Se tudo é graça, o que Deus ainda espera de mim? Onde entra o meu esforço?
“Rogo-vos, pois… que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados.”Efésios 4.1 (NAA)
Para começar
Chegamos à metade da carta. Aqui ela vira uma dobradiça: da graça recebida para a vida vivida. Guarde três perguntas.
Se tudo é graça, o que Deus ainda espera de mim? Onde entra o meu esforço?
O que é a minha “vocação”? Ela vale pelo tamanho do resultado ou por quem me chamou?
Para que servem os dons e ministérios na igreja — status, ou construção do corpo?
Os três primeiros capítulos disseram o que temos em Cristo. A partir do capítulo 4, Paulo diz como devemos andar. A palavra que abre a virada é “rogo-vos” (Ef 4.1).
Efésios 4.1-3
“Rogo-vos… que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados” (Ef 4.1). Depois de tanta graça, há algo que Deus espera de nós.
Há quem pense que é “só graça”, que Deus faz tudo e nós apenas recebemos, de modo passivo. Mas Paulo diz “rogo-vos” e “esforçando-vos” (Ef 4.3). A vida cristã é dada de presente; a partir desse presente, porém, há um esforço que se faz necessário — meu, seu, do pastor, do recém-convertido, sem exceção.
A posição desta aula
Não há mérito humano na salvação; mas há resposta. A mesma graça que nos salva nos capacita a andar — com toda humildade, mansidão, longanimidade, suportando-nos em amor (Ef 4.2). Obra derivada da graça, edificada sobre a graça, fruto da graça — mas obra que exige que a gente arregace as mangas (Fp 2.12-13).
Ef 4.1-3; Fp 2.12-13
O sentido do chamado
A palavra “vocação” vem do latim vocare, chamar. E todo chamado tem quem chama — o Vocalista. Esse é o seu Criador.
Deus formou você de modo único, com dons e talentos, e tem um propósito para a sua vida. Mas repare: por maior que seja a vocação, ela precisa de preparo. Uma jovem pode ter todo o dom para a medicina; ainda assim, ninguém deixaria que ela operasse antes de se formar, se esforçar e desenvolver a habilidade. Vocação sem preparo não basta — e preparo sem vocação também não. É preciso arregaçar as mangas em cima daquilo que Deus deu.
Onde está o valor
Se o presidente de um país lhe confiasse uma tarefa simples, você a cumpriria com honra — não pelo tamanho da tarefa, mas por quem a pediu. Quanto mais quando é o Criador do universo quem chama! O valor da nossa vocação não está no resultado, mas no Vocalista. Por isso ninguém deve desprezar a congregação pequena, o dom modesto, o serviço escondido: o que o dignifica é Aquele que chamou.
Ef 4.1; Mt 25.21
Efésios 4.4-6
Paulo enfileira sete vezes a palavra “um só”: “há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados numa só esperança… um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai de todos” (Ef 4.4-6).
A unidade não é uniformidade, mas comunhão em torno do mesmo Senhor. Guardar essa unidade “no vínculo da paz” (Ef 4.3) exige humildade e amor — sobretudo num tempo de tantas divisões de partido, de time e de opinião. O que nos une é maior do que tudo o que nos diferencia: o amor de Deus no coração.
Efésios 4.7-16
“A cada um de nós foi dada a graça segundo a medida do dom de Cristo” (Ef 4.7). E o Cristo que subiu deu dons à igreja.
Ele constituiu “apóstolos… profetas… evangelistas… pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos, para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo” (Ef 4.11-12). Repare no alvo: os líderes existem para capacitar o povo, e não para substituí-lo. O corpo cresce “até que todos cheguemos à unidade da fé… à medida da estatura da plenitude de Cristo” (Ef 4.13).
O propósito é a maturidade: não mais “meninos, levados de um lado para outro por todo vento de doutrina” (Ef 4.14), mas crescendo “em tudo, naquele que é a cabeça, Cristo” — o corpo que se edifica a si mesmo “em amor” (Ef 4.15-16). Aqui está o coração wesleyano: a graça nos coloca em movimento rumo à semelhança de Cristo.
Efésios 4.17-32
A caminhada digna é concreta. Paulo pede que não andemos mais como os gentios, na vaidade da mente, mas que nos renovemos: “despir o velho homem… e vestir o novo homem, criado segundo Deus, em justiça e santidade” (Ef 4.22-24).
E desce ao chão: falar a verdade ao próximo; “irai-vos e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira”; quem furtava, trabalhe e reparta; nenhuma palavra torpe, mas a que edifica; “não entristeçais o Espírito Santo de Deus”; que toda amargura, ira e maledicência sejam tiradas; “sede uns para com os outros benignos… perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou” (Ef 4.25-32). Santidade, aqui, tem endereço: a boca, o trabalho, a raiva, o perdão.
Para a vida
Responda à graça com esforço. Não espere santidade automática; arregace as mangas, contando com o poder que opera em você (Ef 4.1; Fp 2.13).
Honre a sua vocação e prepare-se. Desenvolva o dom que recebeu, seja ele grande ou pequeno aos olhos do mundo (Ef 4.7).
Sirva para edificar, não para aparecer. Use o seu dom para construir o corpo até a estatura de Cristo (Ef 4.12-13).
Faça a santidade ter endereço. Cuide da língua, do trabalho, da raiva e do perdão — hoje, em casa e na igreja (Ef 4.25-32).
Fixação
Toque em cada cartão para virar. Comece pelo versículo e siga pelos conceitos da aula.
Avaliação
Cinco perguntas com correção imediata. Ao escolher, você vê na hora o acerto, a alternativa certa e um comentário que ensina.
Respondidas: 0 de 5
Para orar e responder
Tenho olhado com gratidão para os dons e o lugar que Deus me deu, ou vivo comparando e reclamando do que não sou?
Resposta sugerida: nomear um dom ou tarefa que Deus lhe confiou, agradecer por ele e dar um passo concreto de preparo ou serviço nesta semana, lembrando que o valor vem do Vocalista (Ef 4.1,7).
Alguém pode achar que a graça torna o esforço desnecessário. Como responder com mansidão?
Resposta sugerida: mostrar que Paulo, depois de três capítulos de pura graça, diz “rogo-vos… esforçando-vos” (Ef 4.1-3). A graça não anula a resposta; ela a possibilita e a exige. “Desenvolvei a vossa salvação… porque Deus é quem opera em vós” (Fp 2.12-13): esforço que brota da graça, não que a substitui.
Efésios 4 é a dobradiça da carta: da graça recebida à vida vivida. Somos chamados a andar dignos da vocação, com humildade e amor, esforçando-nos por guardar a unidade — um só corpo, um só Senhor (Ef 4.1-6).
Cristo dá dons para edificar o corpo até a sua estatura; e a santidade se faz concreta ao despir o velho e vestir o novo homem, na língua, no trabalho, na raiva e no perdão (Ef 4.11-32).
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Bispo Ildo Mello — Igreja Metodista Livre do Brasil. Referências na versão Nova Almeida Atualizada (NAA).