Duas coisas são especialmente notáveis neste relato da posteridade de Sem. Na descrição de Sem (v. 21), temos não só o seu nome — Sem, que significa nome —, mas dois títulos que o distinguem. Primeiro: ele foi o pai de todos os filhos de Héber. Héber era seu bisneto; por que então seria chamado pai de todos os filhos dele, e não dos de Arfaxade ou de Salá? Provavelmente porque Abraão e a sua descendência não só descenderam de Héber, mas dele foram chamados hebreus. O próprio Héber, podemos supor, foi homem eminente em religião num tempo de apostasia geral; e, sendo a língua santa comumente chamada, por causa dele, de hebraica, é provável que ele a tenha conservado na sua família em meio à confusão de Babel, como sinal especial do favor de Deus. Segundo: ele era irmão de Jafé, o mais velho — donde se vê que, embora Sem seja comumente posto em primeiro lugar, não era o primogênito de Noé: Jafé era mais velho. Mas por que registrar também isto, que era irmão de Jafé, se já fora dito? Provavelmente para significar a união dos gentios com os judeus na igreja. Mencionara-se, como honra de Sem, ser ele o pai dos hebreus; mas, para que a descendência de Jafé não parecesse por isso excluída da igreja, lembra-se aqui que ele era irmão de Jafé — não só no nascimento, mas na bênção, pois Jafé havia de habitar nas tendas de Sem. E a razão do nome de Pelegue (v. 25): porque nos seus dias — isto é, por volta do seu nascimento — foi dividida a terra entre os filhos dos homens que a haviam de habitar: ou quando Noé a dividiu, numa distribuição ordenada, como Josué dividiu a terra de Canaã por sortes, ou quando, pela recusa deles em aceitar essa divisão, Deus, em justiça, os dividiu pela confusão das línguas.