Curso do Espírito SantoAula 7

Batismo e plenitude do Espírito Santo

“Não se embriaguem com vinho… pelo contrário, deixem-se encher pelo Espírito.”Efésios 5.18 · NAA

Bispo Ildo MelloLeitura prévia: At 1.4-8; 2.1-42; 1Co 12.12-13; Ef 5.15-21

Para começar

As perguntas que nos guiam

Poucos temas geram tanta confusão. Vamos, com a Bíblia e com equilíbrio, distinguir o batismo com o Espírito da plenitude do Espírito.

1

Existe um “segundo batismo”?

O cristão precisa buscar uma bênção à parte, depois da conversão?

2

Falar em línguas é o sinal?

Quem não fala em línguas não recebeu o Espírito?

3

Como ser cheio do Espírito?

Se todo cristão já tem o Espírito, o que significa “enchei-vos”?

Tese da aula:um só batismo cristão (Ef 4.5), que já inclui a água e o Espírito e é dado na conversão — todo cristão tem o Espírito (Rm 8.9). Isso é diferente da plenitude, que se experimenta muitas vezes (Ef 5.18). Os sinais únicos de Pentecostes não se repetiram como lá; e falar em línguas não é o sinal necessário do batismo (1Co 12.13,30). O que devemos buscar é encher-nos continuamente do Espírito que já habita em nós.

Ef 4.5 · Tt 3.5

Um só batismo cristão

“Há um só corpo e um só Espírito… um só Senhor, uma só fé, um só batismo.” (Ef 4.4-5)

O batismo cristão, o de Jesus, não se divide em dois — um nas águas e outro com o Espírito. Ele já inclui os dois: “o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo” (Tt 3.5), o nascer “da água e do Espírito” (Jo 3.5). João Batista já anunciara a diferença entre o seu batismo e o de Jesus: “eu vos batizo com água… ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo” (Mt 3.11). O elemento distintivo do batismo cristão é o dom do Espírito, a “Promessa do Pai” (At 2.39), que regenera e capacita para a vida cristã e o testemunho.

Rm 8.9

Não existe cristão sem o Espírito

“Se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele.” (Rm 8.9)

Depois de Pentecostes, os apóstolos nunca exortam os cristãos a buscarem “o batismo com o Espírito”. E por uma razão simples: era inconcebível a ideia de um cristão sem o Espírito. O crente é filho de Deus, e não existe filiação parcial — a graça é total. Não há cristãos pela metade, mas completos, abençoados “com toda sorte de bênção espiritual… em Cristo” (Ef 1.3). Quem recebe a Jesus recebe o Espírito Santo.

Ef 5.18

Batismo não é o mesmo que plenitude

A plenitude se repete

“Enchei-vos do Espírito” (Ef 5.18) está no presente contínuo: uma experiência que se renova muitas vezes na vida. Depois de Pentecostes, a exortação nunca é “busquem o batismo”, mas “sejam cheios” (cf. At 4.31).

Ef 5.18 · At 4.31

Alguém pode, sem erro grave, chamar de “batismo com o Espírito” uma autêntica experiência de plenitude vivida depois da conversão — na qual dons também podem ser comunicados. A mudança de nome não altera o valor da experiência, que permanece preciosa. O cuidado é doutrinário: um só batismo, muitas plenitudes.

At 2

Pentecostes: um marco único

No Pentecostes, o Espírito foi derramado sobre os 120 com três sinais: um som como de vento impetuoso, línguas como de fogo e o falar em outros idiomas — línguas estrangeiras compreendidas pelos presentes de várias nações (At 2.1-11). Foi o nascimento da Igreja e a reversão de Babel: onde as nações foram divididas (Gn 11), agora ouvem, cada uma na sua língua, as maravilhas de Deus. Esses três sinais foram um marco histórico do cumprimento da promessa — e permanecem inéditos: jamais se teve notícia de que tenham sido reproduzidos exatamente como ali.

1Co 12.13,30

O sinal do batismo não é falar em línguas

Aqui a Escritura é decisiva. No mesmo capítulo, Paulo afirma que todos os coríntios “foram batizados em um só Espírito, formando um só corpo” (1Co 12.13); e pergunta: “falam todos em outras línguas?” (1Co 12.30) — e a resposta é não. Ora, se todos foram batizados no Espírito, mas nem todos falam em línguas, então falar em línguas não pode ser o sinal indispensável do batismo. Ninguém deve ser dividido nem diminuído por causa dos dons: “o mesmo Espírito distribui a cada um como lhe apraz” (1Co 12.11), e a marca do cristão é o fruto do amor, não um dom em particular (1Co 13).

Equilíbrio em duas frentes. Contra o cessacionismo, afirmamos que os dons continuam para a edificação da igreja até a volta de Cristo (1Co 14.12). Contra a exigência de línguas como prova, afirmamos que nem todos falam línguas e nem por isso são cristãos incompletos. Um Espírito, muitos dons; uma só igreja, sem castas.

