Notas de John Wesley sobre a Bíblia Comentários bíblicos em português atual

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Gênesis 25

Referências: 25.1-425.5-1025.11-1825.20-2625.27-3325.34

Introdução ao capítulo

O historiador sagrado, neste capítulo: despede-se de Abraão, com o relato dos seus filhos de outra mulher (v. 1-4), da sua última vontade e testamento (v. 5-6) e da sua idade, morte e sepultamento (v. 7-10); despede-se de Ismael, com breve notícia dos seus filhos (v. 12-16) e da sua idade e morte (v. 17-18); e entra na história de Isaque — a sua posteridade (v. 11), a concepção e o nascimento dos seus dois filhos, com o oráculo de Deus a respeito deles (v. 19-26), os seus diferentes caracteres (v. 27-28) e a venda da primogenitura de Esaú a Jacó (v. 29-34).

Gênesis 25.1-4 §

Nota de John Wesley

Trinta e cinco anos viveu Abraão depois do casamento de Isaque, e tudo o que se registra a seu respeito nesse tempo cabe aqui em poucos versículos. Não ouvimos mais de aparições extraordinárias de Deus a ele, nem de provas: nem todos os dias, mesmo dos maiores santos, são dias eminentes; alguns correm em silêncio, e nem chegam nem partem com alarde — tais foram os últimos dias de Abraão. Temos aqui os seus filhos de Quetura, outra mulher, com quem se casou depois da morte de Sara. Sepultara Sara e casara Isaque, os dois queridos companheiros da sua vida, e estava agora só; a sua casa precisava de uma governante, e não lhe era bom estar assim sozinho; casa-se então com Quetura — provavelmente a principal das suas servas, nascida na sua casa ou comprada por dinheiro. Dela teve seis filhos, nos quais se cumpriu em parte a promessa feita a Abraão sobre o grande aumento da sua posteridade: a força que recebera pela promessa ainda permanecia nele, para mostrar quanto a virtude da promessa excede o poder da natureza.

Temas: promessa

Gênesis 25.5-10 §

Nota de John Wesley

E Abraão deu tudo o que tinha a Isaque — como devia, em justiça a Sara, sua primeira mulher, e a Rebeca, que casara com Isaque na certeza disso. E deu presentes (v. 6) — ou porções — aos demais filhos: tanto a Ismael (embora a princípio despedido de mãos vazias) quanto aos filhos de Quetura. Era justiça prover para eles — os pais que não o fazem são piores que os descrentes; e era prudência estabelecê-los longe de Isaque, para que não pretendessem dividir com ele a herança. E o fez ainda em vida, para que depois não ficasse por fazer, ou não se fizesse tão bem. Em muitos casos é sabedoria fazer das próprias mãos os executores do testamento — e o que se acha para fazer, fazê-lo enquanto se vive. Esses filhos das concubinas foram enviados à terra que fica a leste de Canaã, e a sua posteridade foi chamada os filhos do Oriente, famosos pelo seu número. E estes são os dias de Abraão (v. 7): viveu cento e setenta e cinco anos — exatos cem anos depois de chegar a Canaã: por todo esse tempo foi peregrino em terra estranha. Morreu em ditosa velhice, já idoso (v. 8) — como Deus lhe prometera. A morte foi a sua alta dos fardos da idade, e também a coroa da glória da sua velhice. Estava farto de anos — o homem bom, ainda que não morra velho, morre farto de dias: satisfeito de viver aqui e desejoso de viver num lugar melhor. E foi reunido ao seu povo — o corpo, à congregação dos mortos; a alma, à congregação dos bem-aventurados. A morte nos reúne ao nosso povo: aqueles que são o nosso povo enquanto vivemos — seja o povo de Deus, sejam os filhos deste mundo —, a eles a morte nos reunirá. Nada se registra da pompa ou cerimônia do seu funeral (v. 9); diz-se apenas que os seus filhos Isaque e Ismael o sepultaram — o último ofício de respeito que tinham a prestar ao bom pai. Houvera antes certa distância entre Isaque e Ismael; mas parece que ou o próprio Abraão os reaproximou em vida, ou ao menos a sua morte os reconciliou. Sepultaram-no na sua própria sepultura, que ele comprara e onde sepultara Sara. Os que em vida foram muito queridos um do outro podem, não só inocentemente, mas louvavelmente, desejar ser sepultados juntos — para que nem na morte fiquem divididos, e em sinal da esperança de ressuscitarem juntos.

Temas: morteesperanca

Gênesis 25.11-18 §

Nota de John Wesley

E Deus abençoou Isaque — a bênção de Abraão não morreu com ele: passou a todos os filhos da promessa. Mas Moisés logo se desvia da história de Isaque para dar breve notícia de Ismael, visto que também era filho de Abraão, e Deus fizera a seu respeito promessas cujo cumprimento convinha conhecermos. Teve doze filhos — doze príncipes são chamados (v. 16) —, chefes de famílias que, com o tempo, se tornaram nações numerosas e consideráveis: povoaram o vasto continente entre o Egito e a Assíria, chamado Arábia. De Midiã e Quedar lemos muitas vezes na Escritura. E a sua posteridade tinha não só tendas nos campos, onde enriquecia em tempos de paz, mas vilas e fortalezas (v. 16) em que se fortificava em tempo de guerra. O seu número e a sua força foram fruto da promessa feita a Agar sobre Ismael (Gn 16.10) e a Abraão (Gn 17.20; 21.13). E viveu cento e trinta e sete anos (v. 17) — registrado para mostrar a eficácia da oração de Abraão por ele (Gn 17.18): Tomara que viva Ismael diante de ti! Então também ele foi reunido ao seu povo. E morreu na presença de todos os seus irmãos — com os seus ao redor. Quem não desejaria morrer assim?

