Morreu ali — isto pode parecer muito severo, considerando que a sua intenção era piedosa, e a sua transgressão não grande. Mas, além de serem os homens juízes impróprios das ações de Deus, e de serem os juízos de Deus sempre justos, embora às vezes obscuros, é razoável que Deus faça alguns exemplos presentes do seu alto desagrado contra pecados aparentemente pequenos: em parte para demonstração da sua exata e imparcial santidade; em parte para o estabelecimento da disciplina, e para maior terror e cautela da humanidade, tão propensa a fazer pouco caso do pecado, a ceder a pecados pequenos e assim ser levada a maiores — tudo o que se previne com tais exemplos de severidade. Há, pois, em tais ações mais misericórdia que justiça: a justiça se confina a uma pessoa particular, mas o seu benefício é comum à humanidade, naquela e em todas as eras futuras.
Nota do editor
O erro começara antes de Uzá tocar a arca: puseram-na num carro — método filisteu — em vez dos ombros levitas que a lei mandava (Nm 4.15; 1Cr 15.13: 'não a buscastes segundo a ordenança'). O zelo sincero não dispensa a forma prescrita: servir a Deus é servi-lo como ele pediu. E a boa intenção de Uzá — segurar a arca de Deus, como se Deus precisasse de escora — lembra a todo ministério: mais vale reverência que eficiência; a arca nunca precisou de mãos que a segurem, mas de corações que a temam.