Passa adiante do povo — embora falassem de apedrejá-lo. Deve levar consigo o seu bordão — não para convocar alguma praga que os castigasse, mas para tirar água para o seu suprimento. Oh, a maravilhosa paciência e longanimidade de Deus para com pecadores provocadores! Ele sustenta os que estão em guerra contra ele, e estende a mão da sua bondade aos que levantam contra ele o calcanhar. Se Deus tivesse apenas mostrado a Moisés uma fonte de água no deserto, como fez com Agar não longe dali (Gn 21.19), já teria sido grande favor; mas, para mostrar o seu poder junto com a sua piedade, e fazer disso um milagre de misericórdia, deu-lhes água de uma rocha. Indicou a Moisés aonde ir, mandou-o levar consigo anciãos de Israel, por testemunhas do que se fizesse, ordenou-lhe ferir a rocha — e ele o fez, e imediatamente saiu dela água em grande abundância, que correu pelo arraial em ribeiros e rios (Sl 78.15-16) e os seguiu por onde andaram naquele deserto. Deus mostrou o seu cuidado do seu povo, dando-lhe água quando lhe faltava; o seu próprio poder, tirando-a de uma rocha; e honrou Moisés, fazendo a água jorrar ao golpe do seu bordão. Esta bela água que saiu da rocha é chamada mel e azeite (Dt 32.13), porque a sede do povo a fazia duplamente agradável, vindo em extrema necessidade. É provável que o povo cavasse canais para a conduzir e tanques para a receber. Aprendamos daqui a viver em dependência: primeiro, da providência de Deus, mesmo nos maiores apertos e dificuldades; segundo, da graça de Cristo — aquela rocha era Cristo (1Co 10.4). As graças e consolos do Espírito são comparados a rios de água viva (Jo 7.38-39; 4.14) — e estes fluem de Cristo. Nada suprirá as necessidades e satisfará os desejos de uma alma senão água desta rocha. Deu-se ao lugar, nesta ocasião, um nome novo, que preservou a memória da murmuração deles: Massá — tentação, porque tentaram a Deus; Meribá — contenda, porque contenderam com Moisés.