Notas de John Wesley sobre a Bíblia Comentários bíblicos em português atual

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Êxodo 26

Referências: 26.126.1426.15-3026.31-37

Introdução ao capítulo

Moisés recebe aqui instruções: acerca das cortinas interiores do tabernáculo (v. 1-6); das cortinas exteriores (v. 7-13); da coberta que o devia proteger do tempo (v. 14); das tábuas que sustentariam as cortinas (v. 15-30); da divisão entre o lugar santo e o santíssimo (v. 31-35); e do véu da porta (v. 36-37). Estes pormenores parecem hoje de pouco uso para nós; mas, tendo sido de grande uso para Moisés e Israel, e tendo Deus por bem preservar-nos a sua memória, não devemos passá-los por alto.

Êxodo 26.1 §

Nota de John Wesley

As cortinas deviam ser bordadas com querubins, para indicar que os anjos de Deus acampam ao redor da igreja (Sl 34.7): como havia querubins sobre o propiciatório, havia-os ao redor do tabernáculo. Seriam duas peças de cinco panos cada, cosidos juntos, e as duas peças unidas por colchetes de ouro, de modo que fosse um só tabernáculo (v. 6). Assim as igrejas de Cristo, embora muitas, são uma só — bem ajustadas no santo amor e pela unidade do Espírito, crescendo juntas para templo santo no Senhor. Este tabernáculo era muito apertado e estreito; mas, à pregação do evangelho, manda-se à igreja alargar o lugar da sua tenda e estender as suas cortinas (Is 54.2).

Temas: igreja

Êxodo 26.14 §

Nota de John Wesley

Peles de texugo — assim traduzimos; mas parece antes ter sido algum couro forte (embora muito fino), pois lemos de calçado do melhor feito dele (Ez 16.10).

Êxodo 26.15-30 §

Nota de John Wesley

Dão-se aqui direções muito particulares sobre as tábuas do tabernáculo, que deviam sustentar as cortinas. Tinham encaixes que caíam nas bases de prata feitas para eles. As tábuas eram unidas por argolas de ouro em cima e embaixo, e mantidas firmes por travessas que corriam por argolões de ouro em cada tábua. Assim tudo no tabernáculo era esplêndido — conforme àquele estado infantil da igreja, quando tais coisas eram próprias para possuir a mente dos adoradores com reverência da glória divina. Em alusão a isto se diz que a nova Jerusalém é de ouro puro (Ap 21.18). Mas os edificadores da igreja do evangelho disseram: Não temos prata nem ouro — e contudo a glória do seu edifício excedeu de longe a do tabernáculo.

Temas: igreja

Êxodo 26.31-37 §

Nota de John Wesley

Ordena-se aqui fazer os véus: um para divisão entre o lugar santo e o santíssimo — que não só vedava a entrada, mas até o olhar para dentro do Santo dos Santos. Naquela dispensação a graça divina estava velada; agora a contemplamos com rosto descoberto. O apóstolo nos diz que este véu indicava que a lei cerimonial não podia aperfeiçoar os que a ela se chegavam: o caminho para o Santo dos Santos não estava manifesto enquanto o primeiro tabernáculo estava de pé; a vida e a imortalidade jaziam ocultas até serem trazidas à luz pelo evangelho — o que por isso foi significado pelo rasgar-se este véu na morte de Cristo. Temos agora ousadia de entrar no Santo dos Santos, em todos os atos de devoção, pelo sangue de Jesus — ousadia, porém, que nos obriga a santa reverência e ao humilde senso da nossa distância. O outro véu era para a porta exterior do tabernáculo: por ele entravam os sacerdotes todos os dias, para ministrar no lugar santo — mas não o povo (Hb 9.6). Este véu era toda a defesa do tabernáculo contra ladrões e salteadores; podia facilmente ser rompido, pois não se podia trancar nem aferrolhar, e a abundância de riqueza lá dentro, pensaria alguém, seria tentação. Mas, deixando-o assim exposto: primeiro, os sacerdotes e levitas ficavam tanto mais obrigados a vigiá-lo estritamente; segundo, Deus mostraria o seu cuidado da sua igreja na terra, embora fraca e indefesa e continuamente exposta. Uma cortina será (se Deus quiser fazê-la tal) defesa tão forte como portas de bronze e ferrolhos de ferro.

Temas: cristogracaigreja

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