A vida cheia do Espírito

Como ser cheio do Espírito

Se o Espírito já habita em todo cristão, então ser “cheio” não é receber mais de uma substância, e sim ceder mais território a um Senhor que já mora em nós. A plenitude não é para exibição, e sim para capacitar o testemunho (At 1.8) e produzir o fruto do Espírito (Gl 5.22-23). Buscamo-la esvaziando-nos do que a impede — o pecado que entristece o Espírito (Ef 4.30), a incredulidade, a autossuficiência — e nos rendendo à Palavra, à oração e à comunhão, deixando o Espírito preencher cada área da vida.

Da doutrina à vida

Aplicações pastorais

1

Descanse: você tem o Espírito

Se você é de Cristo, o Espírito habita em você (Rm 8.9). Não viva ansioso atrás de um “segundo batismo” que lhe faltaria.

2

Busque a plenitude, não a divisão

Encha-se do Espírito continuamente (Ef 5.18), cedendo-lhe território. Mas não divida a igreja em classes de crentes.

3

Não faça de um dom a régua

Nem todos falam em línguas, e todos foram batizados no Espírito (1Co 12.13,30). A marca do cristão é o fruto do amor.

4

Esvazie-se do que estorva

Ser cheio pressupõe ceder espaço. Deixe o Espírito preencher onde hoje reinam o pecado, o medo e a autossuficiência.

A pergunta desta aula é diária: quanto do meu território eu já cedi ao Espírito que habita em mim?

Fixação

Cartões de memorização

Toque no cartão para ver a definição. Bom para revisar antes da avaliação.

Avaliação

Teste o que você aprendeu

Cinco questões de múltipla escolha, com nota ao final, e duas perguntas para reflexão com resposta sugerida. Cada alternativa traz um comentário assim que você escolhe — errar aqui também ensina.

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Para pensar e conversar

Perguntas para reflexão

Há quem ensine que o cristão precisa buscar um “segundo batismo” com o Espírito, posterior à conversão, como uma bênção à parte. Por que a nossa tradição entende que há um só batismo — e o que isso protege?Ver resposta sugerida
Entendemos assim porque Paulo é claro: “há um só corpo e um só Espírito… um só Senhor, uma só fé, um só batismo” (Ef 4.4-5). O batismo cristão, o de Jesus, já inclui a água e o Espírito — “pelo lavar regenerador e renovador do Espírito Santo” (Tt 3.5; cf. Jo 3.5). E, decisivamente: “se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele” (Rm 8.9). Não existe cristão sem o Espírito, nem filiação pela metade — a graça é total. Depois de Pentecostes, os apóstolos nunca exortam os cristãos a buscarem “o batismo com o Espírito”; exortam a se encherem do Espírito (Ef 5.18). Essa distinção protege duas coisas preciosas: protege a unidade da igreja, porque impede que os cristãos sejam divididos em duas classes — os “batizados no Espírito” e os “de segunda categoria”; e protege a certeza do novo convertido, que não precisa viver ansioso atrás de uma experiência que lhe faltaria, pois já recebeu o Espírito ao crer. O que devemos buscar não é um novo batismo, e sim ceder cada vez mais território ao Espírito que já habita em nós.
Um irmão de outra igreja diz: “quem não fala em línguas não recebeu o batismo com o Espírito Santo”. Como você responderia, com a Bíblia e com respeito?Ver resposta sugerida
Eu responderia com uma pergunta do próprio Paulo. Em 1Coríntios 12 ele afirma, de um lado, que todos os coríntios “foram batizados em um só Espírito, formando um só corpo” (1Co 12.13); e, de outro, pergunta: “falam todos em outras línguas?” (1Co 12.30) — e a resposta óbvia é não, nem todos falam. Ora, se todos foram batizados no Espírito, mas nem todos falam em línguas, então falar em línguas não pode ser o sinal indispensável do batismo. Além disso, no próprio dia de Pentecostes, os 3.000 que se converteram foram batizados com o Espírito, e nada se diz de vento, fogo ou línguas sobre eles; os sinais mencionados são outros: perseverança na sã doutrina, comunhão, singeleza de coração e evangelização (At 2.42-47). Eu diria isso com respeito, sem desprezar a experiência do irmão — uma autêntica plenitude do Espírito é preciosa, com ou sem manifestações. Só não a transformaria em régua para dividir a igreja entre cristãos de primeira e de segunda classe, porque “o mesmo Espírito distribui os dons a cada um como lhe apraz” (1Co 12.11), e a marca do cristão é o fruto do amor, não um dom em particular.

Para casa e próxima aula

Tarefas

Ler Atos 2 inteiro e Efésios 5.15-21 e listar os sinais da vida cheia do Espírito segundo At 2.42-47; depois, escrever um parágrafo respondendo: “Que área da minha vida eu ainda não cedi ao Espírito?”, e planejar um passo concreto de rendição nesta semana.

Aula seguinte

O fruto do Espírito e a santidade: a maior obra do Espírito é transformar o caráter — o fruto de Gl 5.22-23, o amor no centro e o alvo da santidade wesleyana. Ir para a Aula 8 →

Citações bíblicas: Nova Almeida Atualizada (NAA), salvo indicação em contrário. · Bispo Ildo Mello