Naquele tempo — logo que chegaram a Gilgal, o que foi no décimo dia; e assim isto pôde executar-se no undécimo, pela manhã; no décimo terceiro estavam doloridos das feridas, no décimo quarto se recobraram, e à tarde desse dia celebraram a Páscoa. Faze — ou, prepara, apronta, como a palavra às vezes se usa: como não era necessário aos que já tinham tais facas fazer outras, não é provável que se lhes ordenasse isso, mas só afiá-las e aprontá-las para aquela obra. Segunda vez — chama a esta uma segunda circuncisão, não como se as mesmas pessoas já tivessem sido circuncidadas, mas com respeito ao corpo do povo, do qual uma parte fora circuncidada antes e a outra agora; e chama-se segunda vez em relação a algum tempo anterior em que foram circuncidados: ou no Egito, quando muitos do povo, que talvez por medo ou favor dos egípcios tinham negligenciado este dever, foram circuncidados por ordem de Moisés; ou no Sinai, quando celebraram a Páscoa (Nm 9.5), o que nenhum incircunciso podia fazer. E circuncidou — isto é, fez que se fizesse; e, porque devia fazer-se depressa, aproximando-se a Páscoa, foi preciso empregar muitas mãos. Os filhos de Israel — isto é, os que estavam incircuncisos. E, embora não se mencione, é mais que provável que os israelitas dalém do Jordão foram circuncidados ao mesmo tempo. Saído do Egito — restrinja-se aos que tinham então mais de vinte anos e foram culpados daquela rebelião (Nm 14), como se declara no v. 6. Não os tinham circuncidado — ou os pais, ou os governantes de Israel, por permissão e indulgência divina, porque estavam em viagem — caso em que também a Páscoa podia ser omitida (Nm 9.10,13). Antes, era sinal continuado do desagrado de Deus contra eles pela sua incredulidade e murmuração: sinal de que nunca teriam o benefício daquela promessa de que a circuncisão era o selo. O povo — a palavra hebraica significa comumente os gentios; assim os chama para notar que eram indignos do nome de israelitas. Ver a terra — isto é, não lhes dar sequer a vista dela, que concedeu a Moisés — muito menos a posse. Circuncidou — o que Deus quis: primeiro, como testemunho da reconciliação de Deus com o povo, e de que não lhes imputaria mais a rebelião dos pais; segundo, porque o grande impedimento da circuncisão — as viagens contínuas e as partidas frequentes e incertas — estava agora removido; terceiro, para prepará-los para a Páscoa próxima; quarto, para distingui-los dos cananeus, em cuja terra agora entravam; quinto, para ratificar a aliança entre Deus e eles, de que a circuncisão era sinal e selo: para assegurar-lhes que Deus agora cumpriria a sua aliança dando-lhes esta terra, e para obrigá-los a cumprir todos os deveres a que a aliança os vinculava, logo que entrassem em Canaã (Êx 12.25; Lv 23.10; Nm 15.2). Sarados — livres da dor e do incômodo que a circuncisão causava. Foi de fato ato de grande fé expor-se a tanta dor e também perigo, neste lugar onde estavam encerrados entre o Jordão e os inimigos. O opróbrio do Egito — isto é, a incircuncisão, que era, em verdade e na opinião dos judeus, matéria de grande opróbrio. E, embora fosse opróbrio comum à maioria das nações do mundo, chama-se em particular opróbrio do Egito: ou porque as outras nações vizinhas, filhas de Abraão pelas concubinas, se supõem circuncidadas, o que os egípcios então não eram, como se pode colher de Êxodo 2.6, onde por esta marca reconheceram que o menino era hebreu; ou porque saíram do Egito e eram tidos por uma espécie de egípcios (Nm 22.5), o que justamente julgavam grande opróbrio — mas pela circuncisão ficavam agora distinguidos deles e manifestos como outro povo; ou porque muitos deles jaziam sob este opróbrio no Egito, tendo ali negligenciado impiamente este dever por razões mundanas, e outros continuaram na mesma condição vergonhosa por muitos anos no deserto. Gilgal — isto é, remoção, rolamento.