Curso do Espírito SantoAula 2

A personalidade do Espírito Santo

“Quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele os guiará a toda a verdade.”João 16.13 · NAA

Bispo Ildo MelloLeitura prévia: Jo 14.15-26; 16.7-15; Rm 8.14-27

Para começar

As perguntas que nos guiam

Vimos que o Espírito é Deus. Mas que tipo de Deus? Uma energia divina — ou Alguém com quem me relaciono?

1

“Algo” ou “Alguém”?

Falamos do Espírito como “isso” ou como “Ele”? A gramática já revela uma teologia.

2

Dá para entristecer uma força?

Ninguém magoa a eletricidade. Por que a Bíblia manda não entristecer o Espírito?

3

Que diferença isso faz?

Tratar o Espírito como Pessoa muda a forma como o buscamos e o servimos?

Tese da aula: o Espírito Santo é uma Pessoa, não uma força impessoal. A Escritura usa para ele pronomes pessoais, atribui-lhe propriedades e atos que só uma pessoa realiza (ensinar, guiar, interceder, decidir) e o trata como Alguém que pode ser entristecido, resistido e a quem se pode mentir. Ele tem inteligência, vontade e sentimento — e por isso a vida no Espírito é comunhão, não manipulação.

Jo 16.13-14 · At 15.28

“Ele”, não “isso”

“Quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele os guiará a toda a verdade… ele me glorificará.” (Jo 16.13-14)

Jesus poderia ter dito “aquilo” ou “essa força”. Em vez disso, refere-se ao Espírito com o pronome pessoal ele. E a igreja primitiva fez o mesmo ao decidir uma questão delicada: “pareceu bem ao Espírito Santo e a nós” (At 15.28) — o Espírito é tratado como um parceiro real na conversa, ao lado dos apóstolos, não como uma influência no ar.

As propriedades pessoais

O que só uma pessoa tem

O Espírito exerce funções que exigem consciência, relação e vontade.

1

Ensina e faz lembrar (“esse os ensinará todas as coisas”, Jo 14.26).

2

Guia os filhos de Deus (“os que são guiados pelo Espírito”, Rm 8.14).

3

Chama e envia para a missão (“disse o Espírito Santo: separem-me a Barnabé e a Saulo”, At 13.2).

4

Dirige os passos, abrindo e fechando portas (“impedidos pelo Espírito Santo… o Espírito de Jesus não permitiu”, At 16.6-7).

Age como Pessoa

Convence, intercede, comissiona

Comissiona e reparte dons

“O Espírito Santo constituiu vocês bispos, para pastorearem a igreja de Deus” (At 20.28), e distribui os dons “a cada um, como lhe apraz” (1Co 12.11). Ele escolhe, decide, reparte — sinais claros de vontade própria.

At 20.28 · 1Co 12.11

Pode ser tratado como Pessoa

Resistido, entristecido, magoado

“E não entristeçam o Espírito Santo de Deus, no qual vocês foram selados para o dia da redenção.” (Ef 4.30)

Ninguém magoa uma força; ninguém resiste a uma influência do modo como se resiste a uma pessoa. Mas a Escritura diz que o Espírito pode ser entristecido (Ef 4.30; Is 63.10), resistido (“vocês sempre resistem ao Espírito Santo”, At 7.51), apagado (“não apaguem o Espírito”, 1Ts 5.19) e a quem se pode mentir (At 5.3). Só se pode mentir, entristecer ou resistir a Alguém. Cada uma dessas expressões pressupõe uma Pessoa que sente, que se relaciona e que reage.

Inteligência, vontade e sentimento

Uma Pessoa completa

Inteligência

“O Espírito sonda todas as coisas… ninguém conhece os pensamentos de Deus senão o Espírito” (1Co 2.10-11). Ele conhece e compreende.

Vontade

Distribui os dons “como lhe apraz” (1Co 12.11) e separou Paulo e Barnabé para a obra (At 13.2). Ele decide.

Sentimento

Pode ser entristecido (Ef 4.30) e testemunha com o nosso espírito, em amor, que somos filhos de Deus (Rm 8.16). Ele sente e se relaciona.

Mente que conhece, vontade que escolhe, afeto que se alegra e se entristece: são as marcas de uma pessoa. O Espírito não é um “o quê”, é um “Quem”.

