Devo obedecer a qualquer governo?
A submissão às autoridades é absoluta — ou tem limites?
“A ninguém fiquem devendo coisa alguma, exceto o amor com que se amem uns aos outros; pois quem ama o próximo tem cumprido a lei.”Romanos 13.8 · NAA
Para começar
Depois de tratar da vida na igreja (cap. 12), Paulo olha para fora: o cristão no mundo, diante do Estado, do próximo e do tempo.
A submissão às autoridades é absoluta — ou tem limites?
Há algo que ficaremos devendo ao próximo para sempre. O quê?
Que diferença a esperança do amanhã faz na conduta de agora?
Tese da aula: o cristão transformado vive bem em três frentes. Diante do Estado, submissão de consciência a uma autoridade que também está debaixo de Deus (13.1-7). Diante do próximo, a dívida impagável do amor, que cumpre a lei (13.8-10). Diante do tempo, o despertar de quem sabe que o dia se aproxima e se reveste de Cristo (13.11-14).
Rm 13.1-5
“Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as que existem foram por ele instituídas.” (Rm 13.1)
Ordem contra o caos
Deus instituiu o governo para conter o mal e promover o bem comum. A autoridade é “ministro de Deus para teu bem” e “vingador, para castigar o que pratica o mal” (Rm 13.4). Onde não há ordem, o forte devora o fraco.
Rm 13.3-4
Por dever de consciência
A sujeição não é só por medo do castigo, “mas também por dever de consciência” (Rm 13.5). Em regra, o cristão é o melhor cidadão: cumpre as leis justas, contribui e honra os que governam.
Rm 13.5 · 1Pe 2.13-17
O equilíbrio necessário
A mesma frase que fundamenta a submissão fixa o seu limite: a autoridade é “ministro de Deus” (Rm 13.4). Ou seja, o poder humano é delegado e responde a Deus — nunca ocupa o lugar dele. Por isso a obediência cristã não é cega.
Nem rebeldia que despreza toda ordem, nem servilismo que endeusa o governante. É submissão de consciência a uma autoridade que também tem dono. Não por acaso a nossa igreja é “Livre” também do autoritarismo: nenhuma autoridade — civil ou eclesiástica — ocupa o trono que é só de Deus.
Rm 13.6-7
“Paguem a todos o que lhes é devido: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem respeito, respeito; a quem honra, honra.” (Rm 13.7)
Paulo desce ao concreto: pagar impostos, prestar respeito, dar honra. O cristão não sonega nem despreza; cumpre os seus deveres cívicos como parte do seu testemunho. A fé não isenta ninguém das obrigações comuns da vida em sociedade — antes, as dignifica.
Rm 13.8-10
Há uma dívida que Paulo manda deixar sempre em aberto: “a ninguém fiquem devendo coisa alguma, exceto o amor” (Rm 13.8). É a única conta que nunca se fecha, porque amar não é uma tarefa que se conclui, e sim uma entrega que se renova.
O amor cumpre a lei
“Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não cobiçarás… tudo se resume nesta palavra: Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Rm 13.9). O amor não é atalho que dispensa a lei; é o motor que realiza tudo o que ela pedia.
Rm 13.8-9
O critério prático
“O amor não pratica o mal contra o próximo; de sorte que o amor é o pleno cumprimento da lei” (Rm 13.10). Quem ama de verdade já não quer o mal do outro — e por isso faz, de coração, o que a lei apenas ordenava.
Rm 13.10 · Rm 5.5
Rm 13.11-14
“Vai alta a noite, e vem chegando o dia. Deixemos, pois, as obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz.” (Rm 13.12)
Paulo apela ao relógio da história: “a nossa salvação está agora mais perto do que quando aceitamos a fé” (Rm 13.11). É hora de despertar do sono. E a ordem final vai ao centro da vida: “revesti-vos do Senhor Jesus Cristo” (Rm 13.14) — vestir Cristo como se veste uma roupa, deixando que ele cubra, defina e dirija a vida, sem dar espaço aos desejos da carne.
Da exegese à vida
Pague o que deve, honre quem governa, ore pelas autoridades (Rm 13.7; 1Tm 2.1-2). O bom testemunho começa na vida cívica.
Submissão não é cheque em branco. Onde o poder contraria a Deus, obedeça a Deus, sem violência e sem medo (At 5.29).
Troque a pergunta “o que sou obrigado a fazer?” por “o que o amor ao próximo me leva a fazer?” (Rm 13.8-10).
Ao começar o dia, “revista-se do Senhor Jesus” conscientemente (Rm 13.14) e não faça planos para alimentar a carne.
A pergunta de Romanos 13 é de guarda-roupa espiritual: de que eu me vesti ao acordar hoje — da carne ou de Cristo?
Fixação
Toque no cartão para ver a definição. Bom para revisar antes da avaliação.
Avaliação
Cinco questões de múltipla escolha, com nota ao final, e duas perguntas para reflexão com resposta sugerida. Cada alternativa traz um comentário assim que você escolhe — errar aqui também ensina.
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Para pensar e conversar
Tarefas
Ler Romanos 13 e escrever um parágrafo sobre como ser, ao mesmo tempo, um bom cidadão (13.1-7) e alguém que obedece a Deus acima de tudo (At 5.29); depois, listar três pessoas a quem você “deve amor” e um gesto concreto para cada uma nesta semana (Rm 13.8).
Aula seguinte
Fortes e fracos: a lei do amor na liberdade — como conviver com quem pensa diferente em questões não essenciais, sem julgar nem escandalizar (Rm 14). Ir para a Aula 14 →
Citações bíblicas: Nova Almeida Atualizada (NAA), salvo indicação em contrário. · Bispo Ildo Mello