Gênesis 9.1-4 §
Nota de John Wesley
E Deus abençoou Noé e seus filhos — assegurou-lhes a sua boa vontade e as suas graciosas intenções a respeito deles. A primeira bênção é aqui renovada: Sede fecundos, multiplicai-vos e enchei a terra — e repetida no versículo 7, pois a raça humana havia, por assim dizer, de começar de novo. Em virtude dessa bênção, a humanidade seria multiplicada e perpetuada sobre a terra, de modo que em pouco tempo todas as partes habitáveis estariam mais ou menos habitadas; e, embora uma geração passasse, outra viria — a corrente da raça humana correndo em sucessão constante, paralela à corrente do tempo, até que ambas sejam tragadas pelo oceano da eternidade. Deus lhes concede também poder sobre as criaturas inferiores (v. 2): um título sobre elas — nas vossas mãos são entregues, para vosso uso e benefício — e um domínio sobre elas, sem o qual o título de pouco valeria: O medo e o pavor de vós estarão sobre todo animal. Isso reaviva a concessão anterior (Gn 1.28), com esta diferença: o homem, na inocência, governava pelo amor; o homem caído governa pelo medo. E até hoje temos o benefício disso: as criaturas que nos são úteis são domesticadas, e as usamos para serviço ou alimento; as que nos são nocivas são refreadas — de modo que, embora aqui e ali alguém seja ferido por alguma delas, elas não se coligam para levantar-se em rebelião contra o homem. Tudo o que se move e vive vos servirá de alimento (v. 3) — até então o homem estivera limitado aos produtos da terra: frutas, ervas, raízes, cereais e leite; assim fora a primeira concessão (Gn 1.29). Mas o dilúvio talvez tivesse lavado muito da virtude da terra, tornando os seus frutos menos saborosos e menos nutritivos; por isso Deus agora ampliou a concessão e permitiu ao homem comer carne — coisa em que talvez o próprio homem nunca tivesse pensado até então. Os preceitos e ressalvas desta carta de privilégios não são menos bondosos e graciosos, mostras da boa vontade de Deus para com o homem. Os doutores judeus falam tanto dos sete preceitos de Noé — ou dos filhos de Noé —, que dizem deverem ser observados por todas as nações, que não é descabido registrá-los: o primeiro, contra o culto aos ídolos; o segundo, contra a blasfêmia, exigindo bendizer o nome de Deus; o terceiro, contra o homicídio; o quarto, contra o incesto e toda impureza; o quinto, contra o furto e a rapina; o sexto, exigindo a administração da justiça; o sétimo, contra comer a carne com a sua vida. Os judeus exigiam a observância deles dos prosélitos da porta. Mas os preceitos aqui dados dizem todos respeito à vida do homem — o homem não deve prejudicar a própria vida comendo o que é insalubre e nocivo à saúde. A carne, porém, com a sua vida, isto é, com o seu sangue, não comereis (v. 4) — o sangue fazia expiação pela alma (Lv 17.11): a vida do sacrifício era aceita pela vida do pecador. O sangue não devia ser tratado como coisa comum, mas derramado perante o SENHOR (2Sm 23.16).
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