Notas de John Wesley sobre a Bíblia Comentários bíblicos em português atual

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Números 21

Referências: 21.121.221.321.421.521.621.821.921.1021.1221.1321.1421.1521.1621.1721.1821.2021.2121.2221.2421.2621.2721.2821.2921.3021.3221.33

Introdução ao capítulo

A derrota de Arade (v. 1-3); o povo murmura e é castigado com serpentes abrasadoras (v. 4-6); os feridos são curados olhando para a serpente de bronze (v. 7-9); a jornada prossegue (v. 10-20); a vitória sobre Seom (v. 21-32); e sobre Ogue (v. 33-35).

Números 21.1 §

Nota de John Wesley

O rei de Arade — ou antes, o cananeu rei de Arade: Arade não é nome de homem, mas de cidade ou território. O Neguebe — o sul de Canaã, para o leste, perto do mar Morto. Pelo caminho de Atarim — dos espias: não dos que Moisés enviara a espiar a terra — isso fora trinta e oito anos antes, e foram tão secretamente que os cananeus não os notaram —, mas dos espias que o próprio rei enviara para observar as marchas e movimentos dos israelitas. Levou alguns deles presos — o que Deus permitiu para humilhação de Israel, e para lhes ensinar a não esperar a conquista daquela terra da própria sabedoria ou valor.

Números 21.2 §

Nota de John Wesley

Destruirei totalmente as suas cidades — nada reservarei para meu uso, mas devotarei tudo à destruição total.

Números 21.3 §

Nota de John Wesley

E os destruiu totalmente — não Moisés nem o corpo todo do povo, mas um número seleto, enviado a punir aquele rei e povo — tão ferozes e maliciosos que saíram da própria terra para pelejar com os israelitas no deserto; e estes, feita a obra, voltaram aos irmãos no deserto. Mas por que não entraram todos então em Canaã, aproveitando a vitória? Porque Deus não o permitiu: havia ainda várias obras a fazer — outros povos a vencer, os israelitas a serem mais humilhados, provados e purificados, Moisés a morrer; e então entrariam, e de modo mais glorioso: pelo Jordão, que seria miraculosamente secado para lhes dar passagem. Horma — isto é, destruição total.

Temas: providencia

Números 21.4 §

Nota de John Wesley

Pelo caminho do mar Vermelho — que leva ao mar Vermelho, como deviam fazer para rodear a terra de Edom. Por causa do caminho — desta jornada longa, penosa e inesperada: a entrada bem-sucedida e o progresso vitorioso de alguns deles nas fronteiras de Canaã os fizera pensar que poderiam entrar logo e tomar posse, poupando as viagens tediosas e as novas dificuldades a que Moisés os trazia outra vez.

Números 21.5 §

Nota de John Wesley

Contra Deus — contra Cristo, o seu principal condutor, a quem tentaram (1Co 10.9). Com tal desprezo falaram do maná — que, no entanto, dava excelente nutrição, como se vê: na força dele puderam fazer tantas e tão fatigantes jornadas.

Temas: cristopecado

Números 21.6 §

Nota de John Wesley

Serpentes abrasadoras — muitas havia naquele deserto, até então contidas por Deus, agora soltas e enviadas contra eles. Chamam-se abrasadoras pelos efeitos: o seu veneno causava calor, ardor e sede intoleráveis — agravados pela circunstância do lugar, onde não havia água (v. 5).

Números 21.8 §

Nota de John Wesley

Uma serpente abrasadora — isto é, a figura de uma serpente, em bronze, que é de cor ígnea. Isto levaria algum tempo: Deus não quis remover depressa o juízo, vendo que não estavam ainda de todo humilhados. Sobre uma haste — para que o povo a visse de todas as partes do arraial: a haste devia, pois, ser alta, e a serpente grande. Quando a olhar — prescreveu-se este método de cura para que ficasse claro ser obra do próprio Deus, não efeito da natureza ou da arte; e para que fosse figura eminente da nossa salvação por Cristo. A serpente significava Cristo, que veio em semelhança da carne do pecado, embora sem pecado — como esta serpente de bronze tinha a forma exterior, mas não o veneno interior, das outras serpentes; a haste figurava a cruz, sobre a qual Cristo foi levantado para a nossa salvação; e o olhar para ela designava o nosso crer em Cristo.

