Pois — em Cristo restauraste misericordiosamente o homem ao seu estado primitivo, no qual estava só um degrau abaixo dos anjos, e do qual caíra pelo pecado. Coroaste — o homem, o homem caído e perdido: que é efetivamente restaurado à glória e ao domínio em Cristo, sua cabeça e representante, o qual recebeu esta coroa e domínio para o bem do homem e em seu lugar, e a seu tempo os comunicará aos seus membros. E assim se podem conciliar as duas exposições deste lugar — a que o refere à humanidade e a que o refere a Cristo: pois ele fala daquele honroso estado conferido primeiro a Cristo, e depois, pelas suas mãos, à humanidade. Mas as palavras, vertidas mais literalmente, são: fizeste-o um pouco menor que Deus. Donde alguns inferem que o homem, no seu estado original, era a mais alta de todas as criaturas.
Nota do editor
O Salmo 8 é o espanto de Davi sob o céu estrelado — e Hebreus 2 é a sua chave. O salmista celebra o desenho original: o homem coroado 'de glória e de honra', tudo debaixo dos seus pés (v. 5-6; Gn 1.26-28). O autor de Hebreus constata a fratura: 'AGORA, porém, ainda não vemos todas as coisas a ele sujeitas' — o rei da criação vive fugindo de vírus, enterrando filhos, dominado pelo que devia dominar. E então a solução: 'VEMOS, todavia, JESUS... coroado de glória e de honra' (Hb 2.8-9) — o Filho do homem que recuperou, como nosso representante, a coroa que Adão deixou cair, e a devolverá aos seus irmãos (Rm 8.29; 2Tm 2.12; Ap 3.21). Wesley resume: Cristo recebeu o domínio 'para o bem do homem e em seu lugar, e a seu tempo o comunicará aos seus membros'. Por isso o salmo se abre e fecha com o mesmo verso — 'quão majestoso é o teu nome em toda a terra!' —: a glória do homem restaurado é moldura; o quadro é a glória de Deus (1Co 15.24-28).