Quanto a esta praga, observemos: primeiro, que foram trevas totais — temos razão de pensar que não só as luzes do céu se anuviaram, mas que todos os fogos e candeias se apagaram pelos vapores úmidos e espessos que causavam a escuridão, pois se diz: não viam uns aos outros. Segundo, que eram trevas que se podiam apalpar — apalpáveis nas suas causas, pela ponta dos dedos, tão densos eram os nevoeiros; e sentidas nos seus efeitos (pensam alguns) nos próprios olhos, feridos de dor e mais inflamados por os esfregarem: grande dor se menciona como efeito daquelas trevas em Apocalipse 16.10, que a isto alude. Terceiro, sem dúvida foram espantosas e assombrosas. É tradição dos judeus que naquelas trevas foram aterrorizados por aparições de espíritos malignos, ou antes por sons e murmúrios medonhos que faziam; e é esta a praga que alguns pensam estar indicada no Salmo 78.49: derramou sobre eles o furor da sua ira, enviando-lhes anjos maus — pois àqueles a quem o diabo foi enganador ele será, por fim, terror. Quarto, duraram três dias — seis noites numa só: por tanto tempo estiveram presos naquelas cadeias de trevas. Ninguém se levantou do seu lugar — todos confinados às suas casas, e tomados de tal terror que poucos tinham ânimo de ir da cadeira à cama, ou da cama à cadeira. Assim ficaram silenciosos nas trevas (1Sm 2.9). Faraó teve então tempo de refletir — se o tivesse aproveitado.