1Samuel 15.1 §
Nota de John Wesley
Atende — já cometeste erro; recobra agora o favor de Deus pela tua exata obediência ao que ele ordena.
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Introdução ao capítulo
Deus ordena a Saul destruir totalmente os amalequitas (v. 1-3); ele os destrói, mas não totalmente (v. 4-9); Samuel pronuncia sentença sobre ele pela sua desobediência, mas consente em honrá-lo diante do povo (v. 10-31); mata Agague (v. 32-33); despede-se de Saul, mas pranteia por ele (v. 34-35).
1Samuel 15.1 §
Nota de John Wesley
Atende — já cometeste erro; recobra agora o favor de Deus pela tua exata obediência ao que ele ordena.
1Samuel 15.2 §
Nota de John Wesley
Castigarei — agora vingarei nas crianças dos amalequitas aquelas velhas injúrias — nos filhos que continuam nas práticas dos pais. Quando subia do Egito — quando acabava de sair de cruel e longa servidão, e estava fraco, cansado, desfalecido e faminto (Dt 25.18); foi, pois, barbaridade, em vez da piedade que a própria natureza os movia a mostrar, acrescentar aflição ao aflito; e foi também horrenda impiedade pelejar contra o próprio Deus e levantar a mão, por assim dizer, contra o trono do SENHOR — ferindo o povo que Deus tirara de modo tão estupendo.
1Samuel 15.3 §
Nota de John Wesley
Destrói totalmente — pessoas e bens: mata tudo o que vive e consome tudo o que não tem vida, pois não quero que fique nome nem resto daquele povo, que há muito devotei à destruição total. Não o poupes — não mostres compaixão ou favor a nenhum deles: a mesma coisa repetida para prevenir engano e obrigar Saul ao seu exato cumprimento. Mata — o que não era injusto, porque Deus é o supremo Senhor da vida e pode requerer o que é seu quando lhe apraz; também as crianças nascem em pecado, e portanto sujeitas à ira de Deus; e a sua morte foi antes misericórdia que maldição, sendo ocasião de prevenir o seu pecado e castigo. Bois etc. — que, feitos todos para benefício do homem, não é estranho que sofram com ele, para instrução da humanidade.
1Samuel 15.6 §
Nota de John Wesley
Queneus — povo descendente de Jetro, ou a ele aparentado, que antigamente habitava em rochas perto dos amalequitas (Nm 24.21); depois alguns habitaram em Judá (Jz 1.16), donde é provável que se mudassem (o que, morando em tendas, facilmente podiam) e voltassem à antiga habitação, por causa das guerras e perturbações que molestavam Judá. Usastes de misericórdia — alguns dos vossos progenitores o fizeram, e por causa deles todos vós sereis mais bem tratados. Não fostes culpados do pecado por que Amaleque agora será destruído. Quando os juízos destruidores andam soltos, Deus cuida de separar o precioso do vil. É então especialmente perigoso ser achado na companhia dos inimigos de Deus. Os judeus têm um ditado: ai do ímpio, e ai do seu vizinho!
1Samuel 15.7 §
Nota de John Wesley
Até Sur — isto é, de uma extremidade do seu país à outra: feriu todos os que encontrou; mas grande número fugiu ao rumor da sua vinda e se pôs a salvo noutros lugares, até passar a tempestade. A todos — que achou. Agora pagavam caro o pecado dos seus antepassados; eles mesmos eram culpados de idolatria e de pecados sem número, pelos quais mereciam ser exterminados. Contudo, quando Deus quis ajustar contas com eles, fixou-se naquele como fundamento da sua contenda.
1Samuel 15.9 §
Nota de John Wesley
Vil — assim obedeceram a Deus só até onde o podiam fazer sem inconveniente para si mesmos.
Nota do editor
Anatomia da obediência seletiva: destruíram 'o desprezível e o que não tinha valor', pouparam 'o melhor' (1Sm 15.9) — e Agague, troféu vivo da vaidade real. Obedecer só no que não custa é desobedecer com etiqueta religiosa: o coração ficou com o despojo e ainda o vestiu de culto ('para sacrificar ao SENHOR', v. 15). Deus não aceita a parte que sobra da nossa conveniência (Ml 1.8,13-14; Lc 6.46).
Temas: pecado
1Samuel 15.11 §
Nota de John Wesley
Arrependo-me — o arrependimento implica dor de coração e mudança de desígnios, e portanto não pode existir em Deus; mas atribui-se a Deus quando ele altera o seu modo de agir e trata a pessoa como se de fato se arrependesse da bondade que lhe mostrara. Toda a noite — a implorar a sua misericórdia perdoadora para Saul e para o povo. Deixou de me seguir — logo, uma vez seguiu a Deus; de outro modo seria impossível que deixasse de segui-lo.
Nota do editor
Wesley colhe do texto uma nota arminiana discreta mas firme: 'deixou de me seguir — logo, uma vez seguiu a Deus'. A queda de Saul não foi encenação de um réprobo desde sempre: foi apostasia real de quem realmente começou. Por isso a Escritura multiplica advertências ao que está de pé (1Co 10.12; Hb 3.14) — e por isso Samuel passa a noite clamando: a intercessão leva a sério o perigo real da perdição real.
1Samuel 15.12 §
Nota de John Wesley
Um monumento — isto é, um monumento ou troféu da sua vitória.
