Notas de John Wesley sobre a Bíblia Comentários bíblicos em português atual

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Livro de Eclesiastes

Notas de John Wesley sobre Livro de Eclesiastes. 12 capítulos · 12 publicados (100%).

Introdução

Três coisas devem ser observadas a respeito deste livro. 1. O autor: que foi Salomão, como é manifesto tanto pelo consenso comum dos escritores judeus e cristãos como pelas palavras expressas do primeiro versículo. Que o escreveu na velhice é mais que provável por diversas passagens dele: fê-lo depois das suas construções (2.4), que ocuparam vinte anos da sua vida (1Rs 9.10); depois de as ter desfrutado consideravelmente, e de plantar jardins e pomares e colher os seus frutos (2.5-6); e depois de longa e muita reflexão e experiência de todos aqueles caminhos em que os homens esperam achar a felicidade (7.27ss). Assim, este livro foi escrito por ele como testemunho público do seu arrependimento e da sua detestação dos maus caminhos a que se entregara — no que seguiu o exemplo de seu pai Davi, que, depois da sua triste queda, compôs o Salmo 51. E a verdade desta opinião pode confirmar-se pela expressão de 2Cr 11.17: 'andaram no caminho de Davi e Salomão' — isto é, aquele em que ambos andaram, tanto antes das suas quedas como depois do seu arrependimento. 2. O método do livro. Havendo nele algumas passagens que parecem ímpias, deve considerar-se que ele é, em parte, dramático: Salomão diz a maior parte das coisas em seu próprio nome, mas algumas nos nomes de homens ímpios, como é inegavelmente manifesto tanto pelo alvo e desígnio do livro, expresso no seu começo e na sua conclusão, como pela sua séria e ampla argumentação contra esses princípios e caminhos ímpios. E este modo de escrever não é inusitado entre escritores sagrados e profanos. 3. O desígnio do livro: descrever a verdadeira felicidade do homem e o caminho que a ela conduz. Ele o faz tanto negativamente, provando que ela não se acha nem na sabedoria secular, nem nos prazeres sensuais, nem na grandeza e glória mundanas, nem na abundância de riquezas, nem numa vã profissão de religião; como positivamente, mostrando que só se pode obtê-la no temor de Deus e na obediência às suas leis, os únicos capazes de dar ao homem o gozo alegre dos seus confortos presentes e a certeza da sua felicidade eterna.

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