Um caminho simples pelas verdades essenciais da fé cristã, em 23 perguntas e respostas — para quem começa a caminhada com Cristo ou deseja firmar os fundamentos.
O que eu creio, afinal? Se alguém me perguntasse o que é ser cristão, o que eu responderia? Guarde essas perguntas enquanto lê. E experimente: passe o mouse ou toque numa referência bíblica — como Jo 3.16 — para ver a parte principal do versículo.
Quem é o Deus que nos chama, e como ele se revela em Jesus e no Espírito.
Cristão é quem crê que o Deus vivo se revelou em Jesus Cristo, recebe Jesus como Senhor e Salvador, passa a viver em comunhão obediente com Deus pelo poder do Espírito Santo e assume o seu lugar na comunidade da Igreja. Foi em Antioquia que os discípulos, pela primeira vez, foram chamados cristãos (At 11.26) — o nome nasceu de uma vida transformada, não de um rótulo.
“Cristo” traduz a palavra grega para “ungido”, equivalente ao hebraico “Messias”. Jesus é o Cristo porque nele “aprouve a Deus que residisse toda a plenitude” e, por meio dele, Deus “reconciliou consigo mesmo todas as coisas” (Cl 1.19-20). O povo de Deus esperava um Messias que trouxesse um reino de justiça, amor e paz — e Jesus é esse Messias.
O Espírito Santo procede de Deus e é, com o Pai e o Filho, o próprio Deus. Ele convence o mundo do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16.8), conduz as pessoas à resposta sincera ao evangelho e à comunhão da Igreja, e consola, sustenta e dá poder aos que creem, guiando-os a toda a verdade (Jo 16.13).
O convite de Jesus e o reino que ele veio anunciar.
Deus convida todas as pessoas a se arrependerem, a confiarem em Jesus e o seguirem, a aprenderem das suas palavras e obras e a participarem da sua missão — pelo poder do Espírito e na companhia de outros cristãos. “Venham após mim”, diz Jesus, “e eu farei que vocês se tornem pescadores de gente” (Mc 1.17).
Proclamar as boas novas do Reino de Deus e chamar as pessoas a “ver” o reino, arrepender-se, “entrar” nele e viver com obediência sob o seu senhorio. “O tempo está cumprido, e o Reino de Deus está próximo; arrependam-se e creiam no evangelho” (Mc 1.15).
O Reino de Deus é Deus reinando, ativa e soberanamente, sobre toda a criação. É uma nova ordem em que os antagonismos entre povos, nações, gêneros, raças e gerações são superados, e prevalecem justiça, amor, liberdade e paz. Só quem se arrepende e recebe Jesus como Salvador e Senhor pode plenamente “ver” e “entrar” nesse reino (Jo 3.3). No fim, todos reconhecerão o reinado de Deus, quando Cristo voltar para julgar a humanidade (Mt 25.31-32).
O que a Bíblia entende por pecado e o que ele produz em nós.
Pecado é a condição de afastamento de Deus que atinge toda a humanidade e se traduz em rebelião contra Deus e contra o seu reino — uma rebelião que escraviza. Os pecados são atos, palavras e pensamentos que brotam dessa condição e negam a presença e o propósito do Reino de Deus. “Todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Rm 3.23).
O pecado corrompe a nossa relação com Deus, com o próximo, conosco mesmos e com toda a criação. Seu efeito central é a escravidão: mais que um ato isolado ou um mau hábito, é uma condição interior e profunda que contamina cada aspecto da vida e também as estruturas da sociedade. “O salário do pecado é a morte” (Rm 6.23) — mas essa não é a última palavra de Deus.
A resposta de Deus ao pecado: boa nova, graça e salvação.
A boa nova é que Deus agiu de forma única e decisiva em Jesus Cristo para tratar da nossa condição pecaminosa. Ele agiu para nos salvar, oferecendo amor, graça, perdão, aceitação e vida nova. “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê… tenha a vida eterna” (Jo 3.16).
Graça é o favor imerecido e o amor supremo de Deus por nós. Vem inteiramente de Deus e é dada de graça a quem não a merece. “Cristo morreu por nós, quando ainda éramos pecadores” (Rm 5.8). É por essa graça, e não por mérito nosso, que somos salvos (Ef 2.8-9).
Salvação é o perdão dos pecados, a libertação da escravidão e o dom da vida nova em Cristo. É um processo que começa agora, dá vitória sobre o pecado e a morte e se completa em Deus. “Se alguém está em Cristo, é nova criatura” (2Co 5.17).
Como a salvação se torna experiência viva e nos transforma por dentro.
Conversão é a mudança que Deus opera em nós quando respondemos à sua graça com arrependimento e fé. Arrependimento e fé são a resposta que Jesus e a sua mensagem do reino pedem; por meio deles, a iniciativa salvadora de Deus se torna experiência viva. Foi assim que Paulo passou “das trevas para a luz” (At 26.18).
Arrependimento é voltar-se do pecado em direção a Deus — uma mudança radical de rumo para obedecer à sua vontade. É resposta à graça e à iniciativa amorosa de Deus, não uma autopunição. Como o filho pródigo, dizemos: “Levantar-me-ei, irei ter com meu pai” (Lc 15.18).
