Notas de John Wesley sobre a Bíblia Comentários bíblicos em português atual

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Gênesis 33

Referências: 33.3-733.10-1133.12-1733.18-20

Introdução ao capítulo

Lemos, no capítulo anterior, como Jacó teve poder com Deus e prevaleceu; aqui vemos o poder que teve também com os homens. Eis: o encontro amigável entre Jacó e Esaú (v. 1-4); a conversa entre eles — sobre a família de Jacó (v. 5-7), sobre o presente enviado (v. 8-11) e sobre o rumo da viagem (v. 12-15); e o estabelecimento de Jacó em Canaã: seu terreno, sua casa e seu altar (v. 16-20).

Gênesis 33.3-7 §

Nota de John Wesley

E inclinou-se — embora temesse Esaú como inimigo, prestou-lhe reverência como irmão mais velho. E Esaú correu-lhe ao encontro (v. 4) — não em fúria, mas em amor. Abraçou-o, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou — Deus tem nas mãos o coração de todos os homens, e pode voltá-los quando e como lhe apraz: pode, de repente, converter inimigos em amigos, como fez com dois Sauls — um pela graça que refreia (1Sm 26.21, 25), outro pela graça que renova (At 9.21). E choraram — Jacó chorou de alegria por ser recebido com tanta bondade; Esaú, talvez, de pesar e vergonha, ao pensar no mau desígnio que concebera contra o irmão. Onze ou doze pequenos seguiam Jacó, o mais velho com menos de catorze anos: Quem são estes?, diz Esaú (v. 5). Jacó lhe mandara notícia do aumento dos seus bens, mas não mencionara os filhos — talvez para não os expor à sua ira, caso o encontrasse como inimigo. A isso Jacó dá resposta séria: são os filhos que Deus, na sua graça, deu ao teu servo. Fala dos filhos como dons de Deus — herança do SENHOR — e como dons escolhidos: deu-mos graciosamente. Embora fossem muitos, e o sustento apertado, ele os conta como grandes bênçãos.

Temas: gracafamilia

Gênesis 33.10-11 §

Nota de John Wesley

Vi o teu rosto como se visse o rosto de Deus — isto é: vi-te reconciliado comigo e em paz comigo, como desejo ver a Deus reconciliado.

Temas: perdao

Gênesis 33.12-17 §

Nota de John Wesley

Esaú se oferece por guia e companheiro, em sinal de sincera reconciliação. Nunca achamos Jacó e Esaú tão afetuosos um com o outro como agora: Deus fez de Esaú não apenas um não inimigo, mas um amigo. Esaú se afeiçoa à companhia de Jacó e o convida ao monte Seir. Não desesperemos de ninguém, nem desconfiemos de Deus, em cujas mãos estão todos os corações. Jacó, porém, viu razão para recusar modestamente a oferta — mostrando terno cuidado pela família e pelos rebanhos, como bom pastor e bom pai: devia considerar as crianças e as reses com cria, sem apressar demais umas nem as outras. Dá a entender que planejava ir ter com ele no monte Seir; e podemos presumir que foi, depois de acomodados os seus assuntos, embora a visita não esteja registrada. Esaú lhe oferece alguns dos seus homens por guarda e escolta (v. 15); Jacó recusa humildemente, pedindo apenas que não o leve a mal. Que necessidade havia? Ele está sob a proteção divina. Suficientemente guardados estão os que têm a Deus por guarda e caminham sob a escolta dos seus exércitos, como Jacó. E acrescenta: baste-me achar graça aos olhos do meu senhor — tendo o teu favor, tenho tudo o que preciso e desejo de ti. E Jacó partiu para Sucote (v. 16-17) — despedido amigavelmente de Esaú, que voltou à sua terra, chegou a um lugar onde descansou, fez abrigos para o gado e acomodações para si e para a família. O lugar ficou depois conhecido como Sucote — cidade da tribo de Gade, do outro lado do Jordão —, que significa cabanas: para que a sua posteridade, quando habitasse em casas de pedra, lembrasse que o arameu prestes a perecer foi seu pai, que se alegrava com cabanas (Dt 26.5).

Temas: providenciahumildade

Gênesis 33.18-20 §

Nota de John Wesley

E chegou Jacó a Salém, cidade de Siquém — ou antes: chegou salvo, em paz, à cidade de Siquém. Depois de viagem perigosa, cheia de dificuldades, chegou por fim são e salvo a Canaã. E ali erigiu um altar (v. 20) — primeiro, em gratidão a Deus pela boa mão da sua providência sobre ele; segundo, para manter a religião e o culto de Deus na sua família. Dedicou o altar à honra de El-Elohe-Israel — Deus, o Deus de Israel: à honra de Deus em geral, o único Deus vivo e verdadeiro, o melhor dos seres e a primeira das causas; e à honra do Deus de Israel, como Deus em aliança com ele. Deus há pouco o chamara pelo nome de Israel; agora ele chama a Deus o Deus de Israel: se ele é chamado príncipe com Deus, Deus continuará sendo príncipe com ele — seu Senhor e seu Deus.

Temas: adoracaoalianca

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