Notas de John Wesley sobre a Bíblia Comentários bíblicos em português atual

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Jó 33

Referências: 33.333.433.633.933.1133.1233.1333.1433.1633.1733.1833.1933.2233.2333.2433.2633.2833.2933.30

Introdução ao capítulo

Eliú se oferece a Jó como a pessoa por quem ele tantas vezes ansiara (v. 1-7); acusa-o de censurar a Deus (v. 8-11); agrava-o mostrando-lhe o poder soberano de Deus sobre o homem, e os vários meios que usa para lhe fazer bem (v. 12-14) — particularmente os sonhos (v. 15-18) e a enfermidade (v. 19-30); pede a Jó que lhe responda, ou o deixe prosseguir (v. 31-33).

Jó 33.3 §

Nota de John Wesley

Minhas palavras — não falarei com paixão nem parcialidade, mas por sincero desejo de te fazer bem. Claramente — o que eu disser será claro, não difícil de entender.

Jó 33.4 §

Nota de John Wesley

Vida — sou tua criatura companheira, e estou pronto a discorrer contigo em termos iguais, segundo o teu desejo.

Jó 33.6 §

Nota de John Wesley

Eis que — pleitearei contigo em nome e lugar de Deus, o que muitas vezes desejaste; e sou criatura de Deus como tu.

Jó 33.9 §

Nota de John Wesley

Puro — não absolutamente, pois muitas vezes ele se confessa pecador; mas sem transgressão tal que desse a Deus justa ocasião de puni-lo tão severamente — como se subentende onde ele censura Deus por achar ocasiões contra ele, dando a entender que não lhe dera nenhuma com os seus pecados. E até aqui a acusação de Eliú era justa; e nisto difere da dos três amigos, que muitas vezes o acusam por afirmar a própria inocência — mas o faziam por o julgarem hipócrita, ao passo que Eliú o faz por outro fundamento: porque a autojustificação de Jó vinha acompanhada de censuras a Deus.

Jó 33.11 §

Nota de John Wesley

Observa — perscruta de perto todas as minhas ações, para achar matéria contra mim.

Jó 33.12 §

Nota de John Wesley

Não tens razão — estás errado. Maior — não só em poder e majestade, mas também em justiça, sabedoria e bondade; ages, pois, insensatamente censurando os seus juízos: lanças fora aquela reverência e temor que deverias manter constantemente para com o teu soberano Senhor.

Jó 33.13 §

Nota de John Wesley

Ele — não costuma dar contas às suas criaturas dos fundamentos e razões dos seus juízos ou dispensações, por ser o supremo governador de todas as pessoas e coisas, em cuja vontade convém a todos os homens aquiescer.

Jó 33.14 §

Nota de John Wesley

Contudo — embora não dê aos homens conta dos seus assuntos, faz o que lhes é suficiente. Duas vezes — quando falar uma vez não desperta os homens, Deus graciosamente se digna dar-lhes outra admoestação. Embora não satisfaça a curiosidade dos homens que indagam os seus juízos ocultos, ele os fará conhecer o seu dever. Deus nos fala pela consciência, pela providência e pelos ministros — de tudo isso trata Eliú longamente, para mostrar a Jó que Deus lhe estava então declarando a sua mente e procurando fazer-lhe bem. Mostra primeiro como Deus admoesta os homens pela sua própria consciência.

Nota do editor

A tese de Eliú corrige a dos três amigos num ponto decisivo: o sofrimento não é só tribunal — é megafone. 'Deus fala de um modo, e ainda de outro, e não atentamos para isso': sonhos que selam instrução no ouvido (Jó 33.15-16), dores que detêm o homem à beira da cova (v. 19-22), mensageiros que interpretam (v. 23) — tudo 'para desviar o homem do seu desígnio e encobrir do homem a soberba... para reconduzir a sua alma da cova' (v. 17-18,29-30). A aflição como pedagogia preventiva, não só como punição retributiva: Deus fere para não perder, acorda para não sepultar (Sl 119.67,71; Hb 12.10-11). C. S. Lewis condensou Eliú: a dor é o megafone de Deus para um mundo surdo. Eliú também erra o alvo em Jó (cujo caso era outro — Jó 1–2), mas a categoria que introduz é preciosa e prepara os discursos do SENHOR: antes de perguntar 'por que sofro?', perguntar 'que está Deus me dizendo?' (Mq 6.9 — 'a voz do SENHOR clama à cidade: ouvi a vara').

Jó 33.16 §

Nota de John Wesley

Sela — imprime aquelas instruções na sua mente.

Jó 33.17 §

Nota de John Wesley

Soberba — e diz-se que Deus por este meio encobre do homem a soberba, porque, por estas gloriosas representações da sua majestade divina ao homem, o desvia da admiração da própria excelência e o traz à vista da própria fraqueza, e à submissão humilde e pronta à sua vontade.

Jó 33.18 §

Nota de John Wesley

Retém — pelas suas graciosas admoestações, com que o conduz ao arrependimento.