O erro de reduzi-lo

Quando o Espírito vira “isso”

Ao longo da história, houve tentativas de despersonalizar o Espírito, reduzindo-o a uma ideia ou a uma energia: uma “etapa” da história, uma “categoria do ser”, uma “energia criativa”, uma “força” a serviço de projetos humanos. O erro é sempre o mesmo — trocar o “Quem” pelo “quê”. Mas, como notaram os antigos, crer “em” se dirige a uma pessoa; crer “sobre”, a coisas. A Igreja não crê apenas sobre o Espírito; ela crê no Espírito Santo, o Senhor que dá a vida — e por isso o adora, ao lado do Pai e do Filho.

Da doutrina à vida

Aplicações pastorais

1

Fale “Ele”, não “isso”

A linguagem molda a devoção. Refira-se ao Espírito como Pessoa, e a sua oração deixará de ser pedido de “substância” para virar comunhão (Jo 16.13).

2

Não o entristeça

Pecado, amargura e desobediência magoam Alguém que ama você (Ef 4.30). Cultive a sensibilidade de quem não quer ferir um amigo santo.

3

Ouça e obedeça

Ele guia, adverte e comissiona (Rm 8.14; At 13.2). Aprenda a reconhecer os seus impulsos pela Palavra e a obedecer sem endurecer o coração.

4

Busque comunhão, não experiência

Não peça “mais” de uma força; entregue mais de si a uma Pessoa (2Co 13.13). A meta é comunhão com o Espírito, não sensações.

A pergunta desta aula é relacional: eu tenho buscado uma experiência com uma força — ou comunhão com uma Pessoa?

Fixação

Cartões de memorização

Toque no cartão para ver a definição. Bom para revisar antes da avaliação.

Avaliação

Teste o que você aprendeu

Cinco questões de múltipla escolha, com nota ao final, e duas perguntas para reflexão com resposta sugerida. Cada alternativa traz um comentário assim que você escolhe — errar aqui também ensina.

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Para pensar e conversar

Perguntas para reflexão

Muitos oram pedindo “mais do Espírito”, como quem pede mais de uma substância. Se o Espírito é uma Pessoa, e não uma quantidade, o que muda na forma como o buscamos?Ver resposta sugerida
Muda quase tudo. Não se pede “mais” de uma pessoa como se pede mais água ou mais energia; a uma pessoa a gente se entrega, se rende, se abre para o relacionamento. O Espírito não é uma substância que enche um recipiente pela metade; é Alguém que quer possuir a nossa vida por inteiro. Por isso, a pergunta certa não é “como consigo mais do Espírito?”, mas “quanto de mim eu já entreguei ao Espírito?”. Quem trata o Espírito como Pessoa deixa de buscar experiências e passa a buscar comunhão — ouvir a sua voz, obedecer aos seus impulsos, não entristecê-lo. A plenitude do Espírito, que veremos adiante no curso, não é receber uma dose maior de uma força, e sim ceder mais território a um Senhor que já habita em nós.
Alguém diz: “o Espírito Santo é só o poder ou a influência de Deus agindo — como a eletricidade que ilumina uma casa”. Como você mostraria, pela Bíblia, que ele é uma Pessoa?Ver resposta sugerida
Eu pediria para observar o que o Espírito faz e como é tratado. Ninguém entristece a eletricidade, mas a Escritura diz “não entristeçam o Espírito Santo de Deus” (Ef 4.30). Ninguém mente a uma força, mas Ananias “mentiu ao Espírito” (At 5.3). Ninguém resiste a uma influência do jeito que Estêvão denuncia: “vocês sempre resistem ao Espírito Santo” (At 7.51). Além disso, o Espírito faz o que só uma pessoa faz: ele ensina (Jo 14.26), guia (Rm 8.14), convence (Jo 16.8), intercede (Rm 8.26), fala e comissiona (“disse o Espírito Santo: separem-me a Barnabé e a Saulo”, At 13.2) e distribui os dons “como lhe apraz” (1Co 12.11) — ou seja, tem inteligência, vontade e sentimento. E Jesus se refere a ele com o pronome pessoal “ele”, e não “isso” (Jo 16.13). Uma força não entristece, não decide, não intercede. Uma Pessoa, sim. O Espírito é Alguém.

Para casa e próxima aula

Tarefas

Ler João 14.15-26 e 16.7-15 e sublinhar cada ação pessoal do Espírito (ensinar, guiar, convencer, glorificar…); depois, ao longo da semana, anotar quando você tratou o Espírito como “força” e quando o tratou como “Pessoa”, e escrever uma breve oração buscando comunhão com Ele, não apenas uma experiência.

Aula seguinte

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Citações bíblicas: Nova Almeida Atualizada (NAA), salvo indicação em contrário. · Bispo Ildo Mello