Josué 15.1-12 §
Nota de John Wesley
A sorte — para o entendimento geral disto, saiba-se: primeiro, que o lançar sortes se fazia com grande seriedade e solenidade, na presença de Deus, com oração e apelo a ele pela decisão da matéria; segundo, que, embora o levantamento exato desta terra não se fizesse antes de Js 18.4-5, havia — e devia haver — uma descrição geral dela e uma divisão em nove partes e meia que, até onde podiam calcular, eram iguais em quantidade ou qualidade; terceiro, que a sorte não determinava então cada tribo de modo tão imutável que a sua porção não pudesse crescer ou diminuir — como é manifesto, pois, fixada a sorte de Judá, a de Simeão foi tirada de dentro dela (Js 19.9) —, embora, depois de mais distintamente conhecida e medida a terra, os limites provavelmente se tornassem mais certos e fixos; quarto, que a sorte determinava só em geral que parte da terra cabia a cada tribo, deixando os particulares para Josué e Eleazar. Quanto ao modo, concebe-se provavelmente que havia dois vasos: num se punham os nomes de todas as tribos, cada um em papel distinto; no outro, os nomes de cada porção descrita; então Eleazar, ou outra pessoa, tirava primeiro de um vaso o nome de uma tribo, depois do outro o nome de uma porção, e aquela porção se apropriava àquela tribo. E é com respeito a esses vasos, no fundo dos quais jaziam os papéis, que se diz muitas vezes que as sortes subiam ou saíam. De Judá — cuja sorte saiu primeiro, por disposição de Deus, como nota da sua preeminência sobre os irmãos. De Edom — que ficava a sudeste da porção de Judá. Judá e José foram os dois filhos de Jacó sobre quem recaiu a primogenitura perdida por Rúben: a Judá coube o domínio; a José, a porção dobrada. Por isso estas duas tribos são assentadas primeiro, e delas dependeram as outras sete. A baía — em hebraico, a língua: ou uma enseada ou braço daquele mar, ou um promontório, que autores doutos às vezes chamam língua. Todo mar é salgado, mas este tinha salinidade extraordinária — efeito do fogo e enxofre que destruíram Sodoma e Gomorra, cujas ruínas jazem sepultadas no fundo desta água morta, que nunca se moveu por maré alguma nem teve em si coisa vivente. A extremidade do Jordão — isto é, o lugar onde o Jordão desagua no mar Salgado. A pedra de Boã — lugar assim chamado não por Boã ali morar (pois os rubenitas não tinham porção deste lado do Jordão), mas por alguma façanha notável que ali fez, embora não registrada na Escritura. Sobe — com propriedade: pois a linha ia do Jordão e do mar Salgado para os terrenos mais altos junto a Jerusalém; e por isso se diz que a linha desce em Js 18.16, porque ali toma o rumo contrário, descendo para o Jordão e o mar. Vale de Hinom — lugar muito aprazível, mas depois tornado infame. Do jebuseu — da cidade dos jebuseus, antigamente chamada Jebus. Jerusalém — daqui pode parecer que Jerusalém pertencia própria, ou ao menos principalmente, a Benjamim; e contudo atribui-se também a Judá: ou porque parte da cidade coube a Judá, ou porque os benjamitas desejaram a ajuda e a união desta poderosa tribo de Judá para ganhar e conservar lugar tão importante. E, tendo os benjamitas tentado em vão expulsar os jebuseus, esta obra foi por fim feita pela tribo de Judá, que assim teve nela interesse por direito de guerra — como Ziclague, que pertencia à tribo de Simeão, ganha dos filisteus por Davi, foi por ele unida à sua tribo de Judá (1Sm 27.6). Monte Seir — não o de Edom, mas outro assim chamado por alguma semelhança com ele.