Notas de John Wesley sobre a Bíblia Comentários bíblicos em português atual

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Êxodo 28

Referências: 28.1-628.11-2928.3028.3128.3228.33-3928.43

Introdução ao capítulo

Neste capítulo e no seguinte cuida-se dos sacerdotes que haviam de ministrar neste lugar santo. Aqui, Deus escolhe as pessoas que seriam seus servos (v. 1) e determina a sua vestimenta — a sua obra era santa, e assim deviam ser as suas vestes, correspondentes à glória da casa que agora se ia erigir (v. 2-5): as vestes do sumo sacerdote — a estola sacerdotal (éfode) com o seu cinto (v. 6-14), o peitoral do juízo (v. 15-29) com o Urim e o Tumim (v. 30), o manto da estola (v. 31-35) e a mitra (v. 36-39) — e as vestes dos sacerdotes inferiores (v. 40-43).

Êxodo 28.1-6 §

Nota de John Wesley

Arão e seus filhos — até então, cada chefe de família era sacerdote da sua própria casa. Mas agora as famílias de Israel começavam a incorporar-se em nação, e havia de erigir-se um tabernáculo da congregação, como centro visível da sua unidade: era preciso instituir um sacerdócio público. Moisés, que até ali oficiara — e por isso é contado entre os sacerdotes do SENHOR (Sl 99.6) —, tinha que fazer de sobra como profeta, consultando por eles o oráculo, e como príncipe, julgando entre eles. Nem desejava açambarcar todas as honras para si, ou vincular à sua própria família a do sacerdócio, a única hereditária; antes se alegrou de ver o irmão Arão investido neste ofício, e os filhos dele depois dele — enquanto os seus próprios filhos, por grande que ele fosse, não passariam de levitas comuns. É mostra da humildade daquele grande homem, e prova do seu sincero zelo pela glória de Deus, o pouco caso que fez da promoção da própria família. Arão, que humildemente servira de profeta ao seu irmão mais novo, Moisés, sem recusar o ofício, é agora elevado a sacerdote de Deus. Deus dissera a Israel, em geral, que lhe seriam um reino de sacerdotes; mas, porque convinha que os que ministravam ao altar se dessem inteiramente ao serviço, Deus escolheu dentre eles uma família de sacerdotes — o pai e os seus quatro filhos; e dos lombos de Arão descenderam todos os sacerdotes da igreja judaica de que lemos no Antigo e no Novo Testamento. As vestes dos sacerdotes eram feitas para glória e ornamento (v. 2) — deviam prover-se materiais dos mais ricos, e empregar-se os melhores artífices, cuja perícia Deus, por dom especial, elevaria a alto grau. A eminência, mesmo nas artes comuns, é dom de Deus: dele vem, e para ele deve ser usada. As vestes ordenadas eram: quatro que tanto o sumo sacerdote como os inferiores vestiam — os calções de linho, a túnica de linho, o cinto de linho que a prendia e a tiara (a do sumo sacerdote chama-se mitra); e mais quatro peculiares ao sumo sacerdote — a estola sacerdotal com o seu cinto de obra esmerada, o peitoral do juízo, o manto comprido e a lâmina de ouro na testa. Estas vestes gloriosas foram ordenadas: para que os próprios sacerdotes se lembrassem da dignidade do seu ofício; para que o povo se possuísse de santa reverência daquele Deus cujos ministros compareciam em tal grandeza; e para que os sacerdotes fossem figuras de Cristo, e de todos os cristãos, que são revestidos da formosura da santidade. A estola sacerdotal (v. 6) era a veste mais exterior do sumo sacerdote; estolas de linho vestiam-nas os sacerdotes inferiores, mas esta chamava-se estola de ouro, pelo muito ouro nela tecido. Era uma túnica curta, sem mangas, abotoada rente ao corpo com um cinto esmerado do mesmo estofo. As ombreiras uniam-se por duas pedras preciosas engastadas em ouro, uma em cada ombro. Em alusão a isto, Cristo, o nosso sumo sacerdote, apareceu a João cingido à altura do peito com um cinto de ouro, como o cinto esmerado da estola (Ap 1.13): a justiça é o cinto dos seus lombos; ele está cingido de força para a obra da nossa salvação. E, como Arão levava os nomes de todo o Israel sobre os ombros, em pedras preciosas, assim ele apresenta a si mesmo, e ao Pai, uma igreja gloriosa (Ef 5.27): leva-os diante do SENHOR por memorial, em sinal de que comparece diante de Deus como representante de todo o Israel e advogado deles.

