O cetro não se arredará de Judá até que venha Siló — Jacó aqui prediz: 1. Que o cetro viria à tribo de Judá — o que se cumpriu em Davi, em cuja família a coroa ficou vinculada. 2. Que Siló seria desta tribo — aquele descendente em quem a terra seria abençoada, aquele pacífico e próspero, ou o Salvador, como outros traduzem, viria de Judá. 3. Que o cetro permaneceria naquela tribo até a vinda do Messias, em quem, como Rei da igreja e grande Sumo Sacerdote, convinha que terminassem tanto o sacerdócio como a realeza. Até o cativeiro, desde o tempo de Davi, o cetro esteve em Judá; e dali em diante houve governadores daquela tribo, ou dos levitas a ela unidos — o que era equivalente —, até que a Judeia se tornou província do império romano, exatamente ao tempo do nascimento do nosso Salvador, sendo então recenseada como uma das províncias (Lc 2.1); e, ao tempo da sua morte, os judeus confessaram expressamente: Não temos rei, senão César. Daí se infere, de modo irrespondível, que o nosso Senhor Jesus é aquele que havia de vir, e não devemos esperar outro — pois ele veio exatamente no tempo determinado. 4. Que seria tribo fértil, abundante sobretudo em leite e vinho (v. 11-12): vinhas tão comuns e tão fortes que a elas atariam os seus jumentos, e tão fecundas que deles os carregariam; vinho abundante como água — de sorte que os homens daquela tribo seriam saudáveis e vigorosos, os olhos brilhantes, os dentes brancos. Muito do que aqui se diz de Judá deve aplicar-se ao nosso Senhor Jesus. Primeiro: ele é o governante de todos os filhos de seu Pai e o vencedor de todos os inimigos de seu Pai; e é ele o louvor de todos os santos. Segundo: ele é o Leão da tribo de Judá — assim chamado com referência a esta profecia (Ap 5.5) —, que, havendo despojado principados e potestades, subiu vencedor e se assentou, de modo que ninguém o pode despertar, à direita do Pai. Terceiro: a ele pertence o cetro; ele é o legislador, e a ele se congregarão os povos — o Desejado de todas as nações (Ag 2.7), que, sendo levantado da terra, atrairia todos a si (Jo 12.32), e em quem os filhos de Deus dispersos se reuniriam como no centro da sua unidade (Jo 11.52). Quarto: nele há fartura de tudo o que nutre e refrigera a alma, e que mantém e alegra nela a vida divina; nele podemos ter vinho e leite — as riquezas da tribo de Judá — sem dinheiro e sem preço (Is 55.1).
Nota do editor
A profecia de Gênesis 49.10 é um dos textos messiânicos mais antigos da Escritura. 'Siló' tem sido entendido, desde a interpretação judaica antiga e a igreja primitiva, como referência ao Messias — 'aquele a quem pertence' o cetro (cf. Ez 21.27). Wesley segue a leitura cristológica clássica: a realeza de Judá aponta para Jesus, o Leão da tribo de Judá (Ap 5.5), a quem se congregarão os povos.