E sentiu o SENHOR o suave cheiro — ou cheiro de descanso, como está no hebraico. Ele se agradou do zelo piedoso de Noé e desses promissores começos do novo mundo, como os homens se agradam de aromas suaves. Não tornarei a amaldiçoar a terra — no hebraico: não acrescentarei mais maldição à terra. Deus amaldiçoara a terra à primeira entrada do pecado (Gn 3.17); ao inundá-la, acrescentou àquela maldição; agora resolve não acrescentar mais. Nem tornarei a ferir todo ser vivente — isto é: ficou determinado que, quaisquer que fossem as ruínas que Deus trouxesse sobre pessoas, famílias ou países em particular, nunca mais destruiria o mundo inteiro, até o dia em que o tempo já não existirá. Mas a razão dessa resolução surpreende, pois parece a mesma dada para a destruição do mundo (Gn 6.5): porque a inclinação do coração do homem é má desde a sua mocidade. Há, porém, esta diferença: lá se diz que a inclinação do coração do homem é má continuamente — as suas transgressões atuais clamam continuamente contra ele; aqui se diz que é má desde a mocidade, desde a infância — ele a trouxe consigo ao mundo, nela foi formado e concebido. Poder-se-ia esperar que se seguisse: portanto, seja essa raça culpada inteiramente extinta. Não: portanto, não usarei mais esse método severo — pois o homem é antes de lastimar, e não se poderia esperar outra coisa de uma raça tão degenerada; de modo que, se fosse tratado segundo os seus merecimentos, um dilúvio teria de suceder a outro até que tudo fosse destruído. Deus promete também que o curso da natureza jamais será interrompido: enquanto durar a terra, e o homem sobre ela, haverá verão e inverno — não só inverno, como fora naquele último ano —, dia e noite — não só noite, como provavelmente foi enquanto a chuva descia. Insinua-se aqui claramente que esta terra não há de permanecer para sempre: ela e as obras que nela há serão em breve queimadas. Mas, enquanto permanecer, a providência de Deus preservará cuidadosamente a sucessão regular dos tempos e das estações. A isso devemos que o mundo se mantenha e a roda da natureza siga o seu curso. Veja aqui quão mudáveis são os tempos — e, contudo, quão imutáveis: o curso da natureza sempre mudando — como com os tempos, assim com os acontecimentos do tempo, sujeitos a vicissitudes, dia e noite, verão e inverno alternando-se; no céu e no inferno não é assim, mas na terra Deus pôs um em frente ao outro —; e, contudo, nunca mudado: constante nessa mesma inconstância. Essas estações nunca cessaram, nem cessarão, enquanto o sol continuar sendo tão firme medidor do tempo, e a lua, testemunha fiel no céu. Esta é a aliança de Deus com o dia e com a noite, cuja estabilidade é mencionada para confirmar a nossa fé na aliança da graça, que não é menos inviolável (Jr 33.20). Vemos cumpridas as promessas de Deus às criaturas — e daí podemos inferir que as suas promessas aos crentes também o serão.