Temas: cristoservicosantidade

Êxodo 28.11-29 §

Nota de John Wesley

Engastes (v. 11) — cavidades, como as que se fazem nos anéis de ouro, para receber e prender as pedras preciosas. O mais considerável dos ornamentos do sumo sacerdote era o peitoral (v. 15) — rica peça de estofo, primorosamente lavrada com ouro e púrpura, de dois palmos de comprimento e um de largura, de modo que, dobrada, ficava um palmo em quadro. Neste peitoral as tribos de Israel eram recomendadas ao favor de Deus em doze pedras preciosas. Discute-se se Levi tinha, ou não, pedra com o seu nome: se não, Efraim e Manassés contavam-se à parte, como Jacó dissera que seriam, e o próprio sumo sacerdote, cabeça da tribo de Levi, suficientemente a representava. Arão devia levar os seus nomes por memorial diante do SENHOR continuamente — constituído a favor dos homens, para os representar nas coisas concernentes a Deus: figurando nisso o nosso grande Sumo Sacerdote, que sempre comparece na presença de Deus por nós. O nome de cada tribo era gravado numa pedra preciosa, para significar quão preciosos são os crentes aos olhos de Deus, e quão honrados (Is 43.4). O sumo sacerdote levava os nomes das tribos nos ombros e no peito — denotando o poder e o amor com que o nosso Senhor Jesus intercede por nós. Quão perto do nosso coração deveria estar o nome de Cristo, já que lhe apraz pôr os nossos nomes tão perto do seu! E que consolo, em todas as nossas aproximações de Deus, que o grande Sumo Sacerdote da nossa confissão tenha os nomes de todo o seu Israel sobre o peito, diante do SENHOR, por memorial, apresentando-os a Deus!

Temas: cristo

Êxodo 28.30 §

Nota de John Wesley

O Urim e o Tumim — pelos quais a vontade de Deus se dava a conhecer nos casos duvidosos — foram postos neste peitoral, que por isso se chama peitoral do juízo. Urim e Tumim significam luzes e perfeições. Muitas são as conjecturas dos doutos sobre o que eram; não temos razão de pensar que fossem algo que Moisés devesse fazer além do já ordenado: ou Deus mesmo os fez e os deu a Moisés, para os pôr no peitoral quando o mais estivesse pronto, ou nada mais se quer dizer senão a declaração de um novo uso do que já se mandara fazer. As palavras podem ler-se assim: e porás — ou acrescentarás — ao peitoral do juízo as iluminações e perfeições, e estarão sobre o coração de Arão — isto é, ele será dotado do poder de conhecer e dar a conhecer a mente de Deus em todos os casos difíceis, civis ou eclesiásticos. O seu governo era teocracia: Deus era o seu rei; o sumo sacerdote, debaixo de Deus, o seu governante; e este Urim e Tumim era o seu conselho de gabinete. Provavelmente Moisés escreveu no peitoral, ou nele teceu, as palavras Urim e Tumim, para significar que o sumo sacerdote, trazendo este peitoral e pedindo conselho a Deus em qualquer emergência, seria dirigido às medidas que Deus aprovaria. Se estava diante da arca, provavelmente recebia instruções de sobre o propiciatório, como Moisés (Êx 25.22); se longe da arca, como Abiatar quando consultou o SENHOR por Davi (1Sm 23.6), a resposta vinha ou por voz do céu, ou por impulso na mente do sumo sacerdote — o que talvez se insinue na expressão: levará o juízo dos filhos de Israel sobre o seu coração. Este oráculo foi de grande uso a Israel: Josué o consultou (Nm 27.21), e provavelmente os juízes depois dele. Perdeu-se no cativeiro e nunca mais se recobrou. Era sombra dos bens vindouros, e a substância é Cristo: ele é o nosso oráculo; por ele Deus, nestes últimos dias, se dá a conhecer a nós, e à sua mente; a revelação divina centra-se nele e nos chega por ele; ele é a luz, a luz verdadeira, a testemunha fiel — e dele recebemos o Espírito da verdade, que guia a toda a verdade. O unir-se o peitoral à estola denota que o seu ofício profético se fundava no seu sacerdócio: foi pelo mérito da sua morte que comprou esta honra para si e este favor para nós. Foi o Cordeiro que fora morto que se achou digno de tomar o livro e abrir os seus selos (Ap 5.9).

