a proposição principal — que todas as coisas cá de baixo são vãs, e que a felicidade não se acha nelas — por causa da sua grande incerteza, mutabilidade e transitoriedade, e porque estão tão fora do alcance e do poder dos homens, e inteiramente à disposição de Deus. Propósito — não só as ações naturais, mas até as voluntárias dos homens são ordenadas e dispostas por Deus. Mas deve considerar-se que ele não fala aqui de um tempo permitido por Deus, em que todas as coisas seguintes possam licitamente fazer-se, mas apenas de um tempo fixado por Deus, em que elas de fato se fazem.
Nota do editor
'TUDO TEM O SEU TEMPO DETERMINADO, e há tempo para todo propósito debaixo do céu' (Ec 3.1) — o poema dos tempos (v. 1-8: catorze pares, nascer e morrer, plantar e arrancar, chorar e rir, calar e falar, guerra e paz — o espectro completo da existência) não é fatalismo, mas a segunda lição do livro: se o cap. 2 provou que não controlamos a SATISFAÇÃO, o cap. 3 prova que não controlamos o CALENDÁRIO — Wesley: um tempo 'que nenhum engenho ou previdência humana pode alterar'. E o centro teológico do capítulo é um dos versículos mais profundos da Escritura: 'TUDO FEZ FORMOSO NO SEU DEVIDO TEMPO; também pôs A ETERNIDADE NO CORAÇÃO DO HOMEM, sem que este possa descobrir as obras que Deus fez desde o princípio até ao fim' (v. 11). Três afirmações em cascata: Deus faz tudo FORMOSO NO SEU TEMPO (Wesley: aos juízos rasos dos homens muitos eventos parecem 'irregulares e impróprios', mas quem vir a obra inteira e o seu fim dirá que 'todas as coisas foram feitas sabiamente' — Rm 8.28; Gn 50.20: a moldura completa redime cada peça escura); pôs A ETERNIDADE no nosso coração — a explicação definitiva do vazio do cap. 2: fomos fabricados com um compartimento maior que o tempo, e por isso nada temporal o preenche (Sl 16.11; 2Co 4.18-5.5); e NÃO ALCANÇAMOS a obra toda — vivemos de fragmentos, e a fé é confiar no Tecelão sem ver o avesso completo da tapeçaria (Is 55.8-9; 1Co 13.12). E o v. 14 tira a conclusão prática: 'tudo quanto Deus faz durará ETERNAMENTE... e assim ele procede PARA QUE OS HOMENS O TEMAM' — a soberania não é para nos paralisar, mas para nos ancorar.
Temas: providencia