1Samuel 15.13 §
Nota de John Wesley
Eles — isto é, o povo. Assim lança a culpa sobre o povo — que nada podia fazer sem o seu consentimento; e ele devia ter usado o seu poder para os conter.
1Samuel 15.18 §
Nota de John Wesley
Uma jornada — tão fácil era o serviço, e tão certo o êxito, que antes se devia chamar jornada que guerra.
1Samuel 15.20 §
Nota de John Wesley
O rei — para ser tratado como Deus quisesse.
1Samuel 15.21 §
Nota de John Wesley
Mas o povo — aqui a consciência de Saul começa a acordar, embora só um pouco: ainda lança a culpa sobre o povo.
1Samuel 15.22 §
Nota de John Wesley
Do que o sacrificar — porque a obediência a Deus é dever moral, constante e indispensavelmente necessário; mas o sacrifício é instituição cerimonial, às vezes desnecessária — como no deserto — e às vezes pecaminosa, quando oferecida por mão poluída ou de maneira irregular. Portanto a tua grosseira desobediência à ordem expressa de Deus não se compensa com sacrifício. Atender — isto é, obedecer. Gordura — a parte mais escolhida de todo o sacrifício.
Nota do editor
'Obedecer é melhor do que sacrificar' (1Sm 15.22) — o verso que os profetas repetirão (Os 6.6; Mq 6.6-8) e Jesus citará duas vezes (Mt 9.13; 12.7). A religião do culto sem entrega é a tentação perene: dar a Deus cerimônias no lugar da vontade. Nenhum louvor, oferta ou serviço substitui o simples fazer o que ele disse (Jo 14.15).
1Samuel 15.23 §
Nota de John Wesley
Rebelião — desobediência à ordem de Deus. Pecado de feitiçaria — contumácia no pecado: justificá-lo e advogá-lo. Iniquidade — ou, a iniquidade da idolatria. Te rejeitou — pronunciou a sentença de rejeição: que não foi deposto de fato por Deus antes, vê-se claramente de que não só o povo, mas o próprio Davi, depois disto o reconheceu como rei. Indignos são de governar homens os que não querem que Deus os governe.
1Samuel 15.24 §
Nota de John Wesley
Pequei — de modo algum consta que Saul aqui banque o hipócrita, alegando falsa causa da sua desobediência; antes, declara nuamente a coisa como foi.
1Samuel 15.25 §
Nota de John Wesley
Perdoa o meu pecado — nem se pode provar que houvesse nisso hipocrisia; antes, a caridade nos manda crer que sinceramente desejou perdão, de Deus e dos homens, sabendo agora que pecara contra ambos.
1Samuel 15.26 §
Nota de John Wesley
Não voltarei contigo — não foi mentira, embora depois voltasse: falou o que pretendia; as suas palavras e intenções concordavam, embora depois visse razão para mudar de intento (compare Gn 19.2-3). Isto pode aliviar muitas consciências perplexas, que se julgam obrigadas a fazer o que disseram que fariam, mesmo vendo justa causa para mudar de parecer. Te rejeitou — mas não diz: 'rejeitou-te da salvação'. E quem, além dele, tem autoridade para dizê-lo?
1Samuel 15.29 §
Nota de John Wesley
A Glória de Israel — assim chama aqui a Deus, para mostrar a razão por que Deus não quer nem pode mentir: a mentira procede do senso da fraqueza do homem, que muitas vezes não pode realizar o seu desígnio sem mentira e dissimulação — razão pela qual muitos príncipes a usaram. Mas Deus não precisa de tais artifícios: pode fazer o que lhe apraz pelo seu poder absoluto. Nem se arrepende — isto é, nem muda o seu conselho, o que também é efeito de fraqueza ou imperfeição, de sabedoria ou de poder. Esta palavra não se usa aqui, pois, no sentido que comumente tem quando aplicada a Deus, como em outros lugares.
1Samuel 15.31 §
Nota de John Wesley
Voltou — primeiro, para que o povo, a pretexto desta sentença de rejeição, não retirasse a obediência ao seu soberano — com o que pecariam contra Deus e ficariam como ovelhas sem pastor; segundo, para corrigir o erro de Saul e executar o juízo de Deus sobre Agague.
1Samuel 15.33 §
Nota de John Wesley
Assim como a tua espada — donde se vê que era um tirano, culpado de muitas ações sangrentas. E isto parece acrescentado para mais plena vindicação da justiça de Deus, e para mostrar que, embora Deus vingasse agora um crime cometido pelos antepassados deste homem quatrocentos anos antes, não punia um filho inocente pelos crimes do pai, mas alguém que persistia nos mesmos maus caminhos. Despedaçou — isto fez por instinto divino e em cumprimento da ordem expressa de Deus que, pecaminosamente negligenciada por Saul, é agora executada por Samuel. Mas isto não é precedente para que pessoas privadas tomem nas mãos a espada da justiça: devemos viver pelas leis de Deus, não por exemplos extraordinários.
1Samuel 15.35 §
Nota de John Wesley
Ver a Saul — isto é, visitá-lo, em sinal de respeito ou amizade, ou buscar de Deus conselho para ele; de outro modo, viu-o sim (1Sm 19.24) — embora ali não fosse Samuel que veio ver Saul, mas Saul que foi ver Samuel, e por acidente.