Notas de John Wesley sobre a Bíblia Comentários bíblicos em português atual

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Levítico 27

Referências: 27.2-1327.14-3027.32-34

Introdução ao capítulo

Leis acerca das pessoas consagradas a Deus por voto (v. 1-8); dos animais (v. 9-13); das casas e terras (v. 14-25); exceção quanto aos primogênitos (v. 26-27); das coisas devotadas (v. 28-29); dos dízimos (v. 30-34).

Levítico 27.2-13 §

Nota de John Wesley

Um voto singular (v. 2) — voto eminente, ou difícil: não sobre coisas, o que era costumeiro, mas sobre pessoas devotadas ao SENHOR, o que era inusual. Não faltam exemplos de quem devotou a si mesmo ou aos filhos: ou mais estritamente, como os nazireus e os levitas (1Sm 1.11) — e para estes não se admitia resgate: deviam cumprir em pessoa o serviço a que foram devotados; ou mais largamente, como alguns que, não sendo levitas, por zelo de Deus, ou para obter de Deus a ajuda que precisavam ou desejavam, devotavam a si ou aos filhos ao serviço de Deus e do santuário, em alguma subserviência aos levitas. E, porque o número de pessoas assim dedicadas podia ser grande demais, tornando-se pesado ao santuário, permite-se a troca, e os sacerdotes são instruídos a receber uma taxa pelo seu resgate. Segundo a tua avaliação — tua, ó homem que fazes o voto (v. 8, onde a sua avaliação se opõe à do sacerdote); nem havia temor de parcialidade em causa própria, pois o preço está particularmente fixado. Até sessenta anos (v. 3) — o melhor tempo de força e serviço, e por isso avaliado no preço mais alto. Trinta siclos (v. 4) — menos que o preço do homem, porque a mulher lhe é inferior em força e préstimo. De cinco anos (v. 5) — idade em que podiam ser votados pelos pais (1Sm 1.11-28), embora não por si mesmos; e os filhos ficavam obrigados pelo voto dos pais — o que não é estranho, considerado o direito dos pais de dispor dos filhos no que não contraria a vontade de Deus. Do que a tua avaliação (v. 8) — se não puder pagar o preço que, segundo as regras aqui dadas, dele se exige. Animal dos que se oferecem (v. 9) — isto é, animal limpo. Será santo — consagrado a Deus: para ser sacrificado, ou dado ao sacerdote, segundo o modo do voto e a intenção de quem o fez. Não o mudará, nem o trocará (v. 10) — duas palavras que exprimem a mesma coisa com mais ênfase: de modo nenhum o trocará, nem por outro da mesma espécie, nem de outra — em parte porque Deus queria preservar a reverência das coisas consagradas, e por isso não as queria alienadas; em parte para prevenir os abusos de quem, sob este pretexto, trocaria pelo pior. Tanto ele como o trocado — a coisa primeiro votada e a oferecida em troca: pena justa da sua leviandade em matérias tão graves. Animal imundo (v. 11) — pela espécie ou pela qualidade: que não se podia oferecer.

