Curso do Espírito SantoAula 10

Profecia e discernimento de espíritos

“Não desprezem as profecias; mas ponham tudo à prova, retendo o que é bom.”1 Tessalonicenses 5.20-21 · NAA

Bispo Ildo MelloLeitura prévia: 1Co 14; 1Jo 4.1-6; 1Ts 5.19-22; Mt 7.15-23

Para começar

As perguntas que nos guiam

Encerramos o curso com dois dons que exigem cuidado especial: a profecia e o discernimento de espíritos — dons preciosos, mas que pedem responsabilidade.

1

Profecia é para hoje?

E, se é, para que serve — e para que não serve?

2

Como saber se é de Deus?

Que critérios a Bíblia dá para provar profecias e espíritos?

3

Como não cair em fanatismo nem em ceticismo?

Existe um caminho maduro entre engolir tudo e desprezar tudo?

Tese da aula: a profecia é dom válido, mas requer discernimento e responsabilidade. Seu propósito é edificar, exortar e consolar (1Co 14.3); toda profecia se submete à Palavra, à liderança, ao caráter e à edificação. Wesley alerta contra o “entusiasmo”; e o dom de discernimento de espíritos (1Co 12.10) nos ajuda a “provar os espíritos” (1Jo 4.1) pelos frutos, pela doutrina e pela fidelidade à Palavra. Nem crédulos, nem cínicos: crentes e criteriosos.

1Co 14.3

O propósito da profecia

“Mas o que profetiza fala aos homens para edificação, exortação e consolação.” (1Co 14.3)

A finalidade da profecia é clara e limitada: edificar, exortar e consolar — construir, animar e confortar o povo de Deus. Toda profecia verdadeira glorifica a Deus, testemunha de Jesus Cristo e fortalece a fé da igreja; ela promove unidade e não divisão, edificação e não destruição. Por isso as mensagens proféticas devem ser dadas “com amor, alegria e paz”, em conformidade com o fruto do Espírito. E a liderança deve ensinar a igreja a valorizar o dom sem dar importância indevida a quem profetiza, como se fosse guru ou pitonisa.

Wesley

O alerta contra o “entusiasmo”

No sermão “A Natureza do Entusiasmo”, Wesley reconhece a influência real do Espírito na vida do crente — mas adverte que muitos confundem essa influência com as próprias ideias e impulsos, e daí nascem excessos e fanatismo. O “entusiasta” toma cada sonho, visão ou impressão como voz direta de Deus, e se desgoverna.

A orientação da IMeL

As quatro submissões de toda profecia

Para usar o dom com responsabilidade, a nossa igreja ensina que toda profecia deve submeter-se a quatro instâncias.

1

À Palavra de Deus. A Bíblia é a autoridade suprema. “Se não falam segundo a lei e o testemunho, é porque não há luz neles” (Is 8.20; 2Tm 3.16). Qualquer profecia que contradiga a Palavra não é do Espírito.

2

À liderança espiritual. A liderança discerne e confirma a autenticidade, e zela pela ordem e decência do culto (1Co 14.29-40; Hb 13.17).

3

Ao caráter cristão. Quem profetiza deve refletir o caráter de Deus: integridade e santidade de vida são essenciais (Ef 4.22-24; 1Pe 1.15-16).

4

À edificação. Toda profecia verdadeira edifica, exorta e consola, promovendo o crescimento e a unidade da igreja (1Co 14.3,12).

1Co 12.10 · 1Jo 4.1

O dom de discernimento de espíritos

“Amados, não deem crédito a qualquer espírito; antes, provem os espíritos, se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo.” (1Jo 4.1)

O discernimento de espíritos (1Co 12.10) é a capacidade, dada pelo Espírito, de distinguir o verdadeiro Espírito de Deus dos espíritos enganadores. É um dom vital para proteger a igreja de ensinos falsos e influências perigosas. A Escritura não nos manda aceitar tudo o que soa espiritual; manda provar. Não é falta de fé; é a fé madura que “examina tudo e retém o que é bom” (1Ts 5.21). Os bereanos foram elogiados por isso (At 17.11), e a igreja de Éfeso, por desmascarar falsos apóstolos (Ap 2.2).

Os critérios

Como provar os espíritos

1

Pelos frutos

“Pelos seus frutos os conhecereis” (Mt 7.16). O fruto do Espírito — amor, humildade, mansidão (Gl 5.22-23) — deve marcar a vida do verdadeiro profeta.

2

Pela doutrina

Todo espírito que confessa Jesus Cristo vindo em carne é de Deus (1Jo 4.2-3). Ensino que contradiz o evangelho é falso, ainda que sedutor (Gl 1.8).

3

Pela transparência e humildade

Líderes verdadeiros servem com humildade; falsos profetas revelam orgulho e falta de transparência, sobretudo com dinheiro (1Tm 3.1-13).

