Uma estaca da tenda — com que costumavam fixar a tenda, e que portanto era longa e aguçada. Podia parecer tentativa ousadíssima; mas considere-se que ela foi encorajada a isso observando que os céus e todos os elementos conspiravam contra ele, como homem devotado à destruição. No cântico seguinte, Débora não louva as palavras de Jael (v. 18: 'entra, senhor meu, não temas'), mas só a sua ação. Sobre isto, uma só consideração pode bastar para fechar a boca dos objetores: não se pode negar que nem todo discurso registrado na Escritura é divinamente inspirado — alguns foram proferidos pelo diabo, outros por homens santos mas enganados. Sendo assim, o pior que se pode inferir deste lugar é que este cântico, embora composto por uma boa mulher, não foi divinamente inspirado, mas composto por pessoa transportada de alegria pelo livramento do povo de Deus, mas sujeita a engano — a qual, por zelo de louvar o instrumento de tão grande livramento, pode ter passado por alto a tortuosidade dos meios. E, se objetarem que foi composto por uma profetisa, e portanto devia ser inspirado, responda-se que nem toda expressão de um verdadeiro profeta era divinamente inspirada, como é evidente do engano de Samuel acerca de Eliabe, que julgou ser o ungido do SENHOR (1Sm 16.6). Isto se diz na suposição de que Jael agiu com engano neste caso; mas, se supusermos — o que é muito mais provável — que Jael pretendia de fato dar a Sísera o abrigo e a proteção que ele lhe pedia, mas depois, por direção imediata do céu, recebeu ordem de matá-lo, toda a dificuldade se desfaz, e o caráter tanto de Jael como de Débora fica intacto.