O ano quinquagésimo — o jubileu não era o ano quadragésimo nono, como pensam alguns doutos, mas precisamente o quinquagésimo, vindo logo depois de sete vezes sete, ou quarenta e nove anos (v. 8), e distinto de todos eles. A todos os seus moradores — entenda-se os israelitas: principalmente a todos os servos, mesmo aos que não quiseram sair no sétimo ano, e aos pobres, agora quites de todas as dívidas e restituídos às suas possessões. Jubileu — assim chamado ou da palavra hebraica jobel, que significa primeiro carneiro, e depois chifre de carneiro, com cujo som se proclamava; ou de Jubal, o inventor dos instrumentos musicais (Gn 4.21), por celebrar-se com música e todas as expressões de alegria. À sua possessão — que fora vendida ou de outro modo alienada. Esta lei não era injusta, porque compradores e vendedores tinham em vista esta condição nos seus negócios; e era conveniente por muitas razões: primeiro, para lhes lembrar que só Deus era o Senhor e proprietário, deles e das suas terras, e eles apenas seus arrendatários — ponto que eram muito propensos a esquecer; segundo, para que as heranças, famílias e tribos se conservassem inteiras e claras até a vinda do Messias, que devia ser conhecido, entre outras coisas, pela tribo e família de que sairia — o que de fato se cumpriu, pela providência singular de Deus, até vir o Senhor Jesus; desde então esses registros estão miseravelmente confundidos, argumento não pequeno de que o Messias veio; terceiro, para pôr limites tanto à avareza insaciável de uns como à prodigalidade insensata de outros — para que aquela não engolisse de vez as heranças dos irmãos, nem esta pudesse arruinar para sempre um homem e a sua posteridade: privilégio singular desta lei e deste povo. À sua família — de que se apartara, vendido a outra família por si mesmo ou pelo pai.
Nota do editor
O jubileu é uma das instituições mais extraordinárias da lei: a cada cinquenta anos, dívidas perdoadas, escravos livres, terras devolvidas — a economia inteira recomeçada para que nenhuma família ficasse permanentemente arruinada. Foi com a linguagem do jubileu que Jesus abriu o seu ministério em Nazaré: 'a apregoar liberdade aos cativos... e anunciar o ano aceitável do Senhor' (Lc 4.18-19, citando Is 61.1-2). O evangelho é o jubileu definitivo.