Notas de John Wesley sobre a Bíblia Comentários bíblicos em português atual

InícioAntigo TestamentoGênesis → Capítulo 31

Gênesis 31

Referências: 31.131.331.431.931.1631.1931.2331.2431.2731.2931.3031.3131.4231.4331.44-5331.54

Introdução ao capítulo

Jacó era, em geral, homem de devoção e integridade; e, contudo, teve mais tribulações que qualquer dos patriarcas. Eis aqui: a sua resolução de voltar (v. 1-16); a sua partida às ocultas (v. 17-21); a perseguição irada de Labão (v. 22-25); as palavras duras trocadas entre eles (v. 26-42); e, por fim, o acordo amigável (v. 43-55).

Gênesis 31.1 §

Nota de John Wesley

Parece que o diziam aos ouvidos de Jacó. O capítulo anterior começou com a inveja de Raquel contra Lia; este começa com a inveja dos filhos de Labão contra Jacó. Ganhou toda esta glória — e que glória era? Um lote de ovelhas escuras e cabras salpicadas, alguns camelos e jumentos. Jacó tomou tudo o que era de nosso pai — tudo, certamente não: que fora daquele gado confiado aos filhos de Labão e mandado a três dias de caminho?

Temas: pecado

Gênesis 31.3 §

Nota de John Wesley

Disse o SENHOR a Jacó: Volta, e eu serei contigo — embora tratado com muita dureza, Jacó não deixaria o seu posto até que Deus lho ordenasse. Viera para lá por ordens do céu, e lá ficaria até ser mandado de volta. A direção que recebeu do céu é relatada mais por extenso no que ele conta às mulheres: fala-lhes do sonho sobre o gado e do maravilhoso aumento dos animais da sua cor, e de como o anjo de Deus, naquele sonho, o instruiu de que não fora por acaso, nem pela sua própria astúcia, que obtivera tão grande vantagem, mas pela providência de Deus — que notara as durezas que Labão lhe impusera, e cumpria a sua promessa.

Temas: providenciaobediencia

Gênesis 31.4 §

Nota de John Wesley

E Jacó mandou chamar Raquel e Lia ao campo — para conversar com elas mais em particular.

Gênesis 31.9 §

Nota de John Wesley

Deus tomou o gado de vosso pai e o deu a mim — assim o Deus justo pagou a Jacó o seu duro serviço com os bens de Labão; como depois pagaria à descendência de Jacó o serviço prestado aos egípcios, com os despojos deles.

Temas: justica

Gênesis 31.16 §

Nota de John Wesley

Enquanto Jacó via a riqueza que Deus fizera passar de Labão a ele como o seu salário, elas a viam como a sua herança: de ambos os modos, Deus forçou Labão a pagar as suas dívidas — ao servo e às filhas.

Temas: justica

Gênesis 31.19 §

Nota de John Wesley

Labão fora tosquiar as ovelhas — a parte do rebanho que estava com os filhos, a três dias de caminho. Ora: primeiro, é certo que era lícito a Jacó deixar o serviço de repente — justificava-o não só a instrução particular de Deus, mas a lei fundamental da autopreservação, que nos manda, em perigo, prover a nossa segurança, até onde o possamos sem ferir a consciência. Segundo, foi prudência partir sem que Labão percebesse, para que, sabendo, não o impedisse ou o despojasse. Terceiro, foi honestidade levar consigo apenas o que era seu — o gado que ganhara: tomou o que a providência lhe dera, sem tomar nas próprias mãos a reparação dos seus danos. Raquel, porém, não foi tão honesta quanto o marido: furtou os ídolos do pai e levou-os. O hebraico os chama terafins. Alguns pensam que eram apenas pequenas representações dos antepassados da família, em estátua ou pintura, às quais Raquel tinha particular apego; parece antes que eram imagens de uso religioso — penates, deuses domésticos, adorados ou consultados como oráculos. E queremos esperar que ela os levou não por cobiça, muito menos para o próprio uso, nem por medo supersticioso de que Labão, consultando os seus terafins, soubesse por onde tinham ido (Jacó, sem dúvida, vivia com as suas mulheres como homem de conhecimento, e elas eram mais bem ensinadas que isso) — mas com o propósito de convencer o pai da insensatez de ter por deuses coisas que não podiam proteger a si mesmas.

Temas: idolatria

Gênesis 31.23 §

Nota de John Wesley

Tomou consigo os seus irmãos — isto é, os seus parentes — e perseguiu Jacó, para o reconduzir à servidão ou despojá-lo do que tinha.

