Êxodo 28.1-6 §
Nota de John Wesley
Arão e seus filhos — até então, cada chefe de família era sacerdote da sua própria casa. Mas agora as famílias de Israel começavam a incorporar-se em nação, e havia de erigir-se um tabernáculo da congregação, como centro visível da sua unidade: era preciso instituir um sacerdócio público. Moisés, que até ali oficiara — e por isso é contado entre os sacerdotes do SENHOR (Sl 99.6) —, tinha que fazer de sobra como profeta, consultando por eles o oráculo, e como príncipe, julgando entre eles. Nem desejava açambarcar todas as honras para si, ou vincular à sua própria família a do sacerdócio, a única hereditária; antes se alegrou de ver o irmão Arão investido neste ofício, e os filhos dele depois dele — enquanto os seus próprios filhos, por grande que ele fosse, não passariam de levitas comuns. É mostra da humildade daquele grande homem, e prova do seu sincero zelo pela glória de Deus, o pouco caso que fez da promoção da própria família. Arão, que humildemente servira de profeta ao seu irmão mais novo, Moisés, sem recusar o ofício, é agora elevado a sacerdote de Deus. Deus dissera a Israel, em geral, que lhe seriam um reino de sacerdotes; mas, porque convinha que os que ministravam ao altar se dessem inteiramente ao serviço, Deus escolheu dentre eles uma família de sacerdotes — o pai e os seus quatro filhos; e dos lombos de Arão descenderam todos os sacerdotes da igreja judaica de que lemos no Antigo e no Novo Testamento. As vestes dos sacerdotes eram feitas para glória e ornamento (v. 2) — deviam prover-se materiais dos mais ricos, e empregar-se os melhores artífices, cuja perícia Deus, por dom especial, elevaria a alto grau. A eminência, mesmo nas artes comuns, é dom de Deus: dele vem, e para ele deve ser usada. As vestes ordenadas eram: quatro que tanto o sumo sacerdote como os inferiores vestiam — os calções de linho, a túnica de linho, o cinto de linho que a prendia e a tiara (a do sumo sacerdote chama-se mitra); e mais quatro peculiares ao sumo sacerdote — a estola sacerdotal com o seu cinto de obra esmerada, o peitoral do juízo, o manto comprido e a lâmina de ouro na testa. Estas vestes gloriosas foram ordenadas: para que os próprios sacerdotes se lembrassem da dignidade do seu ofício; para que o povo se possuísse de santa reverência daquele Deus cujos ministros compareciam em tal grandeza; e para que os sacerdotes fossem figuras de Cristo, e de todos os cristãos, que são revestidos da formosura da santidade. A estola sacerdotal (v. 6) era a veste mais exterior do sumo sacerdote; estolas de linho vestiam-nas os sacerdotes inferiores, mas esta chamava-se estola de ouro, pelo muito ouro nela tecido. Era uma túnica curta, sem mangas, abotoada rente ao corpo com um cinto esmerado do mesmo estofo. As ombreiras uniam-se por duas pedras preciosas engastadas em ouro, uma em cada ombro. Em alusão a isto, Cristo, o nosso sumo sacerdote, apareceu a João cingido à altura do peito com um cinto de ouro, como o cinto esmerado da estola (Ap 1.13): a justiça é o cinto dos seus lombos; ele está cingido de força para a obra da nossa salvação. E, como Arão levava os nomes de todo o Israel sobre os ombros, em pedras preciosas, assim ele apresenta a si mesmo, e ao Pai, uma igreja gloriosa (Ef 5.27): leva-os diante do SENHOR por memorial, em sinal de que comparece diante de Deus como representante de todo o Israel e advogado deles.