Olha — após audiência levíssima da causa, aprovava-a, para obrigar a todos. Não tens quem te ouça — ninguém que te faça justiça: os outros filhos e parentes do rei, e os demais juízes e governantes debaixo deles, estão de todo corrompidos, ou ao menos sem o cuidado e diligência devidos; e o meu pai, entrado em anos, negligencia os negócios públicos. É o costume dos homens turbulentos e ambiciosos difamar o governo sob que vivem. Nem o próprio Davi, o melhor dos reis, pôde escapar das piores censuras.
Nota do editor
A técnica do usurpador não envelheceu: presença vistosa (carros e cinquenta batedores), madrugadas de falsa diligência, lisonja individual ('a tua causa é boa'), difamação insinuada do governo, abraços em vez de reverências — 'assim furtava o coração dos homens de Israel' (2Sm 15.6). Furtava: o verbo denuncia que popularidade obtida por lisonja é roubo. A igreja conhece os seus absalões (At 20.30; Rm 16.18); o antídoto é o povo amar a verdade mais que os afagos.