Notas de John Wesley sobre a Bíblia Comentários bíblicos em português atual

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Êxodo 30

Referências: 30.1-630.7-930.1030.11-2130.2330.34-38

Introdução ao capítulo

Moisés é aqui instruído: acerca do altar do incenso (v. 1-10); do dinheiro do resgate, que os israelitas deviam pagar ao serem recenseados (v. 11-16); da bacia de bronze (v. 17-21); do óleo da unção (v. 22-33); e do incenso e perfume que se havia de queimar no altar de ouro (v. 34-38).

Êxodo 30.1-6 §

Nota de John Wesley

O altar do incenso devia ter cerca de um metro de altura e meio metro em quadro, com pontas nos cantos, uma moldura de ouro ao redor, e argolas e varais de ouro para o transporte (v. 1-5). Não parece que este altar tivesse grelha para a cinza cair e ser retirada; mas, ao queimarem o incenso, trazia-se um incensário de ouro com brasas e punha-se sobre o altar, e nesse incensário se queimava o incenso — e com ele se retiravam todas as brasas, de sorte que nem brasa nem cinza caía sobre o altar. O altar do incenso no templo de Ezequiel tem o dobro do tamanho deste (Ez 41.22), e lá se chama altar de madeira, sem menção de ouro — para significar que, nos tempos do evangelho, o incenso seria espiritual, o culto simples e o serviço de Deus dilatado. Foi posto diante do véu, do lado de fora daquela divisão, mas diante do propiciatório, que estava dentro do véu. Pois, embora quem ministrava naquele altar não pudesse ver o propiciatório, interpondo-se o véu, devia olhar na sua direção e dirigir para lá o seu incenso — para nos ensinar que, embora não possamos ver com os olhos do corpo o trono da graça, aquele bendito propiciatório, devemos na oração, pela fé, pôr-nos diante dele, dirigir a nossa oração e olhar para o alto.

Temas: oracao

Êxodo 30.7-9 §

Nota de John Wesley

Arão devia queimar incenso aromático sobre este altar cada manhã e cada tarde — destinado não só a tirar o mau cheiro da carne diariamente queimada no altar de bronze, mas à honra de Deus, e para mostrar quão aceitáveis lhe eram os serviços do seu povo. Como pelas ofertas do altar de bronze se fazia satisfação pelo que se fizera desagradável a Deus, assim pela oferta deste o que faziam de bom era como que recomendado à aceitação divina.

Temas: oracao

Êxodo 30.10 §

Nota de John Wesley

Este altar era purificado com o sangue da oferta pelo pecado, posto nas suas pontas cada ano, no dia da expiação (veja Lv 16.18).

Êxodo 30.11-21 §

Nota de John Wesley

Talvez a repetição das palavras Disse o SENHOR a Moisés — aqui e nos v. 17, 22 e 34 — indique que Deus não entregou estes preceitos a Moisés em discurso contínuo, mas com muitas pausas, dando-lhe tempo de escrever o que lhe era dito, ou ao menos de o fixar na memória. Quanto ao resgate (v. 12): alguns pensam que se refere só ao primeiro recenseamento, quando se armou o tabernáculo, e que este tributo veio completar o que faltava das contribuições voluntárias; outros, que valia sempre que o povo fosse recenseado — e que Davi pecou por não o exigir quando contou o povo; mas muitos escritores judeus opinam que devia ser tributo anual, apenas começado quando Moisés recenseou o povo pela primeira vez. Foi este o tributo que Cristo pagou, para não escandalizar os seus adversários. O tributo era meio siclo. Nas outras ofertas cada um dava conforme as suas posses; mas esta, que era o resgate da alma, devia ser igual para todos: pois os ricos precisam de Cristo tanto quanto os pobres, e os pobres lhe são tão bem-vindos quanto os ricos. E pagava-se como resgate da alma, para que não houvesse praga entre eles — com isso reconheciam que receberam de Deus a vida, que a tinham perdido para ele por sua culpa, e que dependiam do seu poder e paciência para a sua continuação; assim prestavam homenagem ao Deus da sua vida e deprecavam as pragas que os seus pecados mereciam. Este dinheiro empregava-se no serviço do tabernáculo: com ele se compravam sacrifícios, flor de farinha, incenso, vinho, azeite, lenha, sal, vestes sacerdotais e tudo o mais que interessava à congregação inteira. A bacia (v. 18) era um vaso grande, que comportava boa quantidade de água. A base de bronze, supõe-se, era feita de modo a receber a água que se soltava da bacia por bicas ou torneiras. Eles tinham então uma bacia, só para os sacerdotes se lavarem; mas para nós há agora uma fonte aberta para Judá e Jerusalém (Zc 13.1) — fonte inesgotável de água viva: é culpa nossa se permanecemos na nossa imundícia. Arão e os seus filhos deviam lavar ali as mãos e os pés cada vez que entrassem a ministrar; para isso se punha na bacia água limpa, renovada cada dia. Por mais que se lavassem nas suas casas, não bastava: deviam lavar-se na bacia. Isto se destinava a ensinar-lhes pureza em todas as suas ministrações e a possuí-los de reverência pela santidade de Deus e de horror às imundícias do pecado. Não bastava lavarem-se e ficarem limpos na primeira consagração: deviam lavar-se e conservar-se limpos sempre que entrassem a ministrar. Só estará no santo lugar de Deus quem tem mãos limpas e coração puro (Sl 24.3-4). E era para nos ensinar, a nós, que diariamente comparecemos diante de Deus, a renovar diariamente o arrependimento do pecado e a aplicação crente do sangue de Cristo à nossa alma, para remissão.

Temas: santidaderedencao

Êxodo 30.23 §

Nota de John Wesley

Os intérpretes não concordam sobre estes ingredientes: as especiarias, que ao todo chegavam perto de vinte e cinco quilos, deviam ser infundidas no azeite — uns cinco ou seis litros — e depois coadas, deixando no azeite um perfume admirável. Com este óleo deviam ungir-se a tenda de Deus e todos os seus utensílios; e usava-se também na consagração dos sacerdotes. Devia continuar pelas suas gerações (v. 31): Salomão foi ungido com ele (1Rs 1.39), e alguns outros reis, e todos os sumos sacerdotes — com tal quantidade que descia até as orlas das vestes; e lemos do seu preparo em 1 Crônicas 9.30. Contudo, todos concordam que no segundo templo não havia deste óleo santo — provavelmente por entenderem que não era lícito prepará-lo de novo: a Providência serviu-se dessa falta como presságio da unção melhor do Espírito Santo nos tempos do evangelho, cuja variedade de dons era figurada por aqueles doces ingredientes.

Temas: espirito santo

Êxodo 30.34-38 §

Nota de John Wesley

O incenso queimado no altar de ouro preparava-se igualmente de especiarias aromáticas, embora não tão raras e ricas como as do óleo da unção. Preparava-se uma vez por ano (dizem os judeus): uma libra para cada dia do ano, e três libras a mais para o dia da expiação. Ao ser usado, devia ser moído bem fino: assim aprouve ao SENHOR moer o Redentor, quando se ofereceu em sacrifício de suave cheiro. Sobre ambos os preparos dá-se aqui a mesma lei: que não se fizesse igual para uso comum. Assim Deus conservaria na mente do povo a reverência pelas suas próprias instituições, e nos ensina a não profanar nem abusar de coisa alguma pela qual Deus se dá a conhecer.

Temas: cristo

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