Notas de John Wesley sobre a Bíblia Comentários bíblicos em português atual

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Gênesis 14

Referências: 14.1-1214.13-1614.18-2014.21-24

Introdução ao capítulo

Temos neste capítulo: uma guerra contra o rei de Sodoma e seus aliados (v. 1-12); o resgate de Ló do cativeiro por Abrão (v. 13-16); e o retorno de Abrão dessa expedição (v. 17), com o relato do que se passou entre ele e o rei de Salém (v. 18-20) e entre ele e o rei de Sodoma (v. 21-24) — cumprindo-se em parte a promessa de que Deus engrandeceria o seu nome.

Gênesis 14.1-12 §

Nota de John Wesley

Temos aqui o relato da primeira guerra de que lemos na Escritura. Observe, primeiro, as partes envolvidas. Os invasores eram quatro reis — dois deles nada menos que reis de Sinar e de Elão, isto é, da Caldeia e da Pérsia; provavelmente, porém, não os soberanos daqueles grandes reinos, mas chefes de colônias que de lá saíram e se estabeleceram perto de Sodoma, conservando os nomes dos países de origem. Os invadidos eram os reis de cinco cidades vizinhas na planície do Jordão: Sodoma, Gomorra, Admá, Zeboim e Zoar. Segundo, a ocasião da guerra: a revolta dos cinco reis contra o governo de Quedorlaomer. Doze anos o serviram (v. 4) — os sodomitas eram posteridade de Canaã, que Noé declarara servo de Sem, de quem descendia Elão: tão cedo começou a cumprir-se aquela profecia. No décimo terceiro ano, cansados da sujeição, rebelaram-se — negaram o tributo e tentaram sacudir o jugo. No décimo quarto ano (v. 5), após alguma pausa e preparação, Quedorlaomer, com os seus aliados, pôs-se a submeter os revoltosos. Terceiro, o andamento da guerra: os quatro reis devastaram as regiões vizinhas e se enriqueceram com os seus despojos (v. 5-7); ao alarme disso, o rei de Sodoma e seus aliados saíram e foram derrotados.

Gênesis 14.13-16 §

Nota de John Wesley

Temos aqui o relato da única ação militar em que jamais encontramos Abrão — e a ela não o moveu avareza nem ambição, mas puramente um princípio de caridade. Armou os seus servos treinados, nascidos na sua casa (v. 14) — em número de trezentos e dezoito: uma grande família, mas um pequeno exército; quase tantos quantos os de Gideão, que derrotaram os midianitas (Jz 7.7). Levou os seus servos treinados — ou os seus servos catequizados: instruídos não só na arte da guerra, mas nos princípios da religião; pois Abrão ordenava à sua casa que guardasse o caminho do SENHOR. Seu irmão Ló (v. 16) — isto é, seu parente.

Temas: familia

Gênesis 14.18-20 §

Nota de John Wesley

Os rabinos dizem que Melquisedeque era Sem, o filho de Noé, rei e sacerdote dos que dele descenderam, segundo o modelo patriarcal. Muitos escritores cristãos pensaram tratar-se de uma aparição do próprio Filho de Deus, nosso Senhor Jesus, conhecido de Abrão, naquele tempo, por esse nome. Mas, como nada é expressamente revelado a respeito, nada podemos determinar. Trouxe pão e vinho — para o refrigério de Abrão e dos seus soldados, e em congratulação pela vitória: isto ele fez como rei. E, como sacerdote do Deus Altíssimo, abençoou a Abrão — o que, podemos supor, foi para Abrão refrigério maior do que o pão e o vinho. Bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo (v. 19) — observe os títulos que ele dá a Deus, gloriosíssimos: o Deus Altíssimo, que fala das suas perfeições absolutas em si mesmo e do seu domínio soberano sobre todas as criaturas; e possuidor dos céus e da terra — isto é, dono legítimo e Senhor soberano de todas as criaturas, porque ele as fez. E bendito seja o Deus Altíssimo (v. 20) — note: em todas as nossas orações devemos louvar a Deus, juntando aleluias a todos os nossos hosanas; são estes os sacrifícios espirituais que devemos oferecer diariamente e nas ocasiões particulares. E é a Deus, o Deus Altíssimo, que se deve a glória de todas as nossas vitórias: nelas ele se mostra mais alto que os nossos inimigos, e mais alto que nós, pois sem ele nada poderíamos. E deu-lhe o dízimo de tudo — isto é, dos despojos (Hb 7.4). Pode-se ver nisso tanto uma gratificação a Melquisedeque, em retribuição às suas atenções, quanto uma oferta dedicada ao Deus Altíssimo e, por isso, posta nas mãos de Melquisedeque, seu sacerdote. Jesus Cristo, o nosso grande Melquisedeque, deve ser humildemente reconhecido por cada um de nós como nosso Rei e Sacerdote — e não apenas o dízimo de tudo, mas tudo o que temos deve ser-lhe entregue.

Nota do editor

A carta aos Hebreus (Hb 7) toma Melquisedeque — rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo, sem genealogia registrada — como figura de Cristo, rei e sacerdote para sempre. Wesley registra com honestidade as hipóteses do seu tempo e conclui com sobriedade exemplar: onde a Escritura silencia, nada determinamos.

Temas: cristoadoracao

Gênesis 14.21-24 §

Nota de John Wesley

Dá-me as almas, e toma tu os bens — assim lê o hebraico. Ele pede com franqueza as pessoas, mas cede de bom grado os bens a Abrão. A gratidão nos ensina a recompensar, até onde pudermos, os que passaram por canseiras ou despesas a nosso serviço. Levanto a minha mão ao SENHOR e juro que não tomarei coisa alguma (v. 22) — observe: primeiro, os títulos que ele dá a Deus — o Deus Altíssimo, possuidor dos céus e da terra —, os mesmos que Melquisedeque acabara de usar. É bom aprender dos outros a ordenar as nossas palavras a respeito de Deus, e imitar os que falam bem das coisas divinas. Segundo, a cerimônia do juramento: levanto a minha mão — no juramento religioso apelamos ao conhecimento que Deus tem da nossa verdade e sinceridade, e invocamos a sua ira se jurarmos falso; o levantar das mãos exprime ambas as coisas. Para que não digas: eu enriqueci a Abrão — provavelmente Abrão sabia que o rei de Sodoma era homem orgulhoso e zombeteiro, capaz de mais tarde lançar-lhe isso em rosto; e, quando tratamos com homens assim, convém agir com particular cautela. Nem um fio, nem uma correia de sandália (v. 23) — nada, nem a menor coisa que jamais tivesse pertencido ao rei de Sodoma.

Temas: santidade

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