Talvez a repetição das palavras Disse o SENHOR a Moisés — aqui e nos v. 17, 22 e 34 — indique que Deus não entregou estes preceitos a Moisés em discurso contínuo, mas com muitas pausas, dando-lhe tempo de escrever o que lhe era dito, ou ao menos de o fixar na memória. Quanto ao resgate (v. 12): alguns pensam que se refere só ao primeiro recenseamento, quando se armou o tabernáculo, e que este tributo veio completar o que faltava das contribuições voluntárias; outros, que valia sempre que o povo fosse recenseado — e que Davi pecou por não o exigir quando contou o povo; mas muitos escritores judeus opinam que devia ser tributo anual, apenas começado quando Moisés recenseou o povo pela primeira vez. Foi este o tributo que Cristo pagou, para não escandalizar os seus adversários. O tributo era meio siclo. Nas outras ofertas cada um dava conforme as suas posses; mas esta, que era o resgate da alma, devia ser igual para todos: pois os ricos precisam de Cristo tanto quanto os pobres, e os pobres lhe são tão bem-vindos quanto os ricos. E pagava-se como resgate da alma, para que não houvesse praga entre eles — com isso reconheciam que receberam de Deus a vida, que a tinham perdido para ele por sua culpa, e que dependiam do seu poder e paciência para a sua continuação; assim prestavam homenagem ao Deus da sua vida e deprecavam as pragas que os seus pecados mereciam. Este dinheiro empregava-se no serviço do tabernáculo: com ele se compravam sacrifícios, flor de farinha, incenso, vinho, azeite, lenha, sal, vestes sacerdotais e tudo o mais que interessava à congregação inteira. A bacia (v. 18) era um vaso grande, que comportava boa quantidade de água. A base de bronze, supõe-se, era feita de modo a receber a água que se soltava da bacia por bicas ou torneiras. Eles tinham então uma bacia, só para os sacerdotes se lavarem; mas para nós há agora uma fonte aberta para Judá e Jerusalém (Zc 13.1) — fonte inesgotável de água viva: é culpa nossa se permanecemos na nossa imundícia. Arão e os seus filhos deviam lavar ali as mãos e os pés cada vez que entrassem a ministrar; para isso se punha na bacia água limpa, renovada cada dia. Por mais que se lavassem nas suas casas, não bastava: deviam lavar-se na bacia. Isto se destinava a ensinar-lhes pureza em todas as suas ministrações e a possuí-los de reverência pela santidade de Deus e de horror às imundícias do pecado. Não bastava lavarem-se e ficarem limpos na primeira consagração: deviam lavar-se e conservar-se limpos sempre que entrassem a ministrar. Só estará no santo lugar de Deus quem tem mãos limpas e coração puro (Sl 24.3-4). E era para nos ensinar, a nós, que diariamente comparecemos diante de Deus, a renovar diariamente o arrependimento do pecado e a aplicação crente do sangue de Cristo à nossa alma, para remissão.