Notas de John Wesley sobre a Bíblia Comentários bíblicos em português atual

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Gênesis 7

Referências: 7.17.2-37.47.7-127.14-167.207.21-23

Introdução ao capítulo

Temos neste capítulo: o gracioso chamado de Deus a Noé para entrar na arca (v. 1), trazendo consigo as criaturas que deviam ser preservadas vivas (v. 2-3), em vista do dilúvio iminente (v. 4); a obediência de Noé (v. 5), que entrou na arca com a sua família (v. 6-7) e trouxe consigo as criaturas (v. 8-9) — relato repetido nos versículos 13-16, ao qual se acrescenta o terno cuidado de Deus em fechá-lo por fora; a vinda do dilúvio anunciado (v. 10), as suas causas (v. 11-12) e o seu avanço (v. 17-20); as terríveis desolações que produziu, na morte de todo ser vivente sobre a terra, exceto os que estavam na arca (v. 21-23); e a sua permanência em plena força, antes de começar a baixar, por cento e cinquenta dias (v. 24).

Gênesis 7.1 §

Nota de John Wesley

Eis aqui o gracioso convite a Noé e à sua família para um lugar de segurança, agora que vinha o dilúvio das águas. Porque a ti tenho visto justo diante de mim nesta geração — justos de verdade são os que são justos diante de Deus; os que têm não apenas a forma da piedade, pela qual parecem justos diante dos homens — que facilmente se deixam enganar —, mas o poder dela, pelo qual se aprovam diante de Deus, que sonda o coração.

Temas: justicasantidade

Gênesis 7.2-3 §

Nota de John Wesley

Dão-se aqui as ordens necessárias a respeito dos animais que deviam ser preservados vivos com Noé na arca. Ele devia conservar cuidadosamente cada espécie, para que nenhuma tribo — nem a menos considerável — perecesse por completo da criação. Observe nisso: primeiro, o cuidado de Deus pelo homem. Acaso Deus cuida de bois (1Co 9.9)? Ou não foi antes por causa do homem que se teve esse cuidado? Segundo, até os animais imundos, os de menor valor, foram preservados vivos na arca; pois as ternas misericórdias de Deus estão sobre todas as suas obras — e não apenas sobre as mais úteis. Terceiro, ainda assim, preservaram-se mais animais limpos do que imundos: porque os limpos eram mais para o serviço do homem — e, em favor dele, mais deles foram preservados e ainda se propagam (graças a Deus, não há manadas de leões como há de bois, nem rebanhos de tigres como há de ovelhas); e porque os limpos serviam para o sacrifício a Deus — e, em honra a ele, mais deles foram preservados: três casais para a reprodução e o sétimo, avulso, para o sacrifício (Gn 8.20).

Temas: providencia

Gênesis 7.4 §

Nota de John Wesley

Ainda sete dias, e farei chover — 'passarão ainda sete dias antes que eu o faça'. Expirados os cento e vinte anos, Deus lhes concede um adiamento de mais sete dias — tanto para mostrar quão tardio é em irar-se quanto para lhes dar mais algum espaço de arrependimento. Tudo em vão: esses sete dias foram desperdiçados como todos os anteriores, e eles continuaram despreocupados até o dia em que o dilúvio veio. Enquanto Noé lhes falava do juízo à distância, sentiam-se tentados a adiar o arrependimento; agora, porém, ele é mandado dizer-lhes que o juízo está à porta — que lhes resta uma única semana para se converterem, a ver se isso, enfim, os desperta para considerar as coisas que pertencem à sua paz. Mas é comum que os que foram descuidados com a própria alma durante os anos de saúde, quando viam a morte de longe, continuem igualmente descuidados durante os dias — os sete dias — da sua enfermidade, quando a veem aproximar-se: o coração endurecido pelo engano do pecado.

Temas: arrependimentojuizo

Gênesis 7.7-12 §

Nota de John Wesley

E entrou Noé com os seus filhos, a sua mulher e as mulheres dos seus filhos — e os animais entraram prontamente com ele. A mesma mão que no princípio os trouxera a Adão, para que lhes desse nome, agora os trazia a Noé, para que fossem preservados. No ano seiscentos da vida de Noé — 1.656 anos desde a criação —, no segundo mês, aos dezessete dias do mês (v. 11) — o que se calcula ser por volta do início de novembro, de modo que Noé acabara de ter uma colheita com que abastecer a arca. Naquele mesmo dia romperam-se as fontes do grande abismo — não foi preciso criar novas águas: Deus guarda o abismo em depósitos (Sl 33.7), e agora abriu esses depósitos. Na criação, Deus pusera trancas e portas às águas do mar, para que não voltassem a cobrir a terra (Sl 104.9; Jó 38.9-11); agora apenas removeu esses antigos diques, e as águas do mar voltaram a cobrir a terra, como no princípio (Gn 1.9). E as janelas dos céus se abriram — e as águas que estavam acima do firmamento despejaram-se sobre o mundo: os tesouros que Deus reservou para o tempo da angústia, para o dia da batalha e da guerra (Jó 38.22-23). A chuva, que de ordinário desce em gotas, desceu então em torrentes. Lemos em Jó 26.8 que Deus prende as águas nas suas densas nuvens, e a nuvem não se rasga debaixo delas; agora, porém, o laço se soltou, a nuvem se rasgou, e desceram chuvas como nunca se viram, nem antes nem depois. E choveu sem intervalo nem trégua quarenta dias e quarenta noites (v. 12) — e sobre toda a terra ao mesmo tempo.

Temas: juizo

Gênesis 7.14-16 §

Nota de John Wesley

E todo animal segundo a sua espécie — segundo a expressão usada na história da criação (Gn 1.21, 24-25), para indicar que exatamente tantas espécies quantas foram criadas no princípio foram agora salvas, e não mais.

Gênesis 7.20 §

Nota de John Wesley

Os montes foram cobertos — logo, havia montes antes do dilúvio.

Gênesis 7.21-23 §

Nota de John Wesley

E morreu toda carne, tudo em cujas narinas havia o fôlego de vida, de tudo o que havia em terra seca, todo ser vivente. E por quê? Só o homem fizera o mal, e com justiça a mão de Deus está contra ele; mas estas ovelhas, que fizeram? Respondo: primeiro, estamos certos de que Deus não lhes fez injustiça alguma. Ele é o Senhor soberano de toda vida, pois é a sua única fonte e o seu único autor. Aquele que as fez como lhe aprouve podia desfazê-las quando lhe aprouvesse — e quem lhe dirá: Que fazes? Segundo, Deus serviu admiravelmente os propósitos da sua própria glória pela destruição delas, como o fizera pela sua criação. Nisso a sua santidade e justiça foram grandemente engrandecidas: ficou patente que ele odeia o pecado e está altamente desagradado com os pecadores, quando até as criaturas inferiores — por serem servas do homem e parte da sua possessão, e por terem sido usadas como servas do pecado — são destruídas com ele. Foi também uma mostra da sabedoria de Deus: como as criaturas foram feitas para o homem quando ele foi feito, e multiplicadas para ele quando ele se multiplicou, agora que a humanidade ficava reduzida a tão pequeno número convinha que os animais fossem proporcionalmente reduzidos — do contrário teriam o domínio, encheriam a terra, e o restante da humanidade seria por eles subjugado.

Temas: juizoprovidencia

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