Jó 33.19 §

Nota de John Wesley

Dor — o segundo meio pelo qual Deus instrui os homens e os excita ao arrependimento.

Jó 33.22 §

Nota de John Wesley

Os destruidores — as ânsias da morte, aqui chamadas os destruidores, estão prestes a agarrá-lo.

Jó 33.23 §

Nota de John Wesley

Mensageiro — um profeta ou mestre: para expor a providência e apontar o desígnio de Deus nela. Um entre mil — pessoa devidamente qualificada para esta obra grande e difícil, das quais há bem poucas. Mostrar — para dirigi-lo ao caminho certo de agradar a Deus e obter a misericórdia por que tem sede: o que não se consegue brigando com Deus, mas pela humilde confissão e súplica de misericórdia por Cristo, o Redentor.

Temas: cristo

Jó 33.24 §

Nota de John Wesley

Ele — Deus. Um resgate — embora eu pudesse justamente destruí-lo, eu o pouparei: porque descobri um meio de resgatar os pecadores da morte, que é a morte do meu Filho, o Redentor do mundo; e em atenção a ele perdoarei os que se arrependem e suplicam misericórdia. Observe-se como Deus se gloria do achado: achei, achei um resgate — um resgate para pobres pecadores perdidos! Eu, eu mesmo sou quem o fez.

Nota do editor

Jó 33.24 guarda uma das mais belas palavras evangélicas do AT: 'livra-o, para que não desça à cova; achei resgate!'. Wesley ousa pôr a exclamação na boca de Deus como quem se gloria do achado — e a Escritura o autoriza: o resgate não foi ideia nossa nem conquista nossa; foi provisão que desceu do coração de Deus antes de subir qualquer súplica do homem (1Pe 1.18-20 — o Cordeiro 'conhecido antes da fundação do mundo'; Rm 3.24-25). A palavra hebraica (kopher) é o preço de cobertura, e o NT lhe dá nome e valor: 'o Filho do homem veio para dar a sua vida em resgate por muitos' (Mc 10.45; 1Tm 2.5-6 — 'resgate por todos'). Note-se a sequência de Eliú, que é a ordem do evangelho: o mensageiro anuncia, Deus se agracia do resgate, o pecador ora e confessa ('pequei...', v. 26-27), e a restauração vem — 'a sua carne se robustecerá como na infância' (v. 25). A graça acha; a fé aceita; ninguém se resgata a si mesmo (Sl 49.7-8 — 'nenhum homem pode resgatar o seu irmão... mas Deus resgatará a minha alma', v. 15).

Temas: cristograca

Jó 33.26 §

Nota de John Wesley

Restituirá — tratará com ele como com alguém reconciliado consigo pelo Mediador, e convertido do pecado à justiça.

Jó 33.28 §

Nota de John Wesley

Vida — a sua vida, que estava em perigo, será restaurada e continuada. Mais ainda: Deus livrará a sua alma de descer à cova do inferno, e a sua vida verá a luz — todo bem, na visão e fruição de Deus.

Jó 33.29 §

Nota de John Wesley

Eis que — todos estes meios Deus usa para convencer e salvar os pecadores.

Jó 33.30 §

Nota de John Wesley

Para reconduzir — para salvar os homens de serem para sempre miseráveis, e fazê-los para sempre felizes. 'Senhor, que é o homem, para que assim o visites? Isto deve mover-nos a concordar com os desígnios de Deus, a trabalhar com ele para o nosso próprio bem, e não contra ele. E isto tornará inescusáveis os que perecem: tanto se fez para salvá-los, e não quiseram ser curados.' Assim o sr. Henry. Palavras excelentes! Mas quanto fez Deus para salvá-los? Fez ele alguma coisa para salvá-los? Teve ele alguma vez o desígnio de salvá-los? Se não, como é que aquilo que nunca se fez, nem sequer se intentou, os 'torna inescusáveis'?

Nota do editor

Nesta nota, Wesley cita Matthew Henry com aplauso — e crava nele o aguilhão arminiano: se Deus nunca fez nem intentou coisa alguma para salvar os que perecem (como o particularismo estrito sugere), como poderia a perdição deles ser 'inescusável'? A inescusabilidade pressupõe oportunidade real (Rm 1.20; Jo 15.22 — 'se eu não viera... pecado não teriam; agora não têm desculpa'). Eis o coração da soteriologia wesleyana: o resgate do v. 24 foi provido para todos ('provou a morte por todos', Hb 2.9; 1Jo 2.2 — 'propiciação... pelos pecados de todo o mundo'), a graça preveniente alcança e convida a todos (Jo 1.9; Tt 2.11), e a perdição final é sempre recusa, nunca falta de provisão (Mt 23.37 — 'quantas vezes quis eu... e vós não quisestes'; Os 13.9). Nada disso enfraquece a soberania: engrandece-a — o Deus que poderia salvar por decreto escolheu salvar por convite, e a salvação continua condicionada à fé do começo ao fim (Jo 3.16-18,36; Ap 22.17).

Temas: graca

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