Ela apascentava as ovelhas do pai — tinha o cuidado delas, com servos às ordens ocupados nelas. Quando Jacó entendeu que aquela era a sua parenta — provavelmente já ouvira o seu nome — e sabendo qual era a sua missão naquela terra, podemos supor que logo lhe veio ao espírito: esta há de ser a minha mulher. Já tocado por aquele rosto honesto e formoso (ainda que, é provável, queimado de sol, e ela no traje simples de pastora), mostra-se maravilhosamente solícito em servi-la (v. 10), e dirige-se a ela com lágrimas de alegria e beijos de afeto (v. 11); ela corre à pressa para contar ao pai, pois de modo algum acolheria as atenções do parente sem o conhecimento e a aprovação paterna (v. 12). Essas mútuas atenções, no primeiro encontro, foram bons presságios de um casal feliz. A providência fez com que aquilo que parecia contingente e fortuito desse pronta satisfação ao espírito de Jacó assim que chegou ao lugar a que se dirigia — como o servo de Abraão que, vindo em missão semelhante, encontrou semelhante encorajamento. Assim Deus guia o seu povo com os seus olhos (Sl 32.8). É fantasia sem fundamento a de alguns escritores judeus, de que Jacó chorou ao beijar Raquel porque Elifaz, o filho mais velho de Esaú, o teria assaltado no caminho, por ordem do pai, roubando-lhe o dinheiro e as joias que a mãe lhe dera: é claro que foram o seu afeto por Raquel e a surpresa daquele feliz encontro que lhe arrancaram as lágrimas. Labão, embora não fosse dos homens mais afáveis, deu-lhe boas-vindas e satisfez-se com o que ele contou de si e do motivo de vir em tão pobres circunstâncias. Evitando o extremo da credulidade tola, guardemo-nos do outro extremo: o do ciúme e da suspeita sem caridade. Labão o reconheceu por parente (v. 14): tu és meu osso e minha carne. Note: duros de coração são os que maltratam os seus parentes e se escondem da sua própria carne (Is 58.7).