Levítico 2.1-11 §
Nota de John Wesley
Oferta de cereais — era de dois tipos: uma, unida a outras ofertas (Nm 15.4, 7, 10), prescrita com a sua medida e proporção; a outra, de que fala este lugar, deixada à boa vontade do ofertante, quanto à coisa e quanto à quantidade. A matéria desta oferta eram coisas sem vida: farinha, grão ou bolos. Este tipo de sacrifício foi ordenado: primeiro, porque são as coisas de maior necessidade e proveito para o homem — e convém que Deus seja servido com elas, e reconhecido e louvado como quem as dá; segundo, em condescendência aos pobres, para que não lhes faltasse oferta para Deus, e para mostrar que Deus aceita até os serviços mais humildes, quando oferecidos com ânimo sincero; terceiro, eram provisões necessárias para o banquete que se apresentava a Deus e para o uso dos sacerdotes, que atendiam a estas santas ministrações. Deitará azeite sobre ela — pode denotar as graças do Espírito Santo, comparadas ao azeite e à unção (Sl 45.7; 1Jo 2.20), necessárias para tornar qualquer oferta aceitável a Deus. Incenso — designava manifestamente a satisfação e intercessão de Cristo, comparada a um perfume suave (Ef 5.2). E tomará (v. 2) — o sacerdote a quem a trouxe. Como memorial — a porção assim separada e oferecida chama-se memorial: ou para o ofertante, que, oferecendo esta parte, é lembrado de que o todo que trouxe, e tudo o que tem dessa espécie, pertence a Deus, a quem esta parte foi paga em reconhecimento; ou para Deus, a quem (falando à maneira dos homens) isto punha em memória a sua graciosa aliança e as suas promessas de favor e aceitação do ofertante e da sua oferta. De cheiro suave ao SENHOR — assim são as nossas ofertas espirituais, feitas ao fogo do santo amor, particularmente a esmola: com tais sacrifícios Deus se agrada. De Arão e de seus filhos (v. 3) — para ser comida por eles (Lv 6.16). Coisa santíssima — isto é, das que só os sacerdotes podiam comer, e somente no lugar santo, junto ao altar. Cozida ao forno (v. 4) — feito no santuário para esse uso. Em pedaços (v. 6) — porque parte era oferecida a Deus, e parte dada aos sacerdotes. Nenhum fermento (v. 11) — a saber, no que se oferecia voluntariamente; pois em outras ofertas podia usar-se (Lv 7; 23). Foi proibido, em parte para lhes lembrar o seu livramento do Egito, quando, pela pressa, tiveram de levar a farinha ou a massa (matéria desta oblação) sem fermento; em parte para significar o que Cristo seria, e o que eles deviam ser: puros e livres de todo erro na fé e no culto de Deus, e de toda hipocrisia, malícia e maldade — coisas todas significadas pelo fermento. Nem mel algum — ou porque tem na massa o mesmo efeito do fermento, azedando-a e fazendo-a inchar; ou em oposição aos sacrifícios dos gentios, em que o uso do mel era frequentíssimo; ou para nos ensinar que o culto de Deus não se governa pelas fantasias e apetites dos homens, mas pela vontade de Deus.
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