Fé cristã é uma resposta pessoal a Deus, centrada nele, que envolve confiança e obediência. É confiar que, somente por meio de Jesus, Deus nos dá a vida eterna. “Creia no Senhor Jesus e será salvo” (At 16.31). Essa fé é viva e se mostra em obras — “a fé, se não tiver obras, por si só está morta” (Tg 2.17).
Jesus veio revelar Deus e oferecer a sua graça. Para isso, compartilhou a nossa vida e a nossa morte: sendo justo, agiu em favor dos injustos, tomou sobre si o nosso castigo e morreu na cruz. Mas Deus o ressuscitou, derrotando o pecado e a morte e abrindo o Reino a todos que se arrependem e creem. “Ele foi traspassado pelas nossas transgressões… e pelas suas pisaduras fomos sarados” (Is 53.5).
“Novo nascimento”, “regeneração” e “conversão” descrevem a obra pela qual Deus nos traz — de modo instantâneo e também gradual — do estado de pecado para a vida nova em Cristo, na qual crescemos pela ação do Espírito em nós. “É necessário que vocês nasçam de novo” (Jo 3.7): nascer de novo é ver e entrar no Reino de Deus.
Somos reconciliados — isto é, justificados — quando, pela graça de Deus, aceitamos em Cristo o perdão dos nossos pecados e nos tornamos filhos e filhas de Deus. Ele nos restaura a um novo relacionamento por causa do que Jesus fez em sua morte e ressurreição, e por meio da nossa fé. “Justificados pela fé, temos paz com Deus” (Rm 5.1); em Cristo, “já nenhuma condenação há” (Rm 8.1).
Tornamo-nos o povo santo de Deus — somos santificados — pela obra do Espírito Santo em nós. Ele nos renova por dentro e, pelo amor paciente de Deus, nos transforma à semelhança de Cristo, dando-nos poder para fazer a sua vontade e crescer em maturidade, pessoal e comunitariamente. “Transformem-se pela renovação da sua mente” (Rm 12.2); vocês são “nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus” (1Pe 2.9).
A certeza da fé, os seus frutos e a comunidade que Deus forma.
A certeza da salvação nos vem pelo testemunho íntimo do Espírito Santo, pela evidência das nossas palavras e ações e pelo encorajamento dos irmãos na comunhão da igreja. “O próprio Espírito testemunha com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rm 8.16). Essa certeza repousa na fidelidade de Deus: “se somos infiéis, ele permanece fiel” (2Tm 2.13).
Elas dão o fruto do Espírito: “amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio” (Gl 5.22-23). Onde Deus justifica, essa é a colheita que, aos poucos, aparece na vida.
A Igreja de Jesus Cristo é a comunidade mundial dos que foram chamados por Deus e vivem sob o senhorio de Cristo. É uma comunidade redimida e que redime, onde o evangelho é proclamado e os sacramentos são celebrados, e onde, guiados pelo Espírito, buscamos adoração, crescimento na fé e testemunho ao mundo. “Sobre esta pedra edificarei a minha igreja” (Mt 16.18); cada igreja local é um posto avançado dessa comunidade mundial. Jesus orou “para que todos sejam um… a fim de que o mundo creia” (Jo 17.21).
É uma comunidade de pessoas que aceitaram Jesus como Senhor, onde o evangelho é pregado e os sacramentos são celebrados. Sob a direção do Espírito e à luz das Escrituras, a igreja local ajuda as pessoas a conhecer Jesus e a viver cada dia na sua presença, e assume a responsabilidade de evangelizar, cuidar, servir e testemunhar — na vizinhança e no mundo. A Igreja Metodista Livre nasceu em 1860 como um movimento de Deus para alcançar e transformar o mundo, fazendo discípulos e multiplicando líderes: não pregamos só a salvação das almas, mas também a transformação das pessoas e da sociedade. “Vão e façam discípulos de todas as nações” (Mt 28.19-20).
Ser esse movimento significa ser uma igreja focada na cruz, na ressurreição e no Reino; de doutrina saudável, que une fé e prática; de paixão santa, entregue aos propósitos de Deus; que se multiplica cruzando barreiras religiosas, étnicas e nacionais; e que reflete Jesus.
A sua mensagem se resume em quatro afirmações: todos precisam ser salvos, todos podem ser salvos, todos podem saber que são salvos e todos podem ser salvos plenamente. Note bem: “todos podem” — a salvação é oferecida a todos e recebida pela fé, nunca automática (1Tm 2.4). Além disso, o movimento valoriza: unir conhecimento e piedade (“uma mente sagaz e um coração de anjo”); a liderança compartilhada de leigos e clérigos; o compromisso pessoal aliado à responsabilidade social — pois a conversão não prepara a alma só para o céu, mas produz uma vida de justiça, amor e misericórdia aqui; o canto e o ensino da verdade; a pregação, o testemunho e os sacramentos (a Ceia do Senhor e o Batismo); a gratidão que se traduz em serviço; os pequenos grupos para cuidado e crescimento; o equilíbrio entre ardor e ordem; e a conexão entre as igrejas locais, os concílios regionais, a Igreja Nacional e a comunidade mundial.
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Estes são os primeiros passos. A fé cristã não é só um conjunto de respostas certas, mas uma vida em comunhão com Deus — que começa quando dizemos sim à sua graça e cresce dia a dia. Se alguma pergunta ainda pesa no seu coração, converse com um pastor ou com um irmão na fé. Você não caminha sozinho.
Bispo Ildo Mello · Igreja Metodista Livre do Brasil · Citações bíblicas na NAA