Gênesis 31.24 §

Nota de John Wesley

Não fales nem bem nem mal — isto é: nada digas contra o prosseguimento da sua viagem, porque isto procede do SENHOR (o mesmo hebraísmo de Gn 24.50). A segurança dos bons deve-se, em grande parte, ao domínio que Deus tem sobre a consciência dos maus, e ao acesso que tem a ela.

Temas: providencia

Gênesis 31.27 §

Nota de John Wesley

Eu te teria despedido com alegria e com cânticos, com tamboril e com harpa — não como Rebeca fora despedida daquela mesma família, mais de cento e vinte anos antes, com orações e bênçãos, mas com festa e folia: sinal de quanto a religião havia decaído na família.

Gênesis 31.29 §

Nota de John Wesley

Está no poder da minha mão fazer-vos mal — ele supõe ter do seu lado o direito e a força, para vingar o agravo ou recobrar o que era seu. Contudo, confessa-se sob o freio do poder de Deus: não ousou ferir alguém que via ser objeto do cuidado particular do céu.

Temas: providencia

Gênesis 31.30 §

Nota de John Wesley

Por que furtaste os meus deuses? — Homem insensato: chamar seus deuses ao que podia ser furtado! Podia esperar proteção de quem não podia resistir aos invasores, nem sequer descobri-los? Felizes os que têm o SENHOR por seu Deus: os inimigos podem furtar os nossos bens, mas não o nosso Deus.

Temas: idolatria

Gênesis 31.31 §

Nota de John Wesley

Jacó se justifica dando a verdadeira razão de ter partido sem que Labão soubesse: temia que Labão lhe tomasse à força as filhas, obrigando-o a continuar no seu serviço. Quanto à acusação de furtar os deuses de Labão, declara-se inocente: não só não os tomou, como não sabia que tinham sido tomados.

Gênesis 31.42 §

Nota de John Wesley

Jacó fala de Deus como o Deus do seu pai — dando a entender que se julgava indigno de ser ele mesmo assim considerado, mas amado por causa do pai. Chama-o o Deus de Abraão e o Temor de Isaque: Abraão já morrera e fora para aquele mundo onde não há temor; Isaque ainda vivia, santificando o SENHOR no coração como o seu temor e o seu espanto.

Temas: santidade

Gênesis 31.43 §

Nota de John Wesley

Tudo o que vês é meu — isto é, veio por mim.

Gênesis 31.44-53 §

Nota de John Wesley

Façamos aliança — foi feita e ratificada com grande solenidade, segundo os usos daqueles tempos. Ergueu-se uma coluna e levantou-se um montão de pedras, para perpetuar a memória do ato — pois a escrita não era então conhecida. Ofereceu-se um sacrifício — sacrifício pacífico. Comeram pão juntos, participando ambos do banquete sobre o sacrifício — em sinal de cordial reconciliação: as alianças de amizade eram antigamente ratificadas pelo comer e beber juntos das partes. Apelaram solenemente a Deus quanto à sua sinceridade: como testemunha — Vigie o SENHOR entre mim e ti (v. 49), isto é, tome o SENHOR conhecimento de tudo o que se fizer, de um lado ou de outro, em violação deste pacto; e como juiz — o Deus de Abraão (de quem Jacó descendia) e o Deus de Naor (de quem Labão descendia), o Deus do pai deles, ancestral comum, julgue entre nós. A relação de Deus com ambos é assim expressa para indicar que adoravam um só e mesmo Deus — consideração pela qual não devia haver inimizade entre eles. Os que têm um só Deus deveriam ter um só coração. Deus é juiz entre as partes contendoras, e julgará com justiça; quem fizer o mal, por sua conta e risco o fará. E deram novo nome ao lugar (v. 47-48): Labão o chamou em siríaco, e Jacó em hebraico, Montão do Testemunho; e chamou-se também Mispá, torre de vigia (v. 49). Incluída a posteridade no pacto, cuidou-se de preservar assim a sua memória. O nome que ficou foi o que Jacó lhe deu — Galeede —, não o de Labão.

Temas: aliancapaz

Gênesis 31.54 §

Nota de John Wesley

E jurou Jacó pelo Temor de seu pai Isaque — o Deus a quem o seu pai Isaque temia, e que nunca servira a outros deuses, como Abraão e Naor haviam feito.

Ler o texto bíblico completo ↗