4

Pela fidelidade e pela prova do tempo

Palavras proclamadas em nome do Senhor que não se cumprem denunciam o falso profeta (Dt 18.20-22). A verdade se confirma; o engano se expõe.

Repare que o critério nunca é a impressão pessoal nem o carisma de quem fala, e sim a Palavra de Deus, o fruto e a fidelidade. Satanás “se disfarça de anjo de luz” (2Co 11.14); por isso o engano é sutil, e o discernimento, indispensável.

Da doutrina à vida

Aplicações pastorais

1

Valorize sem idolatrar

Não despreze as profecias, mas não faça de ninguém um guru (1Ts 5.20; 1Co 14.29). Honre o dom, examine a mensagem.

2

Meça tudo pela Palavra

Seja bereano: examine as Escrituras diariamente (At 17.11). A Bíblia é a régua; impressão e carisma não são.

3

Fuja do entusiasmo

Busque a direção de Deus pela Escritura, pela razão e pela experiência, não por impulsos avulsos. Observe o fruto: humildade ou exibição?

4

Submeta-se à comunidade

Nenhum dom age acima da igreja. Submeta profecias à liderança e ao juízo dos irmãos, para ordem e edificação (1Co 14.29-40).

A pergunta que encerra o curso é de maturidade: eu tenho sido crédulo, cínico — ou crente e criterioso, provando tudo pela Palavra?

Fixação

Cartões de memorização

Toque no cartão para ver a definição. Bom para revisar antes da avaliação.

Avaliação

Teste o que você aprendeu

Cinco questões de múltipla escolha, com nota ao final, e duas perguntas para reflexão com resposta sugerida. Cada alternativa traz um comentário assim que você escolhe — errar aqui também ensina.

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Para pensar e conversar

Perguntas para reflexão

Paulo dá uma ordem dupla que parece contraditória: “não desprezem as profecias” e “ponham tudo à prova” (1Ts 5.20-21). Como manter as duas coisas juntas, sem cair nem no ceticismo nem na ingenuidade?Ver resposta sugerida
Mantemos as duas juntas porque elas se corrigem mutuamente. Quem só ouve “não desprezem” escorrega para a ingenuidade — engole tudo o que soa espiritual e acaba enganado por qualquer voz. Quem só ouve “ponham à prova” escorrega para o ceticismo — apaga o Espírito (1Ts 5.19) e fecha a igreja a qualquer palavra de Deus. Paulo pede o equilíbrio maduro: abertura com discernimento. Recebo com interesse, como os bereanos “de bom grado” receberam a palavra; mas “examino as Escrituras todos os dias” para conferir se é assim mesmo (At 17.11). É a postura de quem valoriza o dom sem idolatrar o profeta, e testa a mensagem sem desprezar o mensageiro. A régua nunca é a impressão nem o carisma da pessoa, e sim a Palavra de Deus, o fruto do Espírito e a edificação da igreja. Nem crédulo, nem cínico: crente e criterioso.
Wesley alertava contra o “entusiasmo” — confundir a voz do Espírito com os próprios impulsos e imaginações. Na prática, como buscar a direção de Deus sem cair nesse erro?Ver resposta sugerida
Wesley reconhecia que o Espírito realmente influencia e guia o crente; o problema é quando alguém toma cada impressão, sonho ou palpite como se fosse voz direta de Deus, e daí nascem o fanatismo e a desordem. O caminho sadio, ensinava ele, é buscar a vontade de Deus pela Escritura, pela razão e pela experiência, e não por sinais subjetivos avulsos. O Espírito auxilia o discernimento de modo mais discreto do que imaginamos: trazendo à mente circunstâncias relevantes, iluminando convicções firmadas na Palavra, dando paz interior diante do que é reto. Na prática, isso significa: primeiro, submeter qualquer impressão à Palavra de Deus — “se não falam segundo a lei e o testemunho, é porque não há luz neles” (Is 8.20); segundo, submetê-la à liderança e à comunidade, que julgam e confirmam (1Co 14.29); terceiro, observar o fruto — se produz humildade, arrependimento e santidade, pode ser de Deus; se produz orgulho, exibição e divisão, é entusiasmo. Buscar direção com os pés fincados na Escritura protege tanto do racionalismo frio quanto do fanatismo quente.

Para casa e próxima aula

Tarefas

Ler 1Coríntios 14, 1João 4.1-6 e Mateus 7.15-23 e montar a sua própria “lista de verificação” para provar uma profecia (Palavra, fruto, doutrina, edificação, cumprimento); depois, reler as quatro submissões e escrever como a sua igreja pode usar o dom de profecia com responsabilidade e amor.

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Citações bíblicas: Nova Almeida Atualizada (NAA), salvo indicação em contrário. · Bispo Ildo Mello