Temas: cristo

Êxodo 28.31 §

Nota de John Wesley

O manto da estola — ficava logo abaixo dela e descia até os joelhos, sem mangas; vestia-se pela cabeça, com aberturas dos lados para os braços — ou, como o descreve Maimônides, não era cosido dos lados. A abertura de cima, por onde passava a cabeça, era cuidadosamente debruada, para não se rasgar ao vestir. As campainhas davam aviso ao povo no átrio exterior de quando ele entrava no lugar santo para queimar incenso, para que então se aplicassem, ao mesmo tempo, às suas devoções (Lc 1.10) — em sinal do seu concurso com ele e da sua esperança de que as suas orações subissem a Deus na virtude do incenso que ele oferecia. Arão devia chegar-se para ministrar com as vestes que lhe foram ordenadas, para que não morresse: por sua conta e risco compareceria de outro modo que não segundo a instituição.

Êxodo 28.32 §

Nota de John Wesley

Como abertura de saia de malha — de cota de armas.

Êxodo 28.33-39 §

Nota de John Wesley

Romãs (v. 33) — figuras de romãs, mas chatas e bordadas. Na lâmina de ouro fixada na testa de Arão (v. 36) — como meia coroa, indo, dizem os judeus, de orelha a orelha — devia gravar-se: Santidade ao SENHOR. Com isso Arão devia lembrar-se de que Deus é santo, e de que santos devem ser os seus sacerdotes. O sumo sacerdote devia ser consagrado a Deus, e com ele todas as suas ministrações. Todos os que servem na casa de Deus devem ter Santidade ao SENHOR gravado na testa — isto é, devem ser santos, devotados ao SENHOR, visando à sua glória em tudo o que fazem; e isso deve aparecer-lhes na testa: na profissão aberta da sua relação com Deus, como quem não se envergonha de a confessar, e numa vida que lhe corresponda. Deve também estar gravado como as gravuras de um sinete — fundo e durável; não pintado, que se possa lavar, mas sincero e permanente. Arão devia ter isto na testa para levar a iniquidade das coisas santas, e para que fossem aceitas diante do SENHOR (v. 38) — nisto era figura de Cristo, o grande Mediador entre Deus e os homens. Por ele se perdoa o que há de errado nos nossos serviços — que seria a nossa ruína, se Deus entrasse em juízo conosco; mas Cristo, o nosso sumo sacerdote, leva esta iniquidade: leva-a por nós, de modo a levá-la para longe de nós. Por ele, igualmente, o que há de bom é aceito: as nossas pessoas e os nossos atos agradam a Deus por causa da intercessão de Cristo, e não de outro modo. Sendo ele Santidade ao SENHOR, recomenda ao favor divino todos os que nele creem. Tendo tal sumo sacerdote, chegamos com ousadia ao trono da graça. A túnica bordada de linho fino (v. 39) era a mais interior das vestes sacerdotais; descia até os pés, com mangas até os punhos, e prendia-se ao corpo com um cinto de obra de agulha. A mitra, ou diadema, era de linho — qual antigamente traziam os reis no Oriente, figurando o ofício régio de Cristo.

Temas: cristosantidade

Êxodo 28.43 §

Nota de John Wesley

Estatuto perpétuo — isto é, deve durar enquanto durar o sacerdócio; e terá a sua perpetuidade na substância de que estas coisas eram sombras.

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