Dos meus pecados me lembro hoje — de ter esquecido José. Alguns pensam que fala das faltas contra Faraó, pelas quais fora preso — insinuando que, embora Faraó o tivesse perdoado, ele não perdoara a si mesmo. O tempo de Deus para a libertação do seu povo mostra-se, no fim, o tempo mais adequado: se o copeiro-chefe tivesse logo usado o seu valimento por José, e o obtivesse, é provável que José voltasse à terra dos hebreus — e então nem ele teria sido tão abençoado, nem teria sido tamanha bênção para a sua família. Demorando-se mais dois anos, e saindo da prisão nesta ocasião, para interpretar os sonhos do rei, abriu-se o caminho da sua exaltação. O rei mal lhe dá tempo — só o que a decência exigia — para se barbear e mudar de roupa (v. 14); tudo se faz com a maior pressa, e José é introduzido, talvez quase tão surpreso quanto Pedro (At 12.9): tão de repente se reverte o seu cativeiro, que ele é como quem sonha (Sl 126.1). Faraó, sem perguntar quem era ou donde vinha, diz-lhe logo o assunto: esperava que interpretasse o seu sonho. E José responde (v. 16), primeiro, dando honra a Deus: Isso não está em mim; Deus é quem dará. Os grandes dons aparecem mais belos e ilustres quando quem os tem os usa com humildade, sem tomar para si o louvor, mas dando-o a Deus. E, segundo, mostrando respeito e cordial boa vontade a Faraó, supondo que a interpretação seria uma resposta de paz. Os que consultam os oráculos de Deus podem esperar resposta de paz.