Temas: consagracao

Levítico 27.14-30 §

Nota de John Wesley

Dedicar a sua casa (v. 14) — por voto; pois é desse modo de santificação que fala todo este capítulo. A quinta parte (v. 15) — o que ele tanto melhor podia fazer, porque os sacerdotes costumavam pôr preço moderado. Da sua possessão (v. 16) — do que é seu por herança, pois das terras compradas se dá direção particular no v. 22. E diz parte dela, porque era ilícito votar todas as suas possessões: com isso o homem se incapacitaria para diversos deveres e se tornaria pesado aos irmãos. Conforme a sua semeadura — segundo a quantidade e qualidade da terra, conhecida pela quantidade de semente que pode receber e render. Cinquenta siclos — pagos não anualmente até o jubileu, mas uma vez por todas, como é mais provável: porque não se menciona pagamento anual, mas um só; e porque é provável que as terras fossem avaliadas com moderação, para antes animar a tais votos do que afastar por imposições excessivas. Desde o ano do jubileu (v. 17) — logo depois de passado o ano do jubileu. Conforme a tua avaliação — a mencionada, de cinquenta siclos. Ficará firme — pagar-se-á aquele preço sem diminuição. Depois do jubileu (v. 18) — tempo considerável depois: o abatimento do preço cheio será maior ou menor conforme os anos forem mais ou menos. Se não resgatar o campo (v. 20) — quando o sacerdote lhe puser preço e lho oferecer em primeiro lugar para resgate; e se o campo for vendido a outro homem — perderá para sempre o benefício do resgate. Quando sair no jubileu (v. 21) — da posse do outro homem a quem o sacerdote o vendeu. A possessão será do sacerdote — para o seu sustento. Nem isto repugna à lei de que os sacerdotes não teriam herança na terra (Nm 18.20): aquilo se disse da tribo de Levi em geral, quanto à primeira divisão da terra; mas não impede que terras particulares fossem votadas e dadas aos sacerdotes, para seu proveito ou para o serviço do santuário. A tua avaliação (v. 23) — o preço que tu, ó Moisés, por minha direção, fixaste em tais casos. Até ao ano do jubileu — quanto vale pelo espaço entre o voto e o jubileu, pois por mais tempo não tinha direito a ele. Como coisa santa — como o que se consagra a Deus em lugar da terra por ele resgatada. O siclo (v. 25). Ninguém o dedicará (v. 26) — por voto; porque não é seu, mas já do SENHOR: votar tal coisa a Deus é tácita derrogação e usurpação do direito do SENHOR, e zombaria de Deus, fingindo dar-lhe o que não lhe podemos negar. Boi ou gado miúdo — sob estas duas espécies eminentes compreende todos os outros animais que se podiam sacrificar, cujos primogênitos não podiam ser resgatados, mas deviam ser sacrificados; os primogênitos dos homens, porém, deviam ser resgatados, e por isso podiam ser votados (1Sm 1.11). Animal imundo (v. 27) — o primogênito de animal imundo, que não podia ser votado, por ser primogênito, nem oferecido, por ser imundo; manda-se, pois, resgatá-lo ou vendê-lo, e o preço se dava aos sacerdotes ou entrava no tesouro do SENHOR. Nenhuma coisa devotada (v. 28) — nada do que é absolutamente devotado a Deus, com maldição sobre si ou sobre outros se não se dispusesse conforme o voto, como implica a palavra hebraica (herem). Coisa santíssima — só para ser tocada ou empregada pelos sacerdotes, e por ninguém mais. Devotado dentre os homens (v. 29) — é manifesto, deste e dos versículos anteriores, que os homens aqui não são os que devotam, mas os devotados à destruição: ou por sentença de Deus — como os idólatras (Êx 22.20), os cananeus (Dt 20.17), os amalequitas (Dt 25.19; 1Sm 15), Ben-Hadade (1Rs 20.42) —, ou pelos homens, em cumprimento de tal sentença de Deus (Nm 21.2-3), ou por crime de alta natureza. Mas isto não se deve entender em geral, como alguns tomaram — como se um judeu pudesse, por virtude deste texto, devotar o filho ou o servo ao SENHOR e obrigar-se com isso a matá-los. Está expressamente limitado a tudo o que o homem tem — isto é, sobre o que tem poder; e os judeus não tinham poder sobre a vida dos filhos ou servos, sendo diretamente proibidos de a tirar pelo grande mandamento: não matarás. Quanto aos cananeus, amalequitas etc., Deus — Senhor indiscutível da vida de todos os homens — deu aos israelitas poder sobre as suas pessoas e vidas, e ordem de os matar: e este versículo pode ter respeito especial a eles. Os dízimos (v. 30) — há diversos tipos de dízimos; mas este parece entender-se só dos ordinários e anuais, pertencentes aos levitas, como indica a própria expressão e implica o acréscimo da quinta parte no caso de resgate.

Temas: consagracao

Levítico 27.32-34 §

Nota de John Wesley

Debaixo do bordão (v. 32) — ou o bordão do dizimador: era costume dos judeus, ao dizimar, fazer passar todo o gado por alguma porteira ou passagem estreita, onde o décimo era marcado por pessoa designada e reservado ao sacerdote; ou o bordão do pastor, sob o qual rebanhos e manadas passavam, e pelo qual eram governados e contados (Jr 33.13; Ez 20.37). Estes são os mandamentos que o SENHOR ordenou a Moisés, para os filhos de Israel, no monte Sinai (v. 34) — isto se refere ao livro inteiro. Muitos destes mandamentos são morais; outros, cerimoniais e peculiares à economia judaica — mas ainda assim instrutivos para nós, que temos a chave dos mistérios neles contidos. Ao cabo de tudo, temos razão de bendizer a Deus por não termos chegado ao monte Sinai; por não estarmos sob as sombras escuras da lei, mas gozarmos a clara luz do evangelho. A doutrina da nossa reconciliação com Deus por um Mediador não está anuviada pela fumaça de sacrifícios queimados, mas esclarecida pelo conhecimento de Cristo, e Cristo crucificado. E podemos louvá-lo porque não estamos sob o jugo da lei, mas sob as instruções doces e suaves do evangelho — que declara verdadeiros adoradores os que adoram o Pai em espírito e em verdade, somente por Cristo, que é o nosso sacerdote, templo, altar, sacrifício, purificação e tudo.

Temas: cristograca

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