Gênesis 12.1-3 §
Nota de John Wesley
Temos aqui o chamado pelo qual Abrão foi tirado da terra do seu nascimento para a terra da promessa — chamado destinado tanto a provar a sua fé e obediência quanto a separá-lo para Deus. As circunstâncias desse chamado podemos conhecê-las, em parte, pelo discurso de Estêvão (At 7.2), onde se nos diz: primeiro, que o Deus da glória lhe apareceu para lhe dar o chamado — apareceu em tais manifestações da sua glória que não deixaram a Abrão espaço para dúvida. Deus lhe falou depois de vários modos; mas desta primeira vez, quando a relação ia ser firmada, apareceu-lhe como o Deus da glória, e falou com ele. Segundo, que o chamado lhe foi dado na Mesopotâmia, antes de habitar em Harã; em obediência a ele saiu da terra dos caldeus e morou em Harã cerca de cinco anos, e dali, morto o pai, por nova ordem, Deus o levou à terra de Canaã. Sai da tua terra — por este preceito ele foi provado: primeiro, se amava a Deus mais do que ao solo natal e aos amigos mais queridos, e se podia de boa vontade deixar tudo para ir com Deus. A sua terra tornara-se idólatra; a sua parentela e a casa do seu pai eram-lhe tentação constante, e ele não podia permanecer com eles sem perigo de contágio; portanto: sai — vai-te com toda a pressa, foge pela tua vida, não olhes para trás. Segundo, se podia confiar em Deus para além do que via: devia deixar a sua terra e ir para uma terra que Deus lhe mostraria. Deus não diz 'uma terra que te darei', nem lhe diz que terra era, nem de que espécie; ele deve seguir a Deus com fé implícita, aceitando a palavra de Deus em geral, sem garantias particulares de que nada perderia por deixar a sua terra para segui-lo. Acrescenta-se aqui uma promessa animadora — antes, um feixe de promessas. Farei de ti uma grande nação — ao tirá-lo do seu povo, Deus prometeu fazê-lo cabeça de outro povo. Essa promessa foi um grande alívio para o peso de Abrão, pois ele não tinha filhos; e uma grande prova para a sua fé, pois a sua mulher era estéril havia muito — de modo que, para crer, teria de crer contra a esperança, e a sua fé teria de firmar-se unicamente naquele poder que pode, das pedras, suscitar filhos a Abraão. Eu te abençoarei — seja em particular com a bênção da fecundidade, como abençoara Adão e Noé, seja em geral: 'abençoar-te-ei com toda sorte de bênçãos, das fontes de cima e das de baixo; deixa a casa do teu pai, e eu te darei a bênção de um Pai, melhor que a dos teus progenitores'. Engrandecerei o teu nome — ao desertar da sua terra, ele perdia o seu nome ali. 'Não te importes', diz Deus; 'confia em mim, e farei o teu nome maior do que jamais poderias ter tido ali.' E tu serás uma bênção — a tua vida será bênção nos lugares em que peregrinares. Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei o que te amaldiçoar — isto fez do pacto uma espécie de liga ofensiva e defensiva entre Deus e Abrão: Abrão abraçou de coração a causa de Deus, e Deus aqui promete tomar a si a causa de Abrão. Em ti serão benditas todas as famílias da terra — a promessa que coroou todas as demais, pois aponta para o Messias, em quem todas as promessas são sim e amém.