Profecia é para hoje?
E, se é, para que serve — e para que não serve?
“Não desprezem as profecias; mas ponham tudo à prova, retendo o que é bom.”1 Tessalonicenses 5.20-21 · NAA
Para começar
Encerramos o curso com dois dons que exigem cuidado especial: a profecia e o discernimento de espíritos — dons preciosos, mas que pedem responsabilidade.
E, se é, para que serve — e para que não serve?
Que critérios a Bíblia dá para provar profecias e espíritos?
Existe um caminho maduro entre engolir tudo e desprezar tudo?
Tese da aula: a profecia é dom válido, mas requer discernimento e responsabilidade. Seu propósito é edificar, exortar e consolar (1Co 14.3); toda profecia se submete à Palavra, à liderança, ao caráter e à edificação. Wesley alerta contra o “entusiasmo”; e o dom de discernimento de espíritos (1Co 12.10) nos ajuda a “provar os espíritos” (1Jo 4.1) pelos frutos, pela doutrina e pela fidelidade à Palavra. Nem crédulos, nem cínicos: crentes e criteriosos.
1Co 14.3
“Mas o que profetiza fala aos homens para edificação, exortação e consolação.” (1Co 14.3)
A finalidade da profecia é clara e limitada: edificar, exortar e consolar — construir, animar e confortar o povo de Deus. Toda profecia verdadeira glorifica a Deus, testemunha de Jesus Cristo e fortalece a fé da igreja; ela promove unidade e não divisão, edificação e não destruição. Por isso as mensagens proféticas devem ser dadas “com amor, alegria e paz”, em conformidade com o fruto do Espírito. E a liderança deve ensinar a igreja a valorizar o dom sem dar importância indevida a quem profetiza, como se fosse guru ou pitonisa.
Wesley
No sermão “A Natureza do Entusiasmo”, Wesley reconhece a influência real do Espírito na vida do crente — mas adverte que muitos confundem essa influência com as próprias ideias e impulsos, e daí nascem excessos e fanatismo. O “entusiasta” toma cada sonho, visão ou impressão como voz direta de Deus, e se desgoverna.
A orientação da IMeL
Para usar o dom com responsabilidade, a nossa igreja ensina que toda profecia deve submeter-se a quatro instâncias.
À Palavra de Deus. A Bíblia é a autoridade suprema. “Se não falam segundo a lei e o testemunho, é porque não há luz neles” (Is 8.20; 2Tm 3.16). Qualquer profecia que contradiga a Palavra não é do Espírito.
À liderança espiritual. A liderança discerne e confirma a autenticidade, e zela pela ordem e decência do culto (1Co 14.29-40; Hb 13.17).
Ao caráter cristão. Quem profetiza deve refletir o caráter de Deus: integridade e santidade de vida são essenciais (Ef 4.22-24; 1Pe 1.15-16).
À edificação. Toda profecia verdadeira edifica, exorta e consola, promovendo o crescimento e a unidade da igreja (1Co 14.3,12).
1Co 12.10 · 1Jo 4.1
“Amados, não deem crédito a qualquer espírito; antes, provem os espíritos, se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo.” (1Jo 4.1)
O discernimento de espíritos (1Co 12.10) é a capacidade, dada pelo Espírito, de distinguir o verdadeiro Espírito de Deus dos espíritos enganadores. É um dom vital para proteger a igreja de ensinos falsos e influências perigosas. A Escritura não nos manda aceitar tudo o que soa espiritual; manda provar. Não é falta de fé; é a fé madura que “examina tudo e retém o que é bom” (1Ts 5.21). Os bereanos foram elogiados por isso (At 17.11), e a igreja de Éfeso, por desmascarar falsos apóstolos (Ap 2.2).
Os critérios
“Pelos seus frutos os conhecereis” (Mt 7.16). O fruto do Espírito — amor, humildade, mansidão (Gl 5.22-23) — deve marcar a vida do verdadeiro profeta.
Todo espírito que confessa Jesus Cristo vindo em carne é de Deus (1Jo 4.2-3). Ensino que contradiz o evangelho é falso, ainda que sedutor (Gl 1.8).
Líderes verdadeiros servem com humildade; falsos profetas revelam orgulho e falta de transparência, sobretudo com dinheiro (1Tm 3.1-13).
Palavras proclamadas em nome do Senhor que não se cumprem denunciam o falso profeta (Dt 18.20-22). A verdade se confirma; o engano se expõe.
Repare que o critério nunca é a impressão pessoal nem o carisma de quem fala, e sim a Palavra de Deus, o fruto e a fidelidade. Satanás “se disfarça de anjo de luz” (2Co 11.14); por isso o engano é sutil, e o discernimento, indispensável.
Da doutrina à vida
Não despreze as profecias, mas não faça de ninguém um guru (1Ts 5.20; 1Co 14.29). Honre o dom, examine a mensagem.
Seja bereano: examine as Escrituras diariamente (At 17.11). A Bíblia é a régua; impressão e carisma não são.
Busque a direção de Deus pela Escritura, pela razão e pela experiência, não por impulsos avulsos. Observe o fruto: humildade ou exibição?
Nenhum dom age acima da igreja. Submeta profecias à liderança e ao juízo dos irmãos, para ordem e edificação (1Co 14.29-40).
A pergunta que encerra o curso é de maturidade: eu tenho sido crédulo, cínico — ou crente e criterioso, provando tudo pela Palavra?
Fixação
Toque no cartão para ver a definição. Bom para revisar antes da avaliação.
Avaliação
Cinco questões de múltipla escolha, com nota ao final, e duas perguntas para reflexão com resposta sugerida. Cada alternativa traz um comentário assim que você escolhe — errar aqui também ensina.
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Para pensar e conversar
Tarefas
Ler 1Coríntios 14, 1João 4.1-6 e Mateus 7.15-23 e montar a sua própria “lista de verificação” para provar uma profecia (Palavra, fruto, doutrina, edificação, cumprimento); depois, reler as quatro submissões e escrever como a sua igreja pode usar o dom de profecia com responsabilidade e amor.
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Citações bíblicas: Nova Almeida Atualizada (NAA), salvo indicação em contrário. · Bispo Ildo Mello