Nota do editor

Foi o próprio Jesus quem deu a chave deste texto, na conversa com Nicodemos: 'como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do Homem seja levantado, para que todo o que nele crê tenha a vida eterna' (Jo 3.14-15). O remédio não estava no esforço do ferido, mas num olhar de fé para o que Deus proveu. Séculos depois, quando a serpente de bronze virou objeto de culto, Ezequias a destruiu (2Rs 18.4): até os meios de graça viram ídolos, quando o sinal toma o lugar do Salvador.

Temas: cristoferedencao

Números 21.9 §

Nota de John Wesley

Vivia — era livrado da morte e curado da sua enfermidade.

Números 21.10 §

Nota de John Wesley

Em Obote — não imediatamente, mas depois de duas outras paradas mencionadas em Números 33.43-44.

Números 21.12 §

Nota de John Wesley

No vale de Zerede — ou junto ao ribeiro de Zerede, que corria para o mar Morto.

Números 21.13 §

Nota de John Wesley

Do outro lado do Arnom — ou antes, deste lado do Arnom, pois assim era então para os israelitas, que ainda não o haviam atravessado. Entre Moabe e os amorreus — embora antes o rio, e a terra além dele, pertencessem a Moabe, foram depois tomados por Seom. Isto se acrescenta para conciliar duas ordens de Deus aparentemente contrárias: a de não mexer com a terra dos moabitas (Dt 2.9) e a de atravessar o Arnom e possuir a terra além (Dt 2.24) — porque, diz ele, já não era terra dos moabitas, mas dos amorreus.

Números 21.14 §

Nota de John Wesley

O Livro das Guerras do SENHOR — parece ter sido algum poema ou narração das guerras e vitórias do SENHOR, pelos israelitas ou a eles relativas; o que se pode afirmar sem prejuízo algum da integridade da Escritura Sagrada: este livro não parece escrito por profeta, nem destinado ao cânon — e Moisés podia citá-lo, como São Paulo cita alguns poetas pagãos. E, como São Lucas nos assegura que muitos escreveram história dos feitos e ditos de Cristo (Lc 1.1) sem que os seus escritos fossem recebidos por canônicos, o mesmo se pode conceber deste e de alguns poucos outros livros mencionados no Antigo Testamento. Os vales — o vale: o plural pelo singular, como rios se usa do Jordão, do Tigre e do Eufrates — pelos vários pequenos braços em que se dividiam.

Números 21.15 §

Nota de John Wesley

Ar — cidade principal de Moabe.

Números 21.16 §

Nota de John Wesley

Beera — este lugar, com Mataná, Naaliel e Bamote (v. 19), não figura entre as paradas de Números 33: provavelmente não acamparam nestes lugares, mas apenas passaram por eles. Eu lhes darei água — de modo miraculoso. Antes de orarem, Deus concedeu, antecipando-os com as bênçãos da sua bondade. E, como a serpente de bronze era figura de Cristo, este poço o é do Espírito, derramado para o nosso consolo — e dele fluem rios de água viva.

Temas: espirito santo

Números 21.17 §

Nota de John Wesley

Brota, ó poço! — em hebraico, sobe: que as tuas águas, agora ocultas embaixo da terra, subam para o nosso uso. É predição de que brotaria, ou oração para que brotasse.

Números 21.18 §

Nota de John Wesley

Com os seus bordões — provavelmente, como Moisés feriu a rocha com a vara, eles feriram a terra com os bordões, em sinal de que Deus faria a água manar da terra onde ferissem, como antes da rocha. Talvez fizessem covas com os bordões no chão arenoso, e Deus fizesse a água brotar imediatamente.

Números 21.20 §

Nota de John Wesley

Pisga — o cume daqueles altos montes de Abarim.

Números 21.21 §

Nota de John Wesley

Enviou mensageiros — com a permissão de Deus: para que a malícia de Seom ficasse mais evidente e inescusável, e o direito deles à sua terra mais claro no juízo de todos — adquirida em guerra justa, a que foram forçados em defesa própria.