Temas: promessaoracao

Gênesis 25.20-26 §

Nota de John Wesley

E Isaque tinha quarenta anos — pouco se relata de Isaque que não se refira ao pai, enquanto viveu, ou aos filhos, depois; Isaque parece não ter sido homem de ação, nem muito provado: passou os seus dias em quietude e silêncio. E Isaque suplicou ao SENHOR pela sua mulher (v. 21) — embora Deus tivesse prometido multiplicar a sua família, ele orou por isso; pois as promessas de Deus não devem dispensar as nossas orações, mas animá-las, e ser aproveitadas como fundamento da nossa fé. E, embora orasse por essa misericórdia havia muitos anos sem ser atendido, não deixou de orar. Os filhos lutavam dentro dela (v. 22) — comoção de todo extraordinária, que muito a afligia: Se é assim, por que estou eu deste modo? Antes, a falta de filhos era a sua tribulação; agora, a luta dos filhos não o é menos. E foi consultar o SENHOR — alguns pensam que Melquisedeque foi então consultado como oráculo. A palavra e a oração, pelas quais hoje consultamos o SENHOR, dão grande alívio aos que se acham perplexos por qualquer motivo: é um poderoso desafogo expor o nosso caso diante do Senhor e pedir conselho à sua boca. Duas nações há no teu ventre (v. 23) — ela trazia não apenas dois filhos, mas duas nações que não só difeririam muito nos costumes, mas contenderiam nos interesses; e o desfecho da contenda seria que o mais velho serviria ao mais novo — o que se cumpriu na sujeição dos edomitas, por muitas eras, à casa de Davi. Esaú nasceu ruivo e peludo (v. 25), como se já fosse homem feito — donde o nome Esaú, 'feito', já criado. Indicava constituição muito forte, e fazia esperar um homem robusto, ousado e ativo. Jacó, porém, era liso e delicado como as outras crianças. Segurava com a mão o calcanhar de Esaú (v. 26) — o que significava, primeiro, a busca de Jacó pela primogenitura e pela bênção: desde o início estendeu a mão como para agarrá-la e, se possível, antecipar-se ao irmão; e, segundo, que afinal prevaleceria: que com o tempo ganharia a sua causa. A passagem é retomada em Oseias 12.3, e daí lhe veio o nome Jacó, 'suplantador'.

Nota do editor

O oráculo 'o mais velho servirá ao mais novo' (v. 23) diz respeito, como o próprio Wesley nota, a duas nações — Israel e Edom — e à sua história; Paulo o cita em Romanos 9 para mostrar a liberdade de Deus em conduzir o seu plano, não para ensinar que o destino eterno de cada pessoa foi fixado antes de nascer. A eleição do plano de Deus não anula o que a Escritura afirma em toda parte: que ele quer que todos se salvem, e que a salvação é pela fé.

Temas: oracaoprovidencia

Gênesis 25.27-33 §

Nota de John Wesley

Esaú era caçador — homem que sabia viver do seu engenho, pois era caçador astuto. Homem do campo — todo entregue à caça, e nunca tão bem como quando a perseguia. Jacó, porém, era homem sereno — homem honesto, de trato justo — e habitava em tendas: ou como pastor, amando aquele ofício seguro e silencioso de guardar ovelhas, no qual também criou os filhos (Gn 46.34), ou como estudioso — frequentava as tendas de Melquisedeque ou de Héber, como entendem alguns, para ser por eles ensinado nas coisas divinas. E Isaque amava Esaú (v. 28) — Isaque, embora não fosse homem ativo, gostava de ver o filho ativo. Esaú sabia agradá-lo e mostrava-lhe grande respeito, servindo-lhe muitas vezes da sua caça — o que o conquistou mais do que se poderia pensar. Mas Rebeca amava aquele a quem Deus amava. Vende-me hoje a tua primogenitura (v. 31) — Jacó não pode ser desculpado por se aproveitar da necessidade de Esaú; mas tampouco Esaú, que é chamado profano (Hb 12.16) porque por um bocado de comida vendeu a sua primogenitura. A primogenitura era figura dos privilégios espirituais — os da igreja dos primogênitos. Esaú foi então provado quanto ao valor que lhes dava, e mostrou-se sensível apenas aos apertos presentes: consiga ele alívio, e não se importa com a primogenitura. Se olharmos a primogenitura de Esaú apenas como vantagem temporal, algo de verdade havia no que disse: os nossos bens terrenos, mesmo os mais estimados, de nada nos valerão na hora da morte. Mas, sendo ela de natureza espiritual, o seu desprezo foi a maior profanidade imaginável. É insensatez monstruosa trocar o nosso interesse em Deus, em Cristo e no céu pelas riquezas, honras e prazeres deste mundo.

Temas: pecadosantidade

Gênesis 25.34 §

Nota de John Wesley

Comeu e bebeu, levantou-se e saiu — sem nenhuma reflexão séria sobre o mau negócio que fizera, sem mostra de pesar. Assim desprezou Esaú a sua primogenitura — não usou meio algum para desfazer o negócio, não apelou ao pai; o negócio que a sua necessidade fizera (supondo que assim fosse), a sua profanidade o confirmou, e, pelo descaso e desprezo subsequentes, tornou-o irrevogável.

Temas: pecado

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