Notas de John Wesley sobre a Bíblia Comentários bíblicos em português atual

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Êxodo 13

Referências: 13.213.513.713.913.1313.1613.1813.2113.22

Introdução ao capítulo

Neste capítulo temos: as ordens que Deus deu a Israel — santificar-lhe todos os primogênitos (v. 1-2); lembrar o seu livramento do Egito (v. 3-4) e, em memória dele, guardar a festa dos pães asmos (v. 5-8); transmitir aos filhos o conhecimento disso (v. 8-10); separar para Deus as primícias do gado (v. 11-13) e explicá-lo também aos filhos (v. 14-16). E o cuidado que Deus teve de Israel ao tirá-lo do Egito: escolhendo-lhe o caminho (v. 17-18) e guiando-o nele (v. 20-22); e o cuidado deles com os ossos de José (v. 19).

Êxodo 13.2 §

Nota de John Wesley

Consagra-me todo primogênito — os pais não deviam olhar-se como donos dos seus primogênitos sem primeiro os apresentarem solenemente a Deus e os receberem de novo da sua mão. É meu — por direito especial, tendo sido, por favor singular meu, preservado da destruição comum.

Temas: familia

Êxodo 13.5 §

Nota de John Wesley

Quando o SENHOR te houver introduzido na terra, guardarás este culto — até lá não estavam obrigados a celebrar a Páscoa sem ordem particular de Deus.

Êxodo 13.7 §

Nota de John Wesley

Não se verá pão levedado em todo o teu território — conforme a isso, o costume dos judeus era, antes da festa da Páscoa, lançar fora das casas todo o pão levedado: queimavam-no, ou o enterravam, ou o esmigalhavam e atiravam ao vento; e buscavam diligentemente, com velas acesas, por todos os cantos das casas, para que não restasse fermento algum. O rigor ordenado nesta matéria destinava-se: primeiro, a tornar a festa mais solene, e por isso mais notada pelas crianças, que perguntariam: por que tanto cuidado?; segundo, a ensinar-nos quão solícitos devemos ser em lançar de nós todo pecado.

Temas: santidade

Êxodo 13.9 §

Nota de John Wesley

Por sinal na tua mão e por memorial entre os teus olhos — expressões proverbiais, denotando coisas que nunca nos saem do pensamento.

Êxodo 13.13 §

Nota de John Wesley

Resgatarás — o preço do resgate foi fixado pela lei.

Êxodo 13.16 §

Nota de John Wesley

Por frontais entre os teus olhos — tão à vista como qualquer coisa presa à testa, ou entre os olhos.

Êxodo 13.18 §

Nota de John Wesley

Muitas razões havia para Deus os levar pelo caminho do deserto do mar Vermelho. Os egípcios haviam de afogar-se no mar Vermelho; os israelitas haviam de ser humilhados e provados no deserto (Dt 8.2). Deus dera a Moisés por sinal (Êx 3.12): servireis a Deus neste monte. Haviam dito e redito a Faraó que precisavam ir caminho de três dias ao deserto para sacrificar — cumpria, pois, que marchassem por ali, ou com justiça seriam acusados de dissimuladores. E, antes de entrar em liça com os inimigos, deviam acertar-se as coisas entre eles e o seu Deus: dar-se leis, instituir-se ordenanças, selar-se alianças; e para isso convinha que se retirassem às solidões de um deserto, o único recesso para tamanha multidão — a estrada comum não seria lugar próprio para tais transações. E a razão de Deus não os levar pelo caminho mais curto, que em poucos dias os poria na terra dos filisteus, foi que ainda não estavam prontos para a guerra — muito menos para a guerra com os filisteus. Tinham o ânimo quebrado pela escravidão; os filisteus eram inimigos temíveis; convinha que começassem pelos amalequitas e fossem preparados para as guerras de Canaã pela experiência das dificuldades do deserto. Diz-se que Deus tirou Israel do Egito como a águia cria os seus filhotes (Dt 32.11), ensinando-os a voar aos poucos. Subiram armados — em fileiras de cinco, dizem uns; em cinco esquadrões, dizem outros: marcharam como exército com bandeiras, o que muito lhes acrescentava força e honra.

Nota do editor

'Deus não os levou pelo caminho mais curto porque ainda não estavam prontos' — princípio pastoral precioso: os desvios de Deus não são atrasos, mas preparo. O caminho mais longo, pelo deserto, era o caminho da formação do povo (leis, ordenanças, aliança) e da maturação da sua confiança, 'como a águia ensina os filhotes a voar aos poucos'.

Temas: providencia

Êxodo 13.21 §

Nota de John Wesley

E o SENHOR ia adiante deles, numa coluna — nas duas primeiras jornadas bastou que Deus indicasse a Moisés para onde marchar: ele conhecia a terra e o caminho; mas agora, chegados à borda do deserto, precisariam de guia — e tiveram guia excelente, infinitamente sábio, bondoso e fiel: o SENHOR ia adiante deles. Era a Shekiná, a aparição da Majestade divina — preciosa manifestação do Verbo eterno, que na plenitude dos tempos se faria carne e habitaria entre nós: Cristo estava com a igreja no deserto (1Co 10.9). Que satisfação para Moisés e os israelitas piedosos, a certeza de estarem sob condução divina! Não precisavam temer errar o caminho os que assim eram conduzidos, nem perder-se os que assim eram dirigidos; não precisavam temer a noite os que assim eram iluminados, nem o assalto os que assim eram protegidos. E os que fazem da glória de Deus o seu fim, da palavra de Deus a sua regra, do Espírito de Deus o guia dos seus afetos e da providência de Deus o guia dos seus negócios podem estar confiantes de que o SENHOR vai adiante deles, tão verdadeiramente como ia adiante de Israel no deserto, ainda que não tão visivelmente. Israel tinha efeitos sensíveis desse ir de Deus adiante deles naquela coluna: ela lhes mostrava o caminho naquele vasto e uivante deserto sem estrada, sem trilha, sem marcos, onde não tinham guias; quando marchavam, ia adiante, no passo que podiam seguir, e designava o lugar do acampamento, como via por bem a Sabedoria infinita — o que os aliviava do cuidado e os guardava do perigo, no mover e no descansar; abrigava-os de dia do calor, às vezes extremo; e de noite lhes dava luz, quando dela precisavam.

Temas: cristoprovidencia

Êxodo 13.22 §

Nota de John Wesley

Nunca tirou a coluna de nuvem — nem quando pareciam ter menos necessidade dela: nunca os deixou, até levá-los às fronteiras de Canaã. Era nuvem que o vento não podia dispersar. Havia algo espiritual nesta coluna de nuvem e fogo: os filhos de Israel foram batizados em Moisés nesta nuvem (1Co 10.2) — pondo-se debaixo dela, significavam pôr-se debaixo da condução e do comando de Moisés; a proteção atrai a lealdade: a nuvem era o distintivo da proteção de Deus, e assim se tornou o vínculo da sua obediência. Assim foram iniciados e admitidos sob aquele governo, agora que entravam no deserto. E ela significa a condução e proteção especiais sob que está a igreja de Cristo neste mundo.

Temas: igrejaprovidencia

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