Números 21.22 §

Nota de John Wesley

Deixa-me passar — diziam o que seriamente intentavam, e teriam feito, se ele lhes desse passagem tranquila.

Números 21.24 §

Nota de John Wesley

Desde o Arnom — descrição e limitação da conquista e do reino de Seom: estendia-se só do Arnom até os filhos de Amom. E as palavras porque a fronteira dos filhos de Amom era forte entram com toda propriedade: não como razão de os israelitas não conquistarem os amonitas — eram absolutamente proibidos de mexer com eles —, mas como razão de Seom não ter alargado as suas conquistas até os amonitas, como fizera com os moabitas. Jaboque — rio que em parte limitava e dividia as terras de Amom e Moabe.

Números 21.26 §

Nota de John Wesley

Hesbom era a cidade de Seom — acrescenta-se como razão de Israel ter tomado posse desta terra: já não era dos moabitas, mas dos amorreus. O rei anterior de Moabe — o predecessor de Balaque, o rei de então. Veja a sabedoria da providência, que prepara com longa antecedência o cumprimento dos propósitos de Deus no seu tempo! Esta terra, destinada a Israel, é posta de antemão na mão dos amorreus — que mal sabem tê-la apenas como depositários, até Israel chegar à maioridade. Não entendemos os vastos alcances da providência; mas conhecidas são a Deus todas as suas obras!

Temas: providencia

Números 21.27 §

Nota de John Wesley

Os que falam em provérbios — os poetas ou engenhosos dos amorreus, que fizeram este cântico de triunfo sobre os moabitas vencidos; aqui trazido como prova de que esta era então terra de Seom, e como evidência do justo juízo de Deus em despojar os despojadores e subjugar os que insultavam os inimigos vencidos. Vinde a Hesbom — palavras de Seom ao seu povo, ou do povo exortando-se mutuamente a vir possuir a cidade tomada.

Números 21.28 §

Nota de John Wesley

Fogo — a fúria da guerra, apropriadamente comparada ao fogo. De Hesbom — a cidade que antes era refúgio e defesa de toda a terra torna-se agora o seu grande flagelo. Consumiu Ar — entenda-se não da cidade, mas do povo ou território sujeito àquela grande cidade real. Os senhores dos altos do Arnom — os príncipes ou governadores das fortalezas, frequentemente em lugares altos, sobretudo naquela terra montanhosa. Assim triunfaram os amorreus dos moabitas vencidos. Mas o triunfo dos ímpios é curto!

Números 21.29 §

Nota de John Wesley

Povo de Quemos — os adoradores de Quemos: assim se chamava o deus dos moabitas. Ele — o seu deus — entregou o próprio povo aos inimigos; nem pôde proteger os que escaparam da espada, deixando-os ir ao cativeiro. As palavras deste versículo e do seguinte parecem não parte do cântico do poeta amorreu, que se conclui no v. 28, mas observação dos israelitas sobre ele: escarnecem da impotência não só dos moabitas, mas do seu deus, que não pôde salvar o seu povo da espada de Seom.

Temas: idolatria

Números 21.30 §

Nota de John Wesley

Ainda que vós, fracos moabitas, e o vosso deus, não pudestes resistir a Seom, nós, israelitas, com a ajuda do nosso Deus, atiramos contra eles — contra Seom e os seus amorreus — com êxito e vitória. Hesbom — a cidade real de Seom, por ele havia pouco reparada, pereceu — foi-lhe tirada, e toda a sua terra, até Dibom.

Números 21.32 §

Nota de John Wesley

Jazer — uma das cidades de Moabe, antes tomada por Seom, e agora tomada dele pelos israelitas.

Números 21.33 §

Nota de John Wesley

Ogue — também rei dos amorreus. E parece que Seom e Ogue foram chefes de duas grandes colônias saídas de Canaã, que expulsaram os antigos moradores destes lugares. Basã — terra rica, famosa pelas pastagens, pelo gado e pelos carvalhos.

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