Porque — Depois de falar da gloriosa luz, alegria e vitória do povo de Deus, o profeta passa a mostrar o fundamento de tudo isso. A nós — A nós, judeus, dos quais Cristo nasceu e aos quais foi primeiramente enviado. Um menino — O Messias, segundo o consenso dos intérpretes cristãos e também judeus. Assim entenderam o texto os antigos mestres hebreus, especialmente o parafrasta caldeu. Judeus posteriores, em oposição a Cristo, forçaram sua aplicação a Ezequias. Essa interpretação extravagante, sem fundamento neste ou em qualquer outro texto da Escritura, é inteiramente refutada pelos títulos seguintes, que não podem ser atribuídos a Ezequias nem a qualquer simples mortal sem blasfêmia e absurdo. Nasceu — Ou nascerá, como geralmente falam os profetas. O governo — O governo do povo de Deus, ao qual ele foi dado. Sobre os ombros — Sobre ele ou em suas mãos; mencionam-se os ombros porque neles costumam ser colocados os grandes fardos. Seu nome — Não é apenas a designação pela qual seria chamado, mas a descrição de sua natureza e de suas gloriosas qualidades. Maravilhoso Conselheiro — Cristo é o Conselheiro de sua Igreja em todas as épocas, autor e doador dos excelentes conselhos transmitidos pelos profetas e apóstolos. Por admiráveis conselhos e atos de sua providência, reuniu, ampliou e preservou a Igreja. Nele estão todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento (Colossenses 2.3). Deus Forte — Este título não pode ser atribuído a simples homem, mas somente a Cristo, Deus e homem, a quem tanto o Antigo como o Novo Testamento dão o título de Deus ou de Senhor. A palavra hebraica El, no singular, nunca é aplicada a criatura alguma, mas somente ao Deus Todo-Poderoso. Pai — Pai da eternidade. Embora ainda não tivesse nascido como ser humano, ele existia e existe de eternidade a eternidade.