E o SENHOR ia adiante deles, numa coluna — nas duas primeiras jornadas bastou que Deus indicasse a Moisés para onde marchar: ele conhecia a terra e o caminho; mas agora, chegados à borda do deserto, precisariam de guia — e tiveram guia excelente, infinitamente sábio, bondoso e fiel: o SENHOR ia adiante deles. Era a Shekiná, a aparição da Majestade divina — preciosa manifestação do Verbo eterno, que na plenitude dos tempos se faria carne e habitaria entre nós: Cristo estava com a igreja no deserto (1Co 10.9). Que satisfação para Moisés e os israelitas piedosos, a certeza de estarem sob condução divina! Não precisavam temer errar o caminho os que assim eram conduzidos, nem perder-se os que assim eram dirigidos; não precisavam temer a noite os que assim eram iluminados, nem o assalto os que assim eram protegidos. E os que fazem da glória de Deus o seu fim, da palavra de Deus a sua regra, do Espírito de Deus o guia dos seus afetos e da providência de Deus o guia dos seus negócios podem estar confiantes de que o SENHOR vai adiante deles, tão verdadeiramente como ia adiante de Israel no deserto, ainda que não tão visivelmente. Israel tinha efeitos sensíveis desse ir de Deus adiante deles naquela coluna: ela lhes mostrava o caminho naquele vasto e uivante deserto sem estrada, sem trilha, sem marcos, onde não tinham guias; quando marchavam, ia adiante, no passo que podiam seguir, e designava o lugar do acampamento, como via por bem a Sabedoria infinita — o que os aliviava do cuidado e os guardava do perigo, no mover e no descansar; abrigava-os de dia do calor, às vezes extremo; e de noite lhes dava luz, quando dela precisavam.