Quinto ano — logo depois da apostasia dele e do seu povo, que só se deu no seu quarto ano; enquanto o apóstata Israel gozava paz e certa prosperidade. Desta diferença podem dar-se duas razões: primeira, os pecados de Judá foram cometidos contra luz mais clara e contra meios e remédios mais poderosos de toda sorte, e por isso mereciam juízos mais severos e rápidos; segunda, Deus mostrou mais amor a Judá castigando-o depressa, para que se humilhasse, se emendasse e fosse preservado — como aconteceu; e mais ira contra Israel, a quem poupou para a destruição total que intentava trazer sobre ele. Sisaque — pensa-se que era cunhado de Salomão. Mas quão pouco significam tais parentescos entre príncipes, quando o seu interesse está em jogo, todas as histórias o testemunham. Além disso, Roboão não era filho de Salomão com a filha de Faraó, e assim o parentesco estava de certo modo extinto. Subiu — ou por desejo de ampliar o seu império; ou por instigação de Jeroboão; ou por desejo cobiçoso de possuir os grandes tesouros que Davi e Salomão haviam deixado; e, acima de tudo, pela providência de Deus, que lhe dispôs o coração a esta expedição para castigo de Roboão.
Nota do editor
O paradoxo dos primeiros juízos: Judá apostatou e apanhou em um ano (1Rs 14.22-25); Israel apostatou e prosperou por décadas. Wesley decifra com a chave de Hebreus: o castigo rápido era o amor — 'o Senhor corrige a quem ama' (Hb 12.6-11; Ap 3.19) — e a paz do apóstata era a sentença em preparo (cf. Sl 73.3-19). Sob Sisaque, Judá se humilhou e foi poupado (2Cr 12.6-7,12); Israel, poupado de correção, amadureceu para o desterro. Quando Deus incomoda cedo o seu povo desviado, é misericórdia com pressa; a pior